Soja ganha mais espaço nas lavouras de Passo Fundo

O grão representou 86% do total plantado em 2016. Por outro lado, milho teve decréscimo de 16% em área de plantio, segundo dados da Pesquisa Agrícola Municipal

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Na contramão do momento econômico que ainda assola o país, o setor agropecuário de Passo Fundo cresceu em 2016, ultrapassando os R$ 170,8 milhões. Com cerca de 46,5 mil hectares(ha) de área plantada, o faturamento foi 10% superior ao registrado em 2015. Os dados, da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), foram divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A soja - principal produto do setor primário no município - obteve um ganho em área plantada, mas registrou uma produtividade inferior a 2015 (quando foram colhidos 140,7 mil toneladas do grão). A área destinada ao cultivo do grão aumentou cerca de 900 hectares no ano passado, totalizando 40 mil ha. A produção da oleaginosa ficou em 136 mil toneladas.O faturamento da soja aumentou em 10,9%, representando R$ 157,8 milhões em 2016.

A queda na produtividade da soja, de acordo com o agrônomo e chefe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, Alessandro Davesac, é em virtude de fatores climáticos. “Nós tivemos, em algumas regiões, períodos de estiagem mais prolongada. Na fase de enchimento de grão pode ter acontecido e agora gerar reflexo nos números. Porque a tecnologia usada pelos produtores é de nível alto em termos de adubação e controle de doenças e pragas, então o déficit hídrico pode ter proporcionado essa pequena queda em termos produtividade”, explica o especialista.

O grão ocupou 86% do total de área plantada em Passo Fundo. Se a soja vem crescendo, o milho perde espaço nas lavouras. Em 2016 foi registrada uma diminuição de 16% na área de plantio do grão. Em termos de produtividade, não houve queda. O rendimento médio do grão foi nove toneladas por hectare no ano passado.

Davesac explica que cada vez mais os produtores estão desestimulados a investir no milho e migrando para a cultura de soja. “É uma cultura bastante delicada e a gente enfrenta problemas de mercado. Enquanto os estados do Centro Oeste têm uma produtividade bastante alta e um preço final na base de R$ 15 a saca, nós temos aqui um custo de produção mais alto que interfere na venda e dificultam as cadeias de proteína animal que dependem desses grãos. Cadeias de frango, suíno, bovinocultura de leite dependem muito do milho, então estamos com déficit em área nos municípios”, lamenta o agrônomo. Um levantamento realizado pela Emater apontou que não chegava a mil hectares a expectativa de plantio de milho, conforme Alessandro Davesac.

Culturas de inverno

Diferentes da soja que teve uma queda em produtividade, a aveia e o trigo tiveram aumento na quantidade de grão colhido. A área de plantio foi a mesma de 2015. O melhor desempenho foi o do trigo, que mais do que dobrou o rendimento médio. Foram colhidas 3,3 toneladas por hectare do grão em 2016. O faturamento registrou acréscimo de 149,2%. Já o rendimento médio da aveia aumentou de 2,5 toneladas/hectares para 2,8 t/ha. O faturamento aumentou 17,8%.

Ainda que os números sejam positivos, o cenário de não aumento da área plantada preocupa. Assim como o milho, os produtores ficam receosos com as culturas de inverno – trigo e a aveia – em razão dos baixos preços de mercado, do custo de manutenção da lavoura e do alto risco de perda da cultura em função das condições climáticas. “O que nos temos percebido, ao longo dos anos, é que tem caído a questão de área de plantio. A cada ano há um decréscimo em torno de 200, 250 hectares. É uma coisa preocupante em termos de proteção de solo, rotação de cultura”, analisa o agrônomo.

Projeções

Para os próximos anos, o cenário não é muito animador em relação às culturas de inverno e o milho, conforme Davesac. “Devemos continuar com a diminuição na área plantada de trigo e milho. A migração certamente vai para a soja. É o que tem acontecido nos últimos três anos e mesmo com a redução no preço da commodity, a soja dá uma margem de lucro superior às outras culturas. Para essas cadeias em diminuição, a gente só vislumbra sucesso na medida em que tivermos um preço plausível para o produtor rural. Caso contrário, vai continuar nesse cenário que estamos observando”, pontua.

A reportagem completa você confere na edição impressa de O Nacional.

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