Musicalidade, poesia e significado

Na tarde de ontem, na 27ª Feira do Livro, Alexandre Brito trouxe pequenos e grandes para perto da poesia.

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· 3 min de leitura

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De um lado, crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental agarravam os livros azuis e esperavam ansiosas a entrada do autor. Do outro, adolescentes do Ensino Médio – desconfiados, resistentes e curiosos para ver a forma que Alexandre Brito conquistaria sua atenção. Com música, poesia, desenho e palavra, o autor encantou os pequenos e instigou os mais velhos na tarde de ontem, na 27ª Feira do Livro de Passo Fundo. Em uma tarde descontraída, Alexandre Brito enfrentou uma plateia tão plural quanto ele mesmo.

Autor de 12 livros, poeta e integrante da Banda Os PoETs. Das letras às canções, Alexandre Brito passeia entre as linguagens e fica muito a vontade em pertencer as duas. Se precisasse escolher? “Escolho os dois!”. Além de ser plural nas artes, é plural no resultado: seus livros são para crianças e, também, para adultos. “Sinto que faço poesia para gente pequena, média e grande”, brinca. Sua trajetória iniciou focada em poemas direcionados aos adultos, mas, em 2011, mergulhou no universo infantil. Hoje, se realiza ao escrever para os pequenos porque consegue despertar o que há de mais puro dentro de si. As crianças agradecem e imploram para que o autor declame um dos poemas que está em Museu Desmiolado, livro que os professores trabalharam em sala de aula. Prestativo, Alexandre declama e conta as histórias pelas quais os poemas nascem em sua mente.

O cotidiano é a maior inspiração e quando esta falta, a dedicação ao trabalho é quem assume as rédeas e concretiza o que foi iniciado. Suas histórias poderiam ser a minha história. Com uma pitada de diversão, tornam-se universais: “A palavra “graça” orienta meu trabalho: traz a beleza e o equilíbrio das formas, mas, também, no sentido do divertido e do engraçado. O mundo das palavras nos permite uma riqueza imensa e o privilégio do exercício do pensamento. O poeta brinca com a palavra, esse é o meu trabalho.” Assim, aliando a palavra à graça, também acontece na música.

Um tropeção, um poema, uma dor. Lado a lado sentimentos humanos, situações próximas e sentimentos íntimos fazem a música de Alexandre capaz de brotar sorrisos. Nos pequenos, quando ele convida a participar da música imitando um grito de dor quando o dedo bate em uma pedra. Nos adolescentes, quando um poema de Leminski ganha melodia e retrata um primeiro – ou último – amor. Ao lado de Ricardo Silvestrin e Ronald Augusto, Alexandre traz canções próprias, que vão do rock à MPB. Melodias contagiantes e letras surpreendentes são a marca registrada do grupo. O nome da banda não é por acaso: o encontro dos três se deu pela poesia.

Em Passo Fundo, Alexandre Brito contou histórias, declamou poemas, cantou suas músicas. Faltou tempo para que todos descobrissem um pouco mais dele. As mãozinhas erguidas indicavam que a fala do autor/cantor/poeta deixou a curiosidade tomar conta. As perguntas ficaram para a sessão de autógrafos e, ainda faltando tempo, Alexandre convidou as crianças para bater um papo no Facebook, por que não?

Museu Desmiolado e Circo Mágico, os preferidos dos pequenos, sumiram das livrarias. Alexandre é capaz de fazer as crianças gostarem dos versos e tornarem-se amigas dos dicionários. Ele admite: usa palavras difíceis para a idade indicada. É proposital: “Através do pensamento a gente consegue compreender a nossa volta e o nosso pensamento é feito de palavras. Quanto mais palavras a gente conhece, maior é nossa capacidade de entender o mundo”, comenta. E entender o mundo é o que ele busca, seja por acordes ou por letras. Ainda bem que pequenos e grandes vão junto.

Programação 05.11

Palco Principal
09h30 e 14h30 - Bate-papo: Do alto do meu chapéu, Gláucia de Souza
Público: séries iniciais do Ensino Fundamental

10h30 - Bate-papo: Zé Faustinho, Professor Fausti
Público: Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental

14h - Contação de Histórias Sesc/O Nacional

15h30 - Canto Coral - Escola Estadual Maria Dolores de Freitas Barros

16h - Contação de Histórias Mundo da Leitura UPF

17h30 - Escola Notre Dame Menino Jesus Coral e Dança Moderna

18h30 - Os tropeiros

19h30 - Debate sobre a violência contra a mulher baseado no livro É pensando nos homens que eu perdôo aos tigres as garras que dilaceram, Ivaldino Tasca, Claudia Crusius, José Ernani de Almeida, Josiane P. Faria, Mariane Sbeghen e Marina de Campos

Autógrafos
10h30 e 15h30 - Gláucia de Souza, Do alto do meu chapéu
11h - Professor Fausti, zé Faustinho
20h30 - Ivaldino Tasca, Claudia Crusius, José Ernani de Almeida, Josiane P. Faria, Mariane Sbeghen e Marina de Campos, É pensando nos homens que eu perdôo aos tigres as garras que dilaceram

Atividades Paralelas
Mostra Mário Quintana
Exposição 6º Traçando Histórias
21º Mostra de Gravura, profª Mariane Loch Sbeghen
Contação de Histórias no estande do Jornal O Nacional e Sesc

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