Dr. Veríssimo, cinco anos de memórias: 17/08/2015 - 17/08/2020

Fernando Severo de Miranda - Presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo

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Há cinco anos atrás a grande família Veríssimo acordou de luto. A cidade de Passo Fundo acordou de luto. Os gaúchos de todos os cantos do Rio Grande despertaram solidariamente tristes, não importando se são da fronteira, das missões ou serranos. O Instituto Histórico desfraldou sua bandeira de luto, pois faleceu um dos seus membros mais fulgurantes de todos os tempos: Dr. Pedro Ari Veríssimo da Fonseca.  

E isso não é pouco, se levarmos em conta que por ali passaram, nos últimos 66 anos da instituição, pessoas da estatura de Antonino Xavier, Jorge Cafruni, Delma Gehm, Reyssoli Santos, Mucio de Castro, Antônio Carlos Machado, Antonio Donin, Eduardo Barreiro, Gomercindo dos Reis, Rômulo Teixeira, Alberi Ribeiro, para citar apenas alguns grandes que se dedicaram de corpo e alma àquilo que amavam.

O Dr. Veríssimo foi um Bravo. Viveu e morreu como poucos. Construiu sua própria história; piá de estância, médico humanitário, uma mulher e uma família feliz, escritor consagrado, tradicionalista, historiador com várias obras publicadas e que se tornaram clássicas, além de participar de inúmeras obras sociais, tudo isso com a simplicidade e a bondade que lhe era característica. 

Para o Instituto Histórico foi de uma importância fundamental. Entrou para a entidade em 1970, quando iniciou sua saga que iria revolucionar completamente a instituição. Uma época em que o precioso acervo passava de mão em mão, pois não havia sede própria e as reuniões aconteciam ora na residência de algum consócio, ora na rádio Planalto, por influencia de Daltro Wesp, ora no escritório do vice-presidente Dr. Alberi Falkembach Ribeiro (também de saudosa memória) até que passou a efetivar-se finalmente na Academia Passo-Fundense de Letras, que disponibilizou sua casa como uma irmã faria.

Agigantou o acervo do Instituto garimpando fotos, atas, correspondências e ouvindo memórias de pessoas idosas cujas lembranças iluminavam aquilo que outros não haviam lembrado de escrever. Dessa maneira ficavam registradas muitas histórias, fontes importantes para a pesquisa e futuras publicações. Acervos pessoais foram organizados: do ex-prefeito Mário Menegaz, Amadeu Goelzer, Antonio Carlos Machado, Delma Gehm, Nilo Damasceno Ferreira e a biblioteca completa, incluindo móveis, máquina de escrever e outros utensílios do Dr. Nicolau de Araujo Vergueiro. Esta última encontra-se no Arquivo Histórico Regional da UPF, aberto á pesquisa e visitação ao público e foi conseguida pelo árduo trabalho do Dr. Veríssimo, e de Ernesto Zanette, que conseguiram a doação da família Vergueiro. 

Quem pensa que o Dr. Veríssimo não tinha dons também para a informática se engana. Tinha uma visão ampla do uso que a comunidade poderia fazer dela. Em mais uma de sua fantásticas antecipações do grande uso que a internet teria para o disseminar da cultura histórica, acordou um convênio entre o Instituto Histórico e a Universidade de Passo Fundo, através do Arquivo Histórico Regional, e os mais de 25.000 (vinte e cinco mil) documentos que hoje fazem parte do acervo do Instituto estão catalogados e digitalizados para o acesso socializado. Um sonho que se transformou em realidade.

Seu próprio acervo, suas principais obras históricas são hoje conhecidas do público, como Tropeiros de Mula, O Negro na história do Rio Grande heróico, Bom Jesus na rota do tropeirismo no Cone Sul, muitas merecendo reedições. 

Quando tive a felicidade de lhe contar que o Instituto Histórico teria finalmente uma Sede Própria - promovida pela magnanimidade da família Dr. Carlos e Celina Madalosso - e que, além disso, vizinharíamos com a Academia de Letras e o Centro Cultural Roseli Pretto, sentiu que seus esforços lançados à terra dariam bons e perenes frutos.E ficou feliz, e muito feliz sorriu, e pediu que muito agradecesse a todos.

Enfim, quando a Moira lhe tocou suavemente o ombro, ele encarou-a e lhe mostrou com coragem e honestidade as realizações de sua vida. Mostrou-lhe os caminhos que desbravou ao longo do tempo, as grandes e difíceis travessias, as alegrias, as tristezas; então Ela própria lhe concedeu o que já era dele: Um adeus pleno de coragem, serenidade e felicidade pela vida vivida, como só os grandes e sábios conseguem. Foi um Bravo!

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