Economista analisa reflexos da queda da bolsa de valores

B3 interrompeu negociações temporariamente pela segunda vez nesta semana

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A maior bolsa de valores brasileira, a B3, acionou, ontem, pela segunda vez nesta semana o circuit breaker, que paralisa as negociações após as ações caírem mais de 10%. A medida já havia sido tomada na segunda-feira, quando a bolsa teve uma queda de 12,7%, a maior desde 1998. Na quarta-feira fechou com uma queda de 7,6%, após o anúncio da OMS que declarou o Covid-19 como uma pandemia.
A bolsa brasileira seguiu a tendência das bolsas internacionais. “Como nosso mercado é um mercado pequeno, ele é muito volátil em relação a algumas ações”, explica o professor do curso de Ciências Econômicas da UPF, Andre da Silva Pereira. Essas ações são da Petrobras e da Vale do Rio Doce. “Qualquer solavanco que dê lá fora com relação a gasolina ou a compra, retenção ou falta de minério de ferro, tem um impacto nessas duas ações, consequentemente, o impacto delas sobre o Ibovespa é muito maior”, relata.
No final de semana, a Rússia negou a proposta da Arábia Saudita de reduzir a produção do petróleo para que o preço do barril voltasse a subir, devido a baixa demanda causada pelo Covid-19. Em resposta, a Arábia Saudita aumentou a produção e reduziu o preço do barril. “A bolsa tem grande peso das empresas que negociam o petróleo, como esse produto estava caindo de preço, a lucratividade e a rentabilidade dessas empresas vai diminuir, consequentemente, no longo prazo elas vão ter problemas de caixa”, explica o economista.
Dólar
Na quarta-feira o dólar subiu novamente e atingiu R$4,72. “O impacto disso já é atual. Dólar mais caro significa que o insumo que as empresas compram de fora vão ficar mais caros. Então o pão vai aumentar, a farinha, o macarrão, os derivados do leite, a ração para o frango, então a gente tem um impacto já na inflação dos próximos dois meses”, alerta Pereira.
Um dos efeitos para a economia brasileira e passo-fundense é o mercado de trabalho, que não deve crescer. “As empresas vão ter dificuldade de créditos e para vender produtos porque as pessoas ainda estão receosas em relação ao consumo, o que não faz a economia girar”, diz o economista. Isso faz com que as empresas adiem seus investimentos. O professor também destaca o crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto brasileiro em 2019. “A gente está puxando de novo o crescimento da economia para baixo, então é menos emprego, produção, renda, salário e mais dificuldade para o ano de 2020”, analisa.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou ao Congresso e Senado um ofício solicitando a aprovação de propostas consideradas prioritárias para proteger a economia da crise externa. “Isso pode ter no médio e longo prazo alguns pontos positivos para a economia brasileira, mas em curto prazo nada”, analisa Pereira.

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