Alunos criam cooperativa dentro da escola para produzir alimentos orgânicos

Área para cultivo de frutas e hortaliças foi ampliada para estimular a responsabilidade comunitária

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O que iniciou como plantio de subsistência, para abastecer a cozinha escolar com alimentos orgânicos, logo se transformou em esforço coletivo para estimular o cooperativismo entre os estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Paulo Jacques, na localidade de Santo Antônio do Capinzal, no interior de Passo Fundo. 

A natureza, de provedora, também se transformou em instrumento pedagógico para os 64 estudantes das séries iniciais a partir da criação de uma cooperativa dentro do ambiente de ensino, conforme contou a professora, Lucinda Gonçalves. “A escola não pode comercializar. Não é esta a função social de uma escola pública, mas havendo uma cooperativa escolar é possível estimular os alunos de uma forma pedagógica e empreendedora”, afirmou. 

Em longos canteiros de terra e pomares, expandidos com a assistência técnica prestada pelos engenheiros agrônomos da Emater/RS-Ascar, verduras, frutas e hortaliças são cultivadas sem a adição de agrotóxicos. “A Legislação das Cooperativas escolares orienta que podem participar ocupando os cargos, alunos do 6º ao 9º ano. Neste grupo, temos 30 alunos que poderão participar da cooperativa”, explicou. Como a adesão à participação é eletiva, prosseguiu Lucinda, todos os estudantes participam de assembleias para conhecer o processo de escolha dos membros administrativos “orientados previamente pelas professoras com didática adequada a idade dos alunos”, como ponderou. “Isto deverá ter impacto positivo não só na comunidade, mas em qualquer lugar onde o nosso aluno estiver porque ele aprende a colaborar e a ter honestidade no cargo que ocupa. Além de ser libertador saber produzir o próprio alimento”, avaliou.

Área de cultivo

Desde o ano passado, quando os estudantes realizaram o diagnóstico da área, de 3,9 hectares, para conhecer as frutas nativas da Mata Atlântica que existem no território escolar através do Centro de Tecnologias Alternativas e Populares (CETAP), o zoneamento de agrofloresta gerado pela iniciativa foi sendo incrementado com a abertura de novos canteiros de alface, que germinaram até 800 plantas, e de beterraba e cenoura, cuja colheita superou os 300kg, conforme estimou o agrônomo da Emater/RS-Ascar, Alessandro Davesac. “Uma cooperativa tem uma dimensão muito pelo social. É um processo onde os alunos se sentem responsáveis pela criação”, mencionou. “Como são culturas mais resistentes à doença, não tivemos muita dificuldade no controle de pragas sem aplicação de herbicidas”, enfatizou. 

O excedente de produção colhido pelos estudantes, segundo frisou o agrônomo, pode ser trocado com supermercados por outros produtos utilizados na dieta alimentar escolar ou destinado às famílias dos próprios alunos. “Este ano, ainda não foi possível o trabalho de campo por causa da pandemia, mas estamos na preparação dos alunos com vídeos e materiais sobre o que é e como criar a cooperativa. Eles estão pensando em uma logomarca e no nome”, destacou, porém, a professora, Lucinda Gonçalves.

Além da preservação da área agroflorestal e da criação da cooperativa, os estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental Padre Paulo Jacques também estão em fase de estudo para a implementação de um horto. Segundo a extensionista da Emater, Sandra Bressan Gayger, o cultivo e infusão de chás e o preparo de medicamentos naturais segue a metodologia do relógio do corpo humano, baseada na medicina chinesa. “A cada hora, temos um órgão do nosso corpo que trabalha com mais efetividade e que tem o pico de funcionamento naquele horário. Para isso, adequamos a esse horário e a esse órgão as plantas que poderiam trazer benefícios”, explicou. 

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