Passo Fundo cai 10 posições no Idese

Educação e renda foram os indicadores que determinaram a queda no Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) do Município

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Os reflexos da recessão econômica na qualidade de vida dos passo-fundenses apareceram em 2015. O município registrou, naquele ano, a primeira queda no Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) de toda a série histórica iniciada em 2007. Os dados foram divulgados ontem (21), pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).


De 2014 para 2015, o indicador passou de 0,77 para 0,76. Entre os 20 municípios gaúchos com mais de 100 mil habitantes, Passo Fundo se manteve na 6ª colocação em 2015. Porém, na colocação geral o município caiu 10 posições. Atualmente, está em 174º lugar. Em 2013, Passo Fundo chegou a alcançar a colocação 141º.


O Idese mede a qualidade de vida da população a partir de três blocos: saúde, renda e educação. O índice vai de zero a um, sendo que zero representa o pior cenário e um representa o melhor. O bloco que teve maior queda foi o da renda. Este índice caiu de 0,81 (média de 2014) para 0,79. O indicador ficou próximo do registrado em 2012, quando a renda ficou em 0,78.


A doutora em economia e professora da UPF, Cleide Moretto, explica que dentro do bloco da renda há duas estatísticas: o rendimento das famílias e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Este segundo indicador é o que agrega tudo que foi produzido e divide pelo número de pessoas do município. A renda gerada, que corresponde ao PIB per capita, caiu de 0,77 para 0,75. O outro dado que compõe o bloco, a apropriação de renda, caiu de 0,84 para 0,82.


O indicador de renda foi influenciado pelo desemprego. 2015 foi o primeiro ano da recessão econômica em que o município fechou com mais demissões do que contratações. Em 2014, apesar do início da crise, foram criadas 606 novas vagas de emprego. Já em 2015 foram fechados 1.240 postos de trabalho formal, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), calculados pelo Ministério do Trabalho.


“Como caiu a produção, houve uma queda na demanda por trabalhadores, o que ocasionou o aumento do desemprego. O desemprego também faz com que as pessoas tenham menos poder aquisitivo para consumir”, analisa a especialista.


Educação tem pior índice
Além da renda, outro bloco também teve decréscimo. A educação caiu de 0,7 para 0,69 em 2015. O mesmo índice havia sido registrado em 2013. Nesta categoria, Passo Fundo ocupou a 326ª posição em 2015, perdendo 10 colocações no ranking de todos os municípios gaúchos. Os dados que compõem esse grupo são medidos, entre outras informações, pelas notas dos alunos. “O Estado do RS vem piorando gradativamente a sua qualidade. É fruto de um sistema de educação que não está atendendo o que precisa. Professores com baixos salários, altas taxas de evasão escolar, isso vem repercutindo nas notas e a tendência é piorar”, argumenta Cleide.


O único indicador que apresentou aumento foi o da saúde. Passo Fundo pontuava 0,81 em 2014 e passou a 0,82. Este é o único indicador considerado de nível alto no município. A estabilização desse índice se deve, conforme Cleide, em virtude da queda na taxa de mortalidade infantil e no aumento da expectativa de vida.


Queda de 0,8% no RS
Em todo o Estado, o Idese também apresentou a primeira queda de toda a série histórica. O indicador atingiu a marca de 0,751 em 2015, o que representa uma queda de 0,8% no índice em relação ao ano anterior. Apesar do pequeno aumento dos índices dos Blocos Saúde (0,5%) e Educação (0,2%) em 2015, a queda do Idese foi influenciada pela diminuição do Bloco Renda (-3,1%). Conforme a classificação vigente, o RS apresenta nível médio de desenvolvimento, considerando a demarcação dos níveis em alto (maior ou igual a 0,800), médio (entre 0,500 e 0,799) e baixo (abaixo de 0,499).


O Bloco Educação, praticamente estável, variou de 0,697 em 2014 para 0,698 em 2015. O maior crescimento dentre os sub-blocos ocorreu no desempenho das crianças do ensino fundamental nos testes padronizados, mas uma elevação mais robusta desse índice no Bloco foi impedida pela queda na taxa de matrícula no ensino médio.


O Bloco Renda fechou em 0,739 em 2015, queda que fez o índice retornar a patamares próximos aos de 2012. Em particular, no índice de geração de renda, um dos componentes do Bloco Renda, registrou 0,709. Esse resultado é menor do que o índice registrado em 2011 (0,710).


O Bloco Saúde apresenta comportamento relativamente estável no tempo, mas foi o Bloco que apresentou maior elevação (0,5%), passando de 0,813 para 0,817. A maior elevação dentre os componentes do Bloco foi o aumento do índice de consultas pré-natal, que passou de 0,720 em 2014 para 0,730 em 2015.


Outros municípios
Os dados revelam que 68 municípios obtiveram índice acima de 0,800 em 2015, sendo considerados como municípios de alto desenvolvimento socioeconômico. Isso representou queda em relação a 2014, quando mais de 90 municípios compunham o estrato superior. Na classificação por municípios, o primeiro colocado continuou sendo o Município de Carlos Barbosa (0,879 em 2015), localizado no Corede Serra. Na segunda posição, o município de Água Santa, localizado no Corede Nordeste, obteve índice de 0,873. Em seguida na classificação, Nova Araçá, situado no Corede Serra, apresentou índice de 0,865.


Para o estatístico Rafael Bernardini, não há grandes surpresas nesses resultados, uma vez que a classificação segue padrão já conhecido acerca do desenvolvimento no RS. “Os municípios das áreas de colonização em pequenas propriedades, localizados, em sua maioria, no norte e no nordeste do Estado, apresentam indicadores mais altos de desenvolvimento”, explica. Depois de Carlos Barbosa, Água Santa e Nova Araçá, os municípios mais bem colocados no Idese são, respectivamente: Aratiba, Nova Bassano, Veranópolis, Ipiranga do Sul, Garibaldi, Paraí, Bozano.

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