Banco do Brasil: Passo Fundo perde uma agência bancária

A agência do bairro São Cristóvão é uma das 402 que serão fechadas no Brasil, em medida para conter os gastos do banco

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A agência do São Cristóvão deverá ser fechada no próximo anoA agência do São Cristóvão deverá ser fechada no próximo ano
A agência do São Cristóvão deverá ser fechada no próximo ano

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O Banco do Brasil anunciou, neste domingo (20), conjunto de medidas para ampliar o investimento no atendimento digital, aumentar a eficiência operacional e reduzir custos. Entre as medidas, estão o fechamento de 402 agências bancárias e 31 superintendências regionais que devem ocorrer ao longo de 2017. Apenas com a reorganização de suas unidades, o BB estima redução anual de R$ 750 milhões em despesas. Em Passo Fundo, a agência do bairro São Cristóvão será fechada. Esta é a única reorganização prevista para a região, de acordo com o banco. Ainda não há um cronograma que indique em qual mês a agência deixará de funcionar. Os 11 funcionários serão realocados em outras dependências do BB, conforme processos internos de transferências e/ou concorrências a cargos comissionados. A superintendência de Passo Fundo será mantida. Ela atende 53 agências de mais de 40 municípios da região.

 

No Rio Grande do Sul, o banco oferece 452 unidades de atendimento, sendo 384 agências e 68 postos de atendimento. Os clientes do Banco do Brasil também contam com 915 correspondentes bancários, 2540 caixas eletrônicos BB e 673 terminais da rede Banco 24h no estado. Com a reorganização, 16 agências serão encerradas e 15 agências serão transformadas em postos de atendimento. O BB possui 5465 funcionários no Rio Grande do Sul e 900 fazem parte do público potencial do Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada, que prevê adesão voluntária. 

 

Com a redução do atendimento físico, o banco reduzirá 9.300 vagas no quadro de funcionários. Para a adequação, a instituição lançará Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada para público potencial de até 18 mil pessoas que já reúnem condições para se aposentar, com adesão totalmente voluntária. Será concedido ainda o incentivo de desligamento correspondente ao valor de doze salários, além de indenização pelo tempo de serviço, que varia de 1 a 3 salários, a depender do tempo de Banco (entre 15 e 30 anos completos).

 

O Banco iniciará processo de renegociação de valores atualmente pagos para aluguel, manutenção das agências, segurança e transporte de valores. Apenas a revisão da estrutura administrativa anunciada hoje permitirá ao BB reduzir R$ 750 milhões em despesas por ano. Em outubro, o BB já havia iniciado o encerramento de outras 51 agências. O Banco do Brasil também irá promover ajustes em órgãos regionais de apoio aos negócios que terão atividades centralizadas nacionalmente ou em outros estados, com ganho de eficiência. Na Direção Geral, o Banco do Brasil irá encerrar 3 unidades estratégicas, com as transferências de suas funções para outras diretorias do Banco. 


Jornada de seis horas


Outra medida refere-se à ampliação do público potencial para adesão à jornada opcional de trabalho de 6 horas diárias. A partir de hoje, cerca de 6 mil assessores da Direção Geral e superintendências também poderão aderir voluntariamente à nova jornada. A adesão resultará na redução de 16,25% do valor de referência da função, enquanto a jornada será reduzida em 25%. Se considerado o valor da hora trabalhada, haverá aumento de 12% para os funcionários que aderirem à nova jornada. A jornada de seis horas já foi anteriormente oferecida a funcionários que ocupam cargos comissionados não gerenciais na rede de agências e em órgãos regionais, com 71% de adesão.

Foco no atendimento digital

 

A estratégia de ampliação do atendimento por canais digitais prevê a abertura, ainda em 2017, de mais 255 unidades de atendimento digital, entre escritórios e agências digitais, que irão se somar às 245 já existentes. Essas unidades digitais já atendem a 1,3 milhão de clientes, com expectativa de chegar a 4 milhões até o final de 2017. Na comparação com o modelo tradicional, os clientes do atendimento digital mostram-se mais satisfeitos e consomem até 40% mais produtos e serviços bancários. O novo modelo também é mais eficiente. Um gerente de contas consegue gerenciar um número 35% maior de carteiras de clientes, se comparado ao atendimento nas agências físicas.

O banco afirma que as transações bancárias realizadas em canais de atendimento físicos estão em forte redução. O aplicativo do Banco para celular já conta com 9,4 milhões de clientes que realizam cerca de 1 bilhão de transações bancárias por mês, ou 40% do total. Outros 27% são realizadas pela internet. A expectativa do Banco do Brasil é que o número de clientes que utilizam o aplicativo para celular chegue a 15 milhões até dezembro do próximo ano.

Na semana passada, o Banco do Brasil lançou a sua conta totalmente digital, o BB Conta Fácil, com previsão de abertura de 1,8 milhão de contas em 2017. Além da ampliação do atendimento digital, a revisão das agências do BB considerou também a localização de unidades próximas entre si, incluindo dependências originadas dos antigos bancos Besc e Nossa Caixa, que foram incorporados pelo BB.

 

 

Preocupação dos bancários

 

O Sindicato dos Bancários de Passo Fundo e Região recebeu com preocupação a notícia de redução de agências físicas do BB. “Não entendemos exatamente qual é o motivo, porque um banco que deu uma lucratividade de quase 15 bilhões no ano passado, anunciar o fechamento de 9 mil postos de trabalho, 402 agências é uma coisa inacreditável. Porque se está dando resultados positivos, não deveriam estar mexendo”, explica o coordenador da entidade, Dário Delavy.

 

A redução nas agências físicas vai levar os clientes para o setor privado, de acordo com bancário. “A fala que não vai afetar o atendimento não pode ser real. Nós já temos um atendimento complicado nas agências, pelo número de clientes que tem por agência, imagina tirando 18 mil funcionários e fechando mais de 400 agências. Para aonde que vão migrar todos esses clientes? A sensação é que vai criar um caos dentro das agências e afastar os clientes do BB, que vão cair no setor privado”, observa.

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil entraram em contato com a direção do banco para agendar urgentemente uma reunião para esclarecimento das medidas e negociação de garantias e direitos dos funcionários que serão afetados. A reunião ficou marcada para a esta terça-feira (22) às 10 horas, em Brasília. 

 

O secretário-geral da Contraf-CUT, Carlos de Souza, ressalta que a entidade é contrária a qualquer projeto que tente destruir a política de valorização do Banco do Brasil e de seus funcionários. "Nos últimos 15 anos, os banco vinha se reconstruindo, após o ataque neoliberal da década de 1990. Nestes últimos anos retomamos o número de funcionários e recuperamos mais de 50 mil empregos perdidos. O banco foi se atualizando e disputando com os grandes, como Itaú e Bradesco, sendo, durante muito tempo, o maior banco do país. É inadmissível que um governo golpista, ilegítimo, tente destruir este trabalho", afirma o secretário da Contraf-CUT. 

 

Para Wagner Nascimento, Coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, um pacote de medidas tão significativas e que afetam tantos funcionários deveria ter sido comunicado diretamente aos representantes dos trabalhadores e não via imprensa. “Fechamento de centros de serviços e centenas de agências vão prejudicar muito os funcionários e estes precisam de atenção. O banco precisa respeitar mais os seus funcionários e pode começar abrindo um canal de negociação efetiva quanto aos impactos das medidas anunciadas”, critica Wagner.

 

 

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