Sexualidade ainda é tabu

Especialistas em sexo e relacionamento abrem as discussões do primeiro Palco de Debates da Jornada de Literatura

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A sexualidade, o corpo e o afeto foram os primeiros assuntos discutidos no Palco de Debates da 15ª Jornada Nacional de Literatura, realizada na tarde de ontem (28). A sexualidade é o jeito de cada um ser no mundo, de se relacionar com as emoções, os sentimentos e o mundo ao redor e está presente no ser humano desde a infância. Parece bem simples e óbvio, mas o assunto ainda é um tabu na sociedade. O tema foi debatido pela psicanalista, Diana Lichtenstein Corso, pela psicóloga clínica e educadora sexual, Laura Muller, e pela antropóloga, Mirian Goldenberg. As cerca de quatro mil pessoas, entre jovens e adultos, que lotaram o espaço da grande lona, escutaram atentas as especialistas que falaram abertamente sobre sexo e relacionamentos. O tabu da sexualidade, a importância de falar abertamente sobre o assunto em casa, na escola e na sociedade e dicas de como falar sobre sexualidade com crianças foram os principais pontos abordados por Laura Muller. A psicóloga clínica, educadora sexual e comunicadora social destacou os assuntos com a maior naturalidade e enfatizou que é assim que deve ser. “Todos têm sexualidade. A criança, ao contrário do que muitas pessoas acham, também tem sexualidade. É o jeito de cada um ser no mundo. Já sexo é um dos aspectos da sexualidade que se inicia na vida dos brasileiros, geralmente, entre os 15 e 17 anos”, explicou Laura.

Mas qual é a hora de iniciar esta vivência sexual? Laura salientou que esta pergunta não tem uma resposta concreta. “É em uma fase amadurecida quando o jovem achar que chegou a hora. Não tem data de validade. Mas ele deve levar em consideração os riscos das doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada. Ele deve buscar uma vida sexual saudável e prazerosa”, afirmou a especialista. A sexualidade deve estar presentes na educação nas difrentes disciplinas . Os educadores devem falar sobre o corpo como matriz da sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Os jovens devem ser orientados sobre o assunto desde crianças de maneira esclarecedora levando em consideração a idade. “Crianças de cinco anos têm o costume de perguntar o que é sexo, por exemplo. Os pais têm que responder que sexo é algo que ele vai fazer quando for grande. É preciso deixar claro para elas que é uma prática do mundo adulto. O conhecimento mais específico sobre sexo vai evoluindo de acordo com a maturidade”, orientou a educadora sexual.

Também participou do Palco de Debates, a psicanalista, Diana Lichtenstein Corso, escritora dos livros Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis, em 2005, e Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia, em 2010, ambos pela Ed. Artmed, escritos em parceria com seu marido Mário Corso. “Leves, livres e felizes” A antropóloga, Mirian Goldenberg, pesquisa há 25 anos sobre o corpo, o sexo e o amor. A especialista iniciou o seu discurso falando da revolucionária Leila Diniz, que escandalizou a sociedade na década de 60 e 70 por mostrar a barriga durante a gravidez e defender o prazer sexual. A atriz foi tese do doutorado da escritora. Mirian enfatizou que o corpo é um capital nos dias de hoje. “As brasileiras não ficam velhas, ficam loiras. O Brasil é um país onde mais se faz cirurgia plástica no mundo. Ser magra é fundamental para a mulher brasileira”, salientou a escritora. Outro capital descrito pela especialista é o homem. “Está faltando homem. Marido é um artigo raro e de luxo”, disse a escritora, provocando gargalhadas da plateia. E o terceiro capital é o desejo do corpo e sexualidade masculina. “As mulheres responderam que o que mais invejam em um homem é a liberdade, fazer xixi em pé, não precisar se depilar, não ter TPM e a capacidade de se vestir bem apenas com jeans e camiseta”, revelou Mirian. A especialista enfatizou que um dos grandes medos da mulher brasileira é se tornar invisível e por isso, necessitam tanto dos elogios dos homens. Mirian encerrou o seu discurso sugerindo que as mulheres sejam cada vez mais Leila Diniz. “Mais leve, livre e feliz”, declarou a antropóloga.

 

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