Quando a morte conta uma história...

... você deve parar para ler

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· 2 min de leitura
A Menina Que Roubava Livros está em cartaz na Sala 2 do Bourbon!A Menina Que Roubava Livros está em cartaz na Sala 2 do Bourbon!
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Liesel Meminger é uma daquelas personagens que você carrega consigo. No estilo Pollyanna, ela invade sua mente no meio de conversas e faz você citar a sua história. Personagens assim são raros, não habitam todas as páginas e contar a sua história não é uma tarefa fácil. Liesel é a personagem central de um livro, mas fugiu dele para passear pelas telas e ganhar espaço nas suas referências. A Menina Que Roubava Livros, obra de Markus Zusak, foi adaptada e estreou nos cinemas na semana passada e, hoje, o Segundo vai te dar os motivos que faltavam para que você largasse o jornal e corresse para uma sala de cinema.

Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a morte três vezes. Em nenhuma delas, se rendeu. Nas páginas, é a própria Morte quem conta o processo que tornou Liesel uma ladra. Desde o início, Liesel precisou provar para si mesma a importância da sua vida. Sem entender o sentido ou a necessidade de estar viva, apenas caminhava. Até que um livro mudou sua maneira de pensar. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, percebeu que o coveiro que o enterrou esqueceu um livro. “O Manual do Coveiro” tornou-se o primeiro livro que, mesmo sem saber ler, a menina carregou consigo. Deixada pela mãe, Liesel foi adotada por Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado, mas cheio de delicadeza e uma dona-de-casa cujo reclamar era a atividade preferida. Na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade próxima a Munique, Liesel viu a guerra e a luta por sobrevivência.

A história contada narra quatro anos em que o nazismo esteve a frente do poder na Alemanha. Entre fugas, omissões e mentiras Liesel encontra nos livros roubados uma forma de sobreviver ao terror. Ao lado de Liesel, Rudy Steiner, seu vizinho, melhor amigo e namorado que nunca teve, a ajuda a enfrentar o dia a dia com mais leveza. Dentro de casa, no entanto, é com Max, um judeu fugitivo, escondido pelos pais no porão de casa, que Liesel aprende que palavras fazem mais sentido quando estão na prática da vida do que no papel.

O livro é emocionante e trata do nazismo com a sensibilidade que jamais é encontrada nas guerras. A delicadeza da narrativa torna “A Menina que Roubava Livros” o livro triste que você insiste em tirar da prateleira para reler uma vez mais. Nas telas, Liesel se torna uma forma de mostrar como a Guerra destruiu tudo por onde passou. A Menina Que Rouba Livros é uma adaptação. Não é a passagem do livro para a tela e há, obviamente, mudanças em relação às páginas, mas na essência Liesel e sua história são as mesmas.

O foco principal da trama passa a ser os relacionamentos da garota, como ela muda as vidas ao seu redor e vice-versa. Um detalhe importante é que os personagens não são tão explorados quanto no livro e Max e Ilsa – a mulher do prefeito, que empresta a biblioteca para Liesel – tornam-se papeis secundários. Por outro lado, Liesel e Rudy – interpretados por Sophie Nélisse e Nico Liersch – conduzem o filme e realmente dão sentido ao roteiro. O roubo dos livros também é deixado de lado para que a realidade da época seja explorada. Ainda que deixe de lado alguns aspectos do livro, o filme é o retrato da delicadeza, representada por uma menina, em meio ao frio da guerra. Vale o ingresso. Corra.

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