Cesta básica de Passo Fundo teve 15,61% de variação acumulada em 12 meses

Desvalorização do Real e vendas para o exterior impactam na inflação, diz economista

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A alta no preço de  produtos, alguns deles tradicionais na mesa dos brasileiros, chamou a atenção dos consumidores ao longo da semana. Nessa lista, o arroz tornou-se protagonista do debate. O aumento geral em agosto foi de 0,24% em relação a julho. Mesmo a taxa sendo inferior ao aumento registrado em julho, de 0,36%, esse é o maior resultado para um mês de agosto desde 2016. Ao longo deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 0,70%, já nos últimos 12 meses a alta é de 2,44%. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A maior contribuição para o aumento é dos Transportes, com variação de 0,82%. No entanto, chamou mais a atenção a contribuição de Alimentação e bebidas, com elevação de 0,78%.

Vendas para o exterior 

Segundo o economista e professor da Universidade de Passo Fundo, Andre da Silva Pereira, alguns fatores contribuem para o aumento da inflação. Um deles é a desvalorização do real frente ao dólar, de aproximadamente 36% entre agosto de 2019 e agosto de 2020. Outro fator, citado pelo especialista, é o fato de que a China  aumentou compras externas, tendo o Brasil como grande fornecedor. "O Brasil aumentou as exportações, não apenas para a China, o que fez com que o produtor internamente tivesse mais ganhos em vender para o exterior do que vender internamente”, diz André.

Economista analisa inflação e cesta básica em Passo Fundo (Foto: Arquivo/ON)

Mudança de comportamento

Na avaliação do especialista, a mudança de comportamento das pessoas durante a pandemia também impactou na inflação, gerando o aumento do consumo e a substituição da feição da rua pela preparada em casa.

Os alimentos para consumo em domicílio tiveram alta de 1,15%. Já para a alimentação fora do domicílio o índice segue em queda, com menos 0,11% em agosto. “Essa troca de comportamento de consumo das famílias aliada com o auxílio emergencial, fez com que houvesse uma elevação de consumo interno e mais visitas ao mercados e feiras”, explica o professor.

Passo Fundo

Esses fatores, no caso de comportamentos similares de consumo no RS, também severvem para explicar o aumento do valor da cesta básica em Passo Fundo, justifica o professor, que é um dos executores do boletim mensal divulgado pelo Centro de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis (FEAC) da UPF. A cesta é composta por produtos do grupo alimentação, higiene pessoal e limpeza.

Agosto 

No mês de agosto, o custo para uma família típica passo-fundense subiu 3,12% em relação ao mês anterior. A alta é de R$30,44 por cesta, chegando ao valor de R$ 1.007,18 para aquisição de uma cesta. Nos últimos doze meses, a variação acumulada da cesta básica de Passo Fundo é de 15,61%. Apenas em 2020 o aumento é de  12,40%. A probabilidade dos preços dos alimentos se manter em alta até dezembro é considerada grande, de acordo com o economista.

Dados: Centro de Pesquisa e Extensão – FEAC/UPF, agosto de 2020 (Arte: Bruna Scheifler)

Ações

Na quarta-feira (9) a Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério da Economia, decidiu zerar a alíquota do imposto de importação para o arroz em casca e beneficiado. A isenção tarifária valerá até 31 de dezembro deste ano. Entre os objetivos está abastecer o mercado interno, ajustar a oferta do produto e evitar que a variação do dólar incentiva ainda mais as exportações, de acordo com o professor que considera a ação positiva.

Para impedir um aumento da inflação, o economista defende as reformas tributárias e administrativas, privatizações, implementação de parcerias público- privadas e reformas estruturais para reduzir burocracia, corrupção e atrair empresas privadas para investimento.

Impacto

Em famílias com rendimento de 01 a 05 salários mínimos os preços tiveram alta de 0,36% em agosto. No ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumula alta de 1,16% e, nos últimos 12 meses, de 2,94%. “Em períodos inflacionários, mesmo que concentrado em alguns segmentos, são sempre os mais pobres (menor renda) que mais pagam quando há alta dos preços dos alimentos”, destacou o professor. Para esse grupo, o peso do grupo alimentação é maior. “Uma alta de preços no grupos alimentação, impactará de maneira mais forte nos mais pobres e de menor renda. Influencia diretamente no aumento das desigualdades sociais no país”, ressalta André.

A alta traz consequências severas para o grupo. “Se eu gastar mais do meu dinheiro com alimentação, talvez tenha que deixar para mais adiante o pagamento das contas de luz, água. Pensar em usar lenha ao invés do botijão. As famílias ficam mais pobres”, resumiu o economista.

Para reduzir o impacto da inflação nas famílias mais pobres o professor reafirma as medidas sugeridas anteriormente e sugere políticas públicas de renda e de inclusão social.

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