Empresas de TI apostam em cooperativismo para fomentar setor

Integrantes do PoloSul, de Passo Fundo e região, refletem sobre resultados do APLTEC e cenário da tecnologia da informação no mercado econômico

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Objetivo do projeto foi estimular a capacitação, aumentar a visibilidade das empresas do setor e fortalecer a PoloSulObjetivo do projeto foi estimular a capacitação, aumentar a visibilidade das empresas do setor e fortalecer a PoloSul
Objetivo do projeto foi estimular a capacitação, aumentar a visibilidade das empresas do setor e fortalecer a PoloSul

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Smartphones. Máquinas que auxiliam nos diagnósticos médicos. Caixas eletrônicos. Nos supermercados. Na previsão do tempo. Na lavoura. A tecnologia parece onipresente e, por vezes, fica difícil imaginar a vida sem ela. As comodidades proporcionadas ao ser humano estão cada vez mais constantes e delineiam um mercado em ascensão. É a tecnologia da informação. Um setor que está em todos os setores.

A previsão de crescimento na área de TI era de 2,5% para 2017, no Brasil, segundo estimativa da consultoria IDC. A transformação digital foi apontada como uma das principais causas da retomada desse mercado. Em 2016 os investimentos totais das empresas com TI no Brasil somaram US$ 38 bilhões, um recuo de 3,6% na comparação com 2015. Em 2017, a previsão é que haja uma recuperação dos investimentos na ordem de 6,7%, o dobro do previsto para o mercado global. Os dados foram divulgados, no início de 2017, em um levantamento realizado pela Indeed, uma ferramenta online de buscas de empregos no mundo.

Em Passo Fundo e na região, a TI é um nicho em expansão que busca se consolidar no mercado por meio da cooperação. A Sociedade PoloSul, uma associação de empresas do ramo, desenvolveu um Arranjo Produtivo Local. Batizado de APLTEC (Arranjo Produtivo Local da Tecnologia da Informação e Comunicação), o projeto foi lançado em 2016 e os resultados foram divulgados neste mês. Ao total, o arranjo abrange mais de 300 empresas de 18 municípios. Estima-se que 3,5 mil pessoas são empregadas diretamente na região. O APLTEC foi desenvolvido com objetivo de aumentar a visibilidade das empresas do setor, e consequentemente melhorar sua colocação no mercado, além de reduzir o déficit de mão de obra, incentivar a capacitação dos profissionais e fortalecer o PoloSul.

Fernando Campanholo, que era presidente na época que o projeto foi lançado, analisa que o APLTEC conseguir unir as empresas do setor e aproximá-las do mercado e de outras instituições como Acisa, CDL e Sebrae. Essa aproximação foi possível em decorrência de eventos, cursos, workshop, missões e demais capacitações, que sempre foram pensadas para beneficiar duas ou mais empresas. Ao total, o projeto desenvolveu 21 ações coletivas. Como, por exemplo, as rodadas de negócio, em que os integrantes do arranjo tiveram a oportunidade de mostrar o portfólio para consultores e assim desenvolver parcerias.

Já a capacitação foi fomentada por atividades como o Café com TI, realizado mensalmente, que consistia em uma manhã voltada à troca de conhecimento entre as empresas integrantes do arranjo e profissionais de fora. “Um dos objetivos foi trabalhar a coletividade. As empresas se beneficiam com esse conhecimento e além de melhorar a rede de contatos, fazem uma troca de experiências. É interessante que haja essa troca, porque o que dá certo a gente busca fortalecer e dividir com os outros”, analisa o gestor do APLTEC, Ari Cover.

De acordo com Cover, a troca de experiências fez com que a Sociedade PoloSul e os gestores se desenvolvessem. A entidade se fortaleceu conquistando 17 novas empresas associadas e aumentou o faturamento da governança em 31,9%. Ao total, foram mais de 40 reuniões e visitas. “O mercado de TI é um dos que mais está contratando. Se pegar as associadas do PoloSul todas contrataram ou estão contratando”, acrescenta o gestor.

Essa abertura no mercado de trabalho, conforme Ari Cover, é impulsionada pela necessidade de TI que as empresas, independente do porte, têm. “Nós estamos em todos os setores. Às vezes, a gente não se enxerga ou não enxerga como deveria. Temos excelentes empresas, excelentes profissionais, com mais 30 anos de existência, que estão aqui na região e empregam quase 10 mil pessoas indiretamente”, concluí.

Aproximação das empresas

Incubada na UPF Parque, A Splora é uma dessas empresas que integraram o Arranjo Produtivo Local. A sala que sedia a empresa é composta por mais máquinas do que pessoas, como se imagina quando o assunto é tecnologia. Mas é preciso se desfazer dos modelos engessados de se fazer negócio e de se pensar sistemas de informação para entender o trabalho desenvolvido por essa startup.

Trabalhando com Inteligência Artificial, chatterbots (robôs que simulam conversas com seres humanos) e outras tecnologias, a Splora, resumidamente, oferece soluções humanizadas. Isso significa, na filosofia da empresa, manter uma relação próxima com os clientes a fim de desenvolver sistemas que sejam usufruídos da melhor maneira possível.

“Nos demos conta que se criavam muitas soluções e o usuário final não usava nem 30%. A gente viu uma lacuna entre quem desenvolvia e quem usava. O nosso objetivo era mudar isso porque não tinha mais sentido continuar no formato tradicional. Vendemos a nossa empresa para buscar um posicionamento diferente no mercado, dentro do que chamamos de humanização da tecnologia. Desenvolver soluções mais personalizadas” explica Adriana Da Leve, sócia-proprietária da empresa. Assim surgiu, em 2014, a Splora que carrega em seu DNA o anseio de evoluir junto com a tecnologia e transformar o mundo a sua volta.

Por ter uma filosofia na coletividade, a Splora é uma das empresas associadas ao PoloSul e reconhece a necessidade do arranjo para impulsionar o setor de TI na região. “A APL teve uma importância muito grande no nosso setor de tecnologia no sentido de aproximação. A nossa proposta é baseada na economia colaborativa. Não se constrói sozinho uma solução, mas em parceira, seja com usuários ou com outras empresas. A APL fez esse trabalho e trouxe isso para o PoloSul”, avalia Adriana, sobre o projeto.

Origem do APLTEC

Era pelo menos 11 APLs no RS, quando a Fundação de Economia e Estatística (FEE) lançou, em 2016, a publicação Aglomerações e Arranjos Produtivos Locais no Rio Grande do Sul, um especial que aprofundou os projetos gaúchos. Um APL se caracteriza como uma concentração de empresas que possuem especialização em comum e estão localizadas em um mesmo território. Por meio da cooperação, buscam se estabelecer no mercado.

Estruturado em três eixos, o arranjo de tecnologia de Passo Fundo e região nasceu com auxílio da Prefeitura, do governo do Estado e da Universidade de Passo Fundo. O projeto foi desenvolvido a partir de uma provocação feita pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico. O titular da pasta, Carlos Eduardo Lopes da Silva, conta que o Executivo Municipal tinha as informações quanto à formação do arranjo e apostou suas fichas na área de TI. “Nós enxergávamos neste grupo do PoloSul, pessoas e uma instituição madura para assumir um desafio como este, ou seja, de se propor a fazer um projeto para obter recurso público e avançar cada vez mais nas políticas de incentivo na área que é tão importante dentro da nossa economia”, enfatiza o secretário.

Para executar o projeto, a Prefeitura levou o PoloSul para a UPF Parque, um local estratégico para o desenvolvimento da entidade. A partir disso, a associação montou um plano de trabalho e conseguiu a verba estadual para todo trabalho que foi realizado desde o ano passado.

APLTEC em números

300 empresas
18 municípios abrangidos
21 ações coletivas
40 reuniões e visitas
PoloSul
+ 31,9% em faturamento
17 novas empresas associadas

Alguns projetos da Splora

A Splora desenvolveu, por meio de Inteligência Artificial, um chatterbot para a Universidade de Passo Fundo (UPF). O programa, que começou a ser testado em julho deste ano, consiste em uma máquina que auxilia o trabalho de atendimento virtual ao aluno. “Se um aluno recebe uma informação errada, ele corre o risco de perder o semestre. Nesse sistema, você vai ser atendido na internet. Você faz a pergunta e o robô vai te responder”, explica Adriana.

Se o usuário entrar no sistema e fizer uma pergunta cujo computador não soube responder, ele direciona para o atendimento humano. Porém, na próxima vez que outra pessoa perguntar a mesma coisa, a máquina vai saber responder. “A Inteligência Artificial precisa ser treinada. É como uma criança quando ela nasce. Primeiro ela começa mamar, depois comer coisas sólidas, depois engatinhar. Tudo isso depende do tempo que se dedica para ensinar ela. É um trabalho contínuo”, informa a analista de dados.

Além disso, profissionais da Splora conquistaram o 1º lugar no Sartup Day Sebrae, ao desenvolver uma proposta que ajudaria a salvar vidas por meio de inteligência artificial. O projeto seria executado na Santa Casa de Porto Alegre. “Quando os pacientes chegam ao hospital, eles têm seu prontuário preenchido à mão. Hoje a IA consegue reunir todos esses dados, jogar dentro de um sistema, fazer uma mineração e trabalhar com análises preditivas (que consiste em usar dados, estatísticas, entre outras informações para identificar as probabilidades de resultados futuros com base em dados históricos)”, defende Adriana.

A empresa ainda desenvolve outros sistemas que envolvem gamificação, ou seja, dinâmicas de jogo para engajar pessoas, estimular o aprendizado e resolver problemas.

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