Inadimplência apresenta tendência de queda

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De acordo com as instituições participantes do Relatório FOCUS, do Banco Central, o PIB do Brasil encolherá -5,03% em 2020 – maior retração para um único ano em toda a série histórica, iniciada em 1901. Apesar do tombo projetado para a atividade econômica, os índices de restrição ao crédito apresentaram declínio nos últimos meses. A situação, portanto, é instigante: como pode a inadimplência ter caído em plena crise?

De acordo com os dados do serviço SCPC da CDL Passo Fundo, em Passo Fundo, o percentual de pessoas inadimplentes em novembro foi de 33,5%, enquanto que o em outubro o índice foi de 34% e setembro 35%. Os números ainda são maiores que o ano passado, quando se mantiveram em média em 31%, mas a queda seguida em três meses consecutivos indica tendência de queda e de se aproximar à média do ano de 2019. De acordo com especialistas do SCPC da CDL, quatro elementos ajudam a explicar esse fenômeno no tocante aos consumidores:

1) Coronavoucher: estudos mostram que o auxílio emergencial mais do que compensou o impacto da recessão sobre a massa de salários.

2) Comportamento previdente das famílias: em cenários caracterizados pela incerteza, os agentes costumam guardar recursos de forma precaucional. Os dados de captação da caderneta de poupança comprovam a tese, pois os depósitos têm superado as retiradas como nunca antes visto desde março. Dito de outra maneira, quanto mais difícil for antever o futuro, menor é o estímulo para o gasto com bens e serviços hoje. Logo, essa “sobra” acaba, em determinadas circunstâncias, direcionada para a quitação de dívidas.

3) Redução da Taxa SELIC: com a queda dos juros básicos, os devedores conseguem renegociar seus débitos a um custo inferior.

4) No pior momento da pandemia, os bancos permitiram o adiamento dos pagamentos por 60 dias.

Valter Ceolin, diretor da CDL Passo Fundo, também aponta que as empresas credoras, também se prepararam atuar neste cenário “é importante mencionar o fato de que muitas empresas aumentaram os investimentos em estruturas de cobrança e no desenvolvimento de produtos para reaver os valores em atraso. Algumas organizações, inclusive, flexibilizaram suas políticas de crédito, com o intuito de fortalecer o relacionamento junto aos seus respectivos clientes” destaca o diretor.

 


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