As provocações de Joker transpostas à arte dos palcos

Em ?EURoeJoker?EUR?, que ganha os holofotes do Teatro Sesc Passo Fundo neste sábado (9), ator catarinense apresenta ao público as insanidades do icônico personagem Coringa

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Não há dúvidas de que a falta de amor, o trauma da infância e a escassez de compaixão no mundo, elementos que moldaram a personalidade de Coringa – um dos personagens mais conhecidos no universo dos quadrinhos –, geram alguma espécie de fascínio no público. Basta ver a infinidade de representações que o vilão das histórias do Batman já ganhou, nos mais diversos formatos de entretenimento. Talvez seja pela densidade das camadas emocionais que compõem Coringa e que fazem dele, mais que um vilão, um anti-herói querido por um público que não cansa de revisitá-lo. Quem faz parte deste time tem a oportunidade, neste sábado (9), de ver mais um dos lados do excêntrico e provocativo personagem. Interpretado pelo ator catarinense Guilherme Fernandes, ele toma conta do palco do Teatro do Sesc Passo Fundo no premiado monólogo “Joker”. A apresentação inicia às 20h. Os ingressos podem ser adquiridos no local, com valores entre R$ 12 e R$ 30.

Com um roteiro voltado a questões existencialistas, a peça se passa durante a prisão de Coringa no Asylum Arkham. O espaço, descrito como “o lugar mais adequado para tratar as incompreensões do censo comum”, é o que serve de palco e cenário para as insanidades e seduções do anti-herói. Uma montagem da Cia Delírio de Teatro, do Paraná, o espetáculo tem direção e texto de Edson Bueno, e faz uma ode à invasão do pensamento ao utilizar na narrativa reflexões de famosas poesias, passando por Nietsch, Shakespeare, Freud e Clarice Lispector, como forma de se apoderar dos mais sombrios devaneios da demência do espectador, através dos surtos psicóticos e esquizofrênicos de Joker.

Em entrevista ao ON, Guilherme Fernandes – que, graças à Joker, já levou o troféu Gralha Azul de Melhor Ator – adianta um pouco do que o público pode esperar da vilania sedutora e manipuladora do personagem que interpreta desde 2017. Ainda, explica as semelhanças entre a peça e o recentemente lançado longa-metragem “Coringa”, onde o vilão é interpretado pelo ator Joaquin Phoenix.

 

O Nacional: Como surgiu a peça?

Guilherme Fernandes: A peça surgiu em uma vivência artística que eu fui fazer com o Edson Bueno, que é um diretor renomado de Curitiba. Eu fui para lá para ficar dois meses e, inicialmente, iríamos montar uma peça sobre o Dom Quixote. No fim, aconteceu de ele ter o espetáculo do Joker na gaveta. Ele me disse “dá uma lida nesse texto”. Ele estava pronto há dois anos. Assim que eu li, eu me apaixonei. Achei o texto maravilhoso e, na hora, quis fazer.

 

ON: Como foi a preparação para encarnar o personagem?

G.F.: Nós começamos a ensaiar lá na casa dele mesmo. Foi muito legal. O Joker, neste espetáculo, está no auge da esquizofrenia dele, mas o texto é um recorte de vários inteligentes, artistas e intelectuais. Ele faz citações de muitos autores famosos. É como se esses autores estivessem possuindo o Joker e ele vai usando desses textos para criar o seu próprio discurso e te fazer dar uma olhada no lado negro da força. O seu lado sombra, que todos nós temos e escondemos. É como se esse seu lado sombra quisesse falar com você e te seduzir.

 

ON: Qual "lado" do Coringa o público verá no palco?

G.F.: O espetáculo é uma visita que o telespectador faz ao Joker, que está preso no Asilo Arkham, que é um manicômio tradicional de Arkham City. E, se você visita um vilão, ele vai usar do poder dele, que é saber usar as palavras. Ele faz das palavras, armas. E aí, você ali, em uma hora e dez de espetáculo, vai ter o Joker só para você, falando dentro de um cenário que parece uma camisa de força. Ele tem um luz de neon branca remetendo a um cenário de clínica...

 

ON: Embora já fosse um personagem bastante conhecido, desde que ganhou um filme onde é interpretado pelo ator Joaquin Phoenix, o Coringa tem sido ainda mais comentado. E, apesar de a peça ter surgido antes do filme, o fato de estar circulando enquanto todo o boom do longa acontece torna essa, de alguma forma, uma tarefa mais desafiadora?

G.F.: Na verdade, eu fiquei muito feliz em relação ao filme. Para nós, é muito oportuno. Quem viu o filme e ver a peça, vai perceber que tem inúmeras ligações, mas são épocas diferentes. O filme trata da história do Joker que vem antes desse que eu estou apresentando. O Joker que eu interpreto, é como se ele estivesse no momento presente, preso ali no Asilo Arkham. O filme é o passado. Mas os dois têm uma pegada muito existencialista, de te fazer refletir sobre o sentido da vida, e eu acho que nesse ponto as pessoas vão ver muitas coisas em comum. Afinal, é o Joker ali.

 

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