Fenômeno La Niña deve perder força no outono

Com a chegada da nova estação, às 6h38min deste sábado (20), previsão indica que o clima retomará condições de neutralidade

Por
· 3 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

A estação mais quente do ano se despede, nesta sexta-feira (19), levando com ela a intensidade do fenômeno La Niña. A previsão é de que neste ano o outono, que começa às 6h38min de sábado (20), fique marcado pela transição deste evento climático para condições de neutralidade. “As projeções apontam que ainda estaremos sob ação do La Niña no outono, mas em fraca intensidade e em fase de transição. Conforme os prognósticos sinalizam, o encerramento do evento deve acontecer entre o outono e o início do inverno”, explica o agrometeorologista e pesquisador da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha.

O fenômeno La Niña consiste no resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Ele estava em atuação no país desde setembro do ano passado. No Sul do Brasil, o evento é conhecido por causar o aumento das temperaturas e a redução dos volumes de chuva – motivo pelo qual costuma ser tão temido pelos agricultores. Mas a boa notícia é que, com a perspectiva de condições neutras nas águas do Oceano Pacífico, especialmente no segundo semestre de 2021, as chuvas e as temperaturas devem voltar a se aproximar da média histórica. “A perspectiva que temos é de chuvas dentro do padrão ou um pouco abaixo, principalmente em abril e maio. Isto significa que a média mensal de chuvas deve oscilar entre 100 e 130mm. Isso é normal para o Norte do Rio Grande do Sul. Aqui, o outono é a estação em que menos chove. Historicamente, abril é um mês em que temos menos quantidade de chuva”, esclarece Cunha.

O agrometeorologista destaca também que o outono, assim como a primavera, se caracteriza por ser uma estação de transição. Períodos assim têm a tendência de carregar características da estação anterior e, ao mesmo tempo, contemplar aspectos da próxima estação. “Podemos ter, já no outono, as primeiras entradas de massa de ar polar e o registro das primeiras geadas. Isso é comum e, em geral, ocorre justamente por ser uma estação de transição, que já guarda um pouco das características do período seguinte: o inverno. Neste ano essa probabilidade é ainda maior em razão do La Niña, que facilita a entrada de massa de ar polar, então podemos presenciar geadas um pouco mais cedo que costumeiramente”. Apesar disso, quanto às temperaturas, o especialista projeta que elas se mantenham ao redor do normal ou apenas ligeiramente acima. “As máximas podem ficar entre 27°C e 34°C. Quanto às mínimas, podemos ter vez ou outra dias com zero graus. Não há surpresa”.


Previsão positiva para a sojicultura

O mercado da soja, que enfrentou atrasos no período de semeadura em razão da estiagem, deve concentrar a maior parte da sua colheita no início do mês de abril. De acordo com o último Informativo Conjuntural da Emater-RS, divulgado nesta quinta-feira, na região de Passo Fundo apenas 5% da área cultiva com soja foi colhida até o momento. A média é a mesma estimada para todo o Estado. O restante da cultura encontra-se, aproximadamente, 65% na fase de enchimento de grãos e 30% em maturação fisiológica. Por isso, a previsão de chuva para os próximos dias é positiva e, mais do que isso, necessária para beneficiar as lavouras que estão completando seu ciclo e ainda não apresentam condições para colheita.

O pesquisador da Embrapa, Gilberto Cunha, avalia que as chuvas têm vindo em boa hora e de forma providencial. No entanto, é preciso que os próximos 20 dias sejam contempladas com eventos de precipitação ao menos uma vez por semana. “Tendo um ou dois dias de chuva por semana, seguramente, a colheita da soja não será prejudicada e o rendimento será bastante favorecido”. Para ele, a perspectiva de bons rendimentos e de preços elevados no mercado de sojicultura são aspectos otimistas em um momento caótico de pandemia.

A preocupação na nova estação, por outro lado, diz respeito ao estabelecimento das culturas de pastagem (a aveia, por exemplo), das culturas semeadas de forma antecipada (como a canola) e de cultivos intercalados (é o caso do nabo, que costuma ser plantado antes da semeadura do trigo). “Há sempre uma preocupação com a umidade. Ela é necessária para o estabelecimento dessas culturas e, por ter menos volume de chuva, o outono é uma estação que preocupa devido à escassez de alimento na produção animal. Chamam de vazio outonal, quando há uma menor oferta de alimentos, principalmente para o gado em formato de pastagem, mas também para grãos das mais diversas finalidades”, salienta Cunha.


Chuva deve chegar no domingo

O primeiro de outono em Passo Fundo deve registrar variações de nebulosidade e temperaturas entre 20° C e 28° C, mas mantém tempo firme. É apenas no domingo que a chuva, tão aguardada nas lavouras de soja, deve dar as caras na região. De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), a previsão indica chuvas isoladas no segundo dia de outono e temperaturas de 19° C a 24°C. Já na segunda-feira (22), a chuva se intensifica e as temperaturas caem novamente. A mínima deve chegar a 16°C e a máxima não passa dos 21°C.

Gostou? Compartilhe