O remédio tem gosto amargo e efeito colateral

Economistas avaliam impacto das medidas fiscais anunciadas pelo governo federal e apontam problemas que deverão ser enfrentados pelos cidadãos no próximo ano

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Ginez de Campos, economista e professor da UPF, destaca que medidas foram motivadas pela irresponsabilidade fiscal do primeiro mandato da presidente Dilma Crédito: Ginez de Campos, economista e professor da UPF, destaca que medidas foram motivadas pela irresponsabilidade fiscal do primeiro mandato da presidente Dilma Crédito:
Ginez de Campos, economista e professor da UPF, destaca que medidas foram motivadas pela irresponsabilidade fiscal do primeiro mandato da presidente Dilma Crédito:

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Aumento da inflação, reajustes salariais incompatíveis, recessão econômica e diminuição de consumo estão entre os reflexos previstos por economistas em função das medidas fiscais anunciadas no início desta semana pelo governo federal a fim de aumentar a arrecadação. Tudo isso exigirá das pessoas um maior controle das finanças, principalmente até 2016. Apesar dos efeitos colaterais de tais medidas, elas são a saída encontrada pelo governo visando diminuir o déficit público. Conforme o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o reforço de R$ 20,63 bilhões na arrecadação, proporcionado pelos reajustes de tributos, contribuirá de forma importante para o aumento da poupança pública e o fortalecimento da política fiscal.

O economista, educador financeiro e professor da UPF Ginez de Campos explica que as medidas fiscais adotadas visam melhorar a arrecadação tributária no país. Segundo ele, as medidas foram motivadas pela irresponsabilidade fiscal do primeiro mandato da presidente Dilma, no qual se gastou mais do que foi arrecadado. “Consequentemente isso implicará no aumento da inflação de forma muito contraditória. Na medida em que o governo tem aumentado a taxa de juros para conter a inflação, o aumento de tributos aumenta o custo de produção das empresas que serão repassados para os preços finais ao consumidor. Elevando os preços e pressionando a inflação. O aumento da inflação por causa desses custos tributários terá implicações diretas na vida das pessoas”, avalia.

Salários

Por outro lado, os salários não deverão acompanhar esses aumentos na mesma proporção. Neste cenário a orientação do economista é para que as pessoas organizem o orçamento doméstico e estabeleçam prioridades entre o que é preciso comprar e o que é necessário cortar. “Não se deve tomar decisões de consumo precipitadas. Neste momento deve se evitar empréstimos bancários e financiamentos que por conta dos juros mais caros”, complementa. “As famílias brasileiras estão excessivamente endividadas com cartão de crédito, cheque especial, empréstimos bancários e financiamentos. Num quadro de recessão é mais difícil ainda para as pessoas endividadas cumprirem seus compromissos e organizarem sua vida financeira”, avalia.

Por quanto tempo?

Conforme o professor Ginez, a previsão dos economistas é de que 2015 e 2016 sejam anos complicados. “Se há um cenário mais positivo e favorável, dependendo do resultado das medidas econômicas, é de que em 2017 e 2018 tenhamos um cenário mais favorável. Mas 2015 e 16 serão difíceis. Eu diria que 2015 será um ano de recessão e 2016 talvez de recuperação e um cenário de crescimento econômico mais efetivo a partir de 2017 e 2018”, estima com base em perspectivas apontadas por grande parte dos economistas e agências de análise econômicas e de risco.

Remédio amargo

O professor da UPF destaca que as medidas adotadas para recuperar a economia têm efeitos colaterais negativos. “As medidas são acertadas, não há o que fazer a não se adotá-las, mas o remédio tem gosto amargo e efeito colateral, infelizmente. A esperança é de que essas medidas consigam corrigir o rumo da economia até o final do ano. E nós vamos pagar o preço da irresponsabilidade fiscal da primeira gestão do governo Dilma e se o governo continuar sendo irresponsável do ponto de vista fiscal essas medida terão de ser aprofundadas e ter efeitos negativos e recessivos para consumidores e para as empresas”, observa.

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