Caixa muda regras para habitação e anima setor

Banco anunciou ontem redução das taxas de juro e ampliação do crédito imobiliário. Economista afirma que os efeitos das medidas podem ser sentidos a curto e médio prazo

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Conforme Sinduscon retomada do crescimento no setor é lenta, mas consistente

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A redução da taxa de juros e a ampliação do crédito imobiliário trouxeram boas expectativas aos empresários do setor. As medidas, anunciadas ontem (16) pela Caixa Econômica Federal, aliadas a safra da soja, devem movimentar o mercado ainda esse ano, conforme análise do presidente do Sindicato das Indústrias e Construção do Mobiliário de Passo Fundo (Sinduscon), Leonardo Gehlen.


As taxas mínimas do crédito passaram de 10,25% ao ano para 9% ao ano, no caso de imóveis do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), e de 11,25% ao ano para 10% ao ano para imóveis enquadrados no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). As taxas máximas caíram de 11% para 10,25%, no caso do SFH, e de 12,25% 11,25%, no SFI. O banco aumentou novamente o limite de cota de financiamento do imóvel usado, de 50% para 70%.


Em setembro do ano passado, a Caixa tinha reduzido para 50% do valor do imóvel o limite máximo de financiamento. A Caixa também retomou o financiamento de operações de interveniente quitante (imóveis com produção financiada por outros bancos) com cota de até 70%. Os prazos para permanecem entre 156 para 420 meses no caso do SFH e 120 a 420 meses, no SFI. A Caixa, que lidera o mercado com cerca de 70% das operações, possui R$ 82,1 bilhões para o crédito habitacional em 2018.


“Muita gente estava deixando de comprar imóvel em virtude do percentual de financiamento da Caixa, que havia baixado. Não tinham como dar 50% de entrada e agora consegue dar 30% de entrada e financiar o resto”, exemplifica Ghelen. Segundo o presidente da Caixa, Nelson Antônio de Souza, a redução das taxas de juros facilita o acesso à casa própria e estimula o mercado imobiliário. “O objetivo da redução é oferecer melhores condições para os nossos clientes, além de contribuir para o aquecimento do mercado imobiliário e suas cadeias produtivas”, destacou, em nota. A última redução de juros feita pela Caixa ocorreu em novembro de 2016, quando as taxas mínimas passaram de 11,22% para 9,75% ao ano para imóveis financiados pelo SFH, e de 12,5% para 10,75% ao ano para imóveis do SFI.


Retomada do crescimento
O setor ainda busca a retomada do crescimento. De acordo com Gehlen, a recuperação começou ainda no ano passado, após dois anos (2015 e 2016) terríveis para a construção civil. “Em 2017, a partir do segundo semestre, começou uma recuperação. É uma recuperação que tem base sólida. Ela é lenta, mas consistente”, indica o presidente.


Na análise do economista e professor da UPF Julcemar Zilli, o setor vive um entrave neste momento. “Ainda que a taxa básica de juros (a Selic) tenha caído para uma das menores já praticadas, os juros bancários ainda não seguem esse comportamento. O governo tem atuado firmemente para tenta forçar essa queda nas taxas de juros praticadas pelos bancos. Uma das estratégias é essa relacionada ao setor imobiliário: tentar baixar as taxas de juro para que as pessoas comecem a pegar mais dinheiro emprestado e com isso o setor da construção comece a crescer de novo”, pontua.


O imobiliário e a construção civil demandam muito crédito para crescer, mas esse dinheiro não estava tão acessível. Aliado a isso, a incerteza econômica existente desde 2016 faz com que as pessoas ainda esperem para identificar qual é o melhor momento para investir no setor, conforme Zilli.


Os efeitos dessas medidas podem ser sentidos em um período curto de tempo, uma vez que o crédito abrange imóveis novos. “Isso aqueceria de maneira bem mais rápida a economia do que se nós tivéssemos que esperar um imóvel sair da planta até ficar pronto. Essa estratégia tem um efeito que se percebe no curto e médio prazo. O efeito total ele só se dá a partir do momento em que se conseguir fazer todo o ciclo de produção de um apartamento, mas no curto prazo, algumas coisas já começam a aparecer”, complementa.


Ainda que as medidas sejam positivas, o economista reitera que essas taxas de juros poderiam ser ainda menores. “Se ela está sendo praticada em torno de 10%, já dá certo ânimo para os consumidores que querem investir em imóveis. Ainda poderia ser mais, ainda teríamos gordura para queimar e reduzir um pouco mais”, analisa.


Sistemas de financiamento
Estão enquadrados no SFH imóveis residenciais de até R$ 800 mil para todo país, exceto para Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, onde o limite é de R$ 950 mil. Os imóveis residenciais acima dos limites do SFH são enquadrados no SFI. Essas alterações passam a valeram a partir de ontem.

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