A visceralidade de Nelson Rodrigues

Peça ?EURoeOs Canalhas?EUR?, baseada na obra de um dos maiores dramaturgos do país, volta ao Teatro do Sesc Passo Fundo nesta quinta-feira (28), em nova temporada

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De peito aberto, homens traídos, apaixonados, trágicos, vítimas e vilões revelam experiências que, por vezes, se confundem com a realidade vivida pelo público. Estes personagens, que povoam as criações despudoradas do escritor e jornalista Nelson Rodrigues e que têm em comum a visceralidade com que se apresentam, voltam a se desnudar diante do público passo-fundense na noite desta quinta-feira (28), no palco do Teatro do Sesc, durante a peça “Os Canalhas”. Quem assina o texto é o experiente diretor Edson Bueno, que nesta montagem toma como inspiração a obra completa de Nelson Rodrigues e explora, assim como um dos maiores dramaturgos brasileiros, as nuances da alma humana.

Em “Os Canalhas”, os atores Maycon Marcondes, Robson Prestes, Pieterson Duderstadt, Marcio Meneghell e Jandir Ferrari encenam o íntimo da vida humana, apresentando personagens como o homem que foi traído e, ainda assim, continua apaixonado pela mulher; o rapaz que precisa se prostituir em busca de dinheiro, mas não é feliz com o que faz; e o marido que não quer tocar a própria esposa por excesso de pudor. Histórias e circunstancias que retratam, de modo geral, o lado menos positivo da vida. “Eu até parafraseio a frase do Luís Fernando Veríssimo: é a comédia da vida privada. O Nelson Rodrigues retrata como ninguém tudo aquilo que acontece no íntimo de homens, mulheres e casais. Ele expõe como todos nós somos canalhas. Somos canalhas como vítimas, por aceitarmos isso, e como vilões, por sacanearmos o outro”, explica Meneghell.

Criado em 2011 pela Cia da Cidade, o espetáculo nasceu de um desejo dos atores que integravam o grupo teatral e queriam algo no qual pudessem se desafiar enquanto profissionais. Reunidos com o diretor Edson Bueno, realizaram um estudo aprofundado de crônicas, peças e fragmentos criados por Nelson Rodrigues e chegaram à conclusão, ainda de acordo com Meneghell, de que haviam histórias específicas que eles desejavam contar ao público, por já terem vivenciado experiências parecidas, de alguma forma. “Todo ator, em um determinado momento, teria ou mereceria fazer um trabalho do Nelson Rodrigues, mas quando somos muito novos não temos a carga de experiência suficiente para fazer. Claro, existem personagens jovens na literatura de Nelson, mas a maioria deles são pessoas mais velhas, que já tiveram desilusões amorosas e perrengues na vida para resolver. Para retratar isso com veracidade, você precisa ter passado por vivências semelhantes”, pondera.

A nova temporada do espetáculo, que já havia rodado por Passo Fundo outras vezes, deve circular também por boa parte do Estado nos próximos meses. “Quando estreamos, em meados de 2012, fizemos uma turnê bem grande pela região Sul. Agora, vamos circular novamente pelo Estado. Costuma ser uma experiência interessante porque a forma como as pessoas vão receber a peça é sempre uma incógnita”. O motivo, segundo o ator, é a capacidade que os textos de Nelson Rodrigues têm de jogar as verdades na cara do espectador. “Algumas pessoas, que não conhecem a obra dele, saem do teatro um pouco impactadas. Se a pessoa vai ao teatro esperando uma peça mamão com açúcar, ela vai levar um tapa. É um choque de realidade. Elas conseguem se enxergar nos personagens e naquelas histórias, quase como uma terapia inesperada... Acho que essa é uma das magias do espetáculo e do teatro em si”.

 

 

Serviço

O que: Peça “Os Canalhas”

Quando: Quinta-feira (28), às 20h

Onde: Teatro do Sesc (Av. Brasil, 30)

Ingressos: entre R$ 12 e R$ 30

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