Teatro a Mil aproxima escolas municipais da linguagem teatral

Projeto do Sesc passou por um processo de adaptação diante da pandemia e, agora, leva os espetáculos até os alunos de forma online

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(Foto: Tayhú Wieser)(Foto: Tayhú Wieser)
(Foto: Tayhú Wieser)
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A pandemia do novo coronavírus desafiou, especialmente, o setor cultural. Ainda sem a possibilidade de atuar presencialmente, manifestações artísticas precisaram ser adaptadas para o ambiente virtual. Com o projeto “Teatro a Mil”, criado pelo Sesc Rio Grande do Sul há 10 anos, não foi diferente. A iniciativa, que visa proporcionar às escolas públicas municipais um espaço de fruição e conhecimento das artes cênicas, costumava ser promovida de maneira presencial e, por isso, chegou a enfrentar uma pausa durante o primeiro ano da pandemia. Neste ano, por outro lado, a instituição resolveu se desafiar e promover uma readaptação da ideia, para que ela pudesse se manter viva no formato online, em três diferentes etapas. Em Passo Fundo, uma das cidades-piloto do projeto, a primeira etapa está sendo direcionada aos alunos do sexto ao nono ano do ensino fundamental e recebe o apoio da Secretaria Municipal de Educação.

A agente de cultura do Sesc Passo Fundo, Andressa Pagnussat, explica que o nome “Teatro a Mil” não é à toa. De acordo com a ela, o objetivo do projeto é atingir no mínimo mil crianças em idade escolar. “Agora, que é online, acredito que vamos superar mais de mil por etapa, porque todas as escolas municipais estão participando. Isso é muito importante. É uma atividade totalmente gratuita e que, muitas vezes, serve de porta de entrada para que as crianças conheçam e vivenciem a arte do teatro e do circo. É claro que nada substitui estar em um espaço cultural, mas nós entendemos que essa era uma atividade possível de ser articular de forma online para que, mesmo nesse momento pandêmico, as crianças não ficassem desprovida do contato com a arte. Também para que os estudantes e até mesmo os professores pudessem ver a arte como uma aliada do sistema educacional”, explica.


Primeira etapa

No novo formato, o Sesc Passo Fundo propôs que o projeto fosse dividido em três etapas, cada uma direcionada para públicos diferentes. A primeira fase, em andamento no momento, é voltada para estudantes do sexto ao nono ano das escolas municipais e tem como tema o teatro de máquinas. Através do espetáculo “A Última Invenção de Luciano Wieser”, o grupo de teatro De Pernas Pro Ar, de Canoas, convida os alunos a entrarem em uma secreta sala de máquinas, onde o inventor criou algo inusitado: dez curiosas e improváveis maquinas de cena. Durante a peça, ele expõe suas criações, explicando cada detalhe e colocando-as para funcionar através da animação e de tecnologias. A peça foi adaptada exclusivamente para que pudesse acontecer como um vídeo-espetáculo, seguindo a nova proposta do “Teatro a Mil”. “Não é apenas ter uma câmera fixa em cima de um palco. Eles trabalham com câmeras mais próximas, planos e movimentos que consigam dialogar com o público em uma nova linguagem, adequada para o online”, esclarece a agente.

A etapa engloba três dias de atividade junto às escolas. A primeira delas, no último dia 28 de junho, envolveu 80 professores da rede municipal, que trabalham com os alunos atendidos nesta fase. Por meio de um encontro online com o Sesc e o grupo De Pernas Pro Ar, os educadores debateram formas de mediar a atividade e estimular os alunos para que se engajassem na proposta e prestassem atenção no espetáculo, tal qual faziam quando ainda era possível levar os alunos ao teatro presencialmente. Na mesma data, os educadores também receberam uma proposta pedagógica com base no espetáculo para desenvolver ao longo do ano, abordando a linguagem teatral, o cinema, as artes visuais e a robótica.

Já o vídeo-espetáculo foi apresentado a todas as escolas na última quarta-feira (30), através do YouTube, em um link exclusivo para o município. A transmissão aconteceu ao vivo nos três turnos do dia. “Como muitas crianças não têm o próprio celular e dependem de um adulto que possa emprestar para elas, achamos que seria mais inclusivo e nos ajudaria a chegar a mais crianças se tivéssemos apresentação de manhã, de tarde e de noite”, salienta Andressa. A última ação complementar, que acontece nesta sexta-feira (2), é uma visita cênica ao espaço criativo do grupo De Pernas Pro Ar, buscando proporcionar aos estudantes a nostálgica experiência de visitar o camarim de um teatro.

Apoio aos grupos teatrais

As próximas etapas do “Teatro a Mil”, em Passo Fundo, acontecem em setembro e outubro. Na segunda fase, quem leva a linguagem teatral aos alunos do terceiro, quarto e quinto ano é o Grupo Ritornelo de Teatro. Por último, em outubro, o grupo de Teatro Depois da Chuva apresenta uma adaptação do espetáculo “O Silencioso Mundo de Flor” aos alunos do primeiro e segundo ano do ensino fundamental.

Além de ser uma forma de o Sesc promover um ressignificar cultural e manter a comunidade escolar em contato com as artes, conforme Andressa Pagnussat, o projeto é também uma forma de fomentar o trabalho dos grupos teatrais. A entidade estima que mais de 30 grupos sejam contratados para atuar na iniciativa em todo o Rio Grande do Sul. “Cada etapa traz um grupo diferente e cada unidade do Sesc deve contratar espetáculos diferentes. Não pode ser o mesmo em Passo Fundo e Alegrete, por exemplo, justamente para valorizarmos e proporcionarmos um apoio econômico a mais grupos”.

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