Criatividade para tentar manter as contas em dia

Crise acentuada pela pandemia empurra chefes de família para a informalidade

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· 2 min de leitura
Luciano Breitkreitz/ON

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Em dias bons, quando o número de encomendas supera a média diária, a jovem dona de casa, Elisa Aparecida Tomazi do Prado, começa cedo a misturar os ingredientes que vão dar gosto e forma a pães, doces e salgados populares, como pastéis, pizzas e bolos. De forma improvisada, é desse modo que ela, há três meses, vem garantindo o sustento dos pequenos Paulo Ricardo, de 8 anos, e Fábio Henrique, de 6, desde que perdeu o emprego formal na padaria onde trabalhava, no bairro Petrópolis.

Nos dois cômodos apertados, de madeira, onde mora com os dois filhos na Ocupação Bela Vista, em Passo Fundo,  quarto e cozinha se diluem em um lugar comum de descanso e trabalho. Em cima da pia, a fritadeira ocupa quase todo o espaço, enquanto uma prensa esquenta a chapa para receber as massas, em um balcão. “Tem dias que vende bastante, tem dias que vende 1 ou 2”, avalia ela. Sozinha, Elisa se depara com a informalidade e o desafio de criar duas crianças sem a presença do marido, morto aos 25 anos quando o casal se mudou de Coxilha para Passo Fundo. 

De vez em quando, como conta, algumas faxinas complementam a renda da família. “Mas não é sempre”, adverte Eliza. A pandemia de coronavírus suspendeu também os trabalhos de limpeza, antes desempenhados no estabelecimento comercial em que ela aprendeu o ofício culinário. "Eu queria mesmo um emprego fixo. Dessa maneira, a gente não sabe se vai chegar ao fim do mês e conseguir pagar as contas”, lamenta.

No centro da crise 

Assim como Elisa, mais de 600 passo-fundenses perderam o posto de trabalho com a disparada na curva de contágio pela covid-19 que motivou o abre e fecha no comércio, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Só nos quatro primeiros meses deste ano, Passo Fundo encerrou quase 100 mil vínculos empregatícios, entre eles o da jovem de 26 anos. No perfil geral para o período, entre as mais de 9 mil admissões e demissões, 656 trabalhadores ficaram desempregados em um saldo negativo final. 

Cenário comum a todas as ocupações urbanas, a vulnerabilidade social faz com que algumas coisas cheguem com atraso. No centro da crise financeira e sanitária, às vezes falta água para higienizar as mãos e os alimentos utilizados no preparo dos produtos alimentícios vendidos ali mesmo, na própria comunidade. “Quando falta luz e água, temos que esperar voltar. Não tem o que fazer”, relata. Mas a água que falta na torneira, caiu com abundância nos últimos dias. Os temporais, conforme mencionou Eliza, destelharam parte da casa construída em uma das travessas da ocupação. “É difícil, mas temos que nos virar. No começo foi meio complicado porque o pessoal dizia que aqui tinha o vírus, mas começaram a comprar”, afirmou Elisa. 

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