Um espaço para fomentar a cultura sambista

Com a intenção de expor o samba feito por músicos passo-fundenses, a Confraria do Samba grava seu primeiro DVD neste sábado (12)

Por
· 4 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Marcado pela presença de elementos herdados da cultura africana, o samba nasceu como um estilo musical marginalizado – uma carga que ainda hoje deixa escapar alguns vestígios, mesmo enquanto o samba é reconhecido como o principal ritmo brasileiro. Questões sociais como o racismo e o elitismo dão conta de explicar boa parte dessas tentativas de silenciar tal manifestação cultural e, também, de compreender por que a produção sambista ainda é baixa, especialmente no interior do Estado. Fora dessa curva, porém, vez ou outra ideias se alinham e novas composições do gênero saem do papel como forma de fortalecer a cena. É o caso da Confraria do Samba. Formada em Passo Fundo no início deste ano, a iniciativa visa resgatar a história e identidade do samba, além de fomentar o surgimento de novos artistas. Apesar de jovem, o projeto já tem rendido alguns frutos, entre eles a gravação de um DVD, marcada para este sábado (12), na Sociedade Recreativa e Cultural Garotos da Batucada.

Idealizador do projeto ao lado do rapper Aléssio Batista e do mestre de bateria Marcos Silva, o intérprete e compositor Vinícius Machado (conhecido como Viny Da Cor) explica que a confraria funciona como uma roda de samba, com direito a palco aberto. Periodicamente, eles se reúnem junto com amigos e público em geral para realizar uma grande confraternização musical, centrada em dançar, tocar e cantar as riquezas do ritmo. “No início, apesar de já termos a ideia de dar um ar de evento, era para ser um negócio mais informal. O nome resume bem: confraria é uma reunião de amigos com interesses em comum. No nosso caso, queríamos um espaço para sentar e tocar samba entre amigos, mas a proposta acabou crescendo e decidimos procurar um lugar onde pudéssemos promover a Confraria do Samba. Foi uma surpresa. Na primeira edição, havíamos planejado fazer a festa em um salão pequeno, mas tivemos que migrar para um maior no meio do evento porque lotou. Acho que muito do interesse das pessoas vinha por haver um vazio no município neste sentido”, relembra.

Pautados pela ideia de resgatar a identidade do gênero, a Confraria do Samba acabou casando seus ideais com a Sociedade Recreativa e Cultural Garotos da Batucada, local que recebe o evento desde sua primeira edição. “Não estávamos procurando apenas por um som de qualidade, mas por um local com identidade e raiz sambista”, comenta o intérprete. E de raiz sambista o Garotos da Batucada entende. Fundado oficialmente há mais de 50 anos, os Garotos surgiram como um bloco carnavalesco formado por foliões que frequentavam o Clube Visconde do Rio Branco, no final da década de 40. “Além dessa característica, o espaço abriga nossa estrutura muito bem. Temos um palco pequeno, mas uma boa estrutura de som, que graças a Deus conseguimos através do apoio da Secretaria Municipal de Cultura e de empresários patrocinadores. Agora, queremos levar isso para mais pessoas. Acreditamos que o DVD nos ajudará nessa questão, mostrando que no interior do Rio Grande do Sul nós temos uma roda de samba tão boa quanto nas capitais”, Da Cor comenta.

 

Espaço para novos talentos

Na Confraria do Samba, embora algumas figuras se repitam no palco, a roda de samba não obedece a uma formação fixa. “Não temos um grupo específico. Quem comanda o som é Viny Da Cor & Amigos, mas normalmente vamos substituindo esses amigos, sempre com músicos locais. Fazemos um rodízio porque temos vários músicos na cidade e queremos que todos tenham espaço”, esclarece Da Cor. Para apresentar alguns nomes mais frequentes na roda, ele cita André Rosa (banjo), Guilherme (violão), Maurício Ricco (voz e rebolo), Duda Oliveira (voz e reco-reco), Marcos Silva (surdo e voz), Rê Percussão (percussão em geral), Leonardo Martini (voz e pandeiro), além dele próprio, responsável pela voz e cavaco.

Sobre a gravação do primeiro trabalho do conjunto, que contará com a participação destes e outros músicos, o idealizador explica que a ideia é justamente criar um material que ajude a exibir o que vem sendo feito pela Confraria. “Queremos mostrar o nosso trabalho para novas pessoas e novos lugares. Dentro do samba e pagode, acho que a nossa região nunca teve um DVD lançado. No nosso, teremos artistas novos participando, apresentando desde músicas autorais inéditas até clássicos do samba. O Confraria se firmou por ser uma roda diferente. Ela nunca para. É uma música atrás da outra”.

Para a captação, que acontecerá neste sábado dentro do Garotos da Batucada, com direito a sonorização, iluminação e captação audiovisual, o grupo conta que ganhou o apoio de empresas locais que acreditam na ideia. “A expectativa é que, em novembro, o material esteja pronto para ser lançado nas plataformas digitais”. Exceto pela novidade na estrutura, montada especialmente para a gravação do DVD, Da Cor garante que o restante da Confraria manterá a mesma dinâmica. “O evento inicia por volta da meia-noite. A roda de samba em si funciona durante uma hora e meia, quando tocaremos e gravaremos. Depois, teremos 30 minutos de palco aberto. Nessa parte, os músicos locais que estão curtindo a festa – não aqueles fazem parte da roda de samba contratada – e quiserem dar sua canja, podem subir e usar o espaço. Depois, terá mais uma hora ou mais da festa tradicional. Em resumo, é três horas e meia de samba do início ao fim”, elucida, destacando que a gravação acontecerá somente durante a roda de samba.

Ainda de acordo com Viny Da Cor, o palco aberto serve como um espaço de descoberta e incentivo de novos artistas. “É sempre uma surpresa muito grande porque surgem pessoas que nem imaginávamos serem músicos tão talentosos. É um espaço democrático. Independente da sua cor, do seu credo, do seu partido político, você pode ir lá e tocar o seu samba. A gente resolveu abrir para que as pessoas pudessem ter esse momento e para fomentar novos artistas. O samba é uma cultura que desde os tempos mais remotos sempre foi perseguida, marginalizada e vítima de preconceito. Se não dermos segmento ainda hoje para essa cultura, abrindo espaço para novos talentos surgirem, vai morrer. Não é isso que queremos. Vários músicos muito bons estão se revelando no Confraria. E é esse o objetivo: reunir pessoas que gostam de cantar, dançar, tocar samba”.

 

Serviço

O que: Gravação do DVD Confraria do Samba

Quando: 12 de outubro, às 23h

Onde: Garotos da Batucada (Rua General Osório, Vila Luiza)

Ingressos: R$ 10 feminino e R$ 15 masculino, na porta do evento

 

Gostou? Compartilhe