Setor de hotéis, bares e restaurantes registra 600 demissões em menos de duas semanas

Sindicato que representa proprietários do ramo em Passo Fundo relata cenário “catastrófico” desde que a região passou a ser classificada em bandeira preta

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(Foto: Arquivo ON)(Foto: Arquivo ON)
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A decisão do Governo do Rio Grande do Sul em colocar o Estado em bandeira preta, determinando o fechamento de todas as atividades consideradas não-essenciais por um período mínimo de sete dias, colocou os trabalhadores de hotéis, bares e restaurantes em uma “situação catastrófica”. A avaliação é do presidente do sindicato que representa empresários do ramo, Leo Duro. Ele relata que, desde o dia 20 de fevereiro, quando o Estado divulgou a nova classificação da região de Passo Fundo no mapa de distanciamento controlado e passou a restringir as atividades de comércio no município, a categoria registrou 600 demissões.

Segundo o presidente do sindicato, a tendência é de que o número de demissões cresça ainda mais caso o governo estadual decida estender as regras que permitem o funcionamento do comércio apenas no formato de tele-entrega. “Agora, que estava começando a recuperar lentamente, nós já voltamos a ver pessoas fechando o negócio. Em 10 dias, foram 600 pessoas demitidas. É justo em um momento em que os empresários começavam a receber as primeiras parcelas dos empréstimos que precisaram fazer em 2020. Com certeza, se isso for mantido, vamos ter números ainda maiores”, observa Duro.

Para ele, embora haja a necessidade de restringir a circulação de pessoas em meio à gravidade da pandemia, a medida não deveria acontecer nos moldes atuais, com a vedação total das atividades presenciais e sim estabelecendo maiores restrições para o serviço presencial. “Na rua, ainda tem gente para tudo que é lado. Quem causa tudo isso é quem não se cuida, quem aglomera, mas quem acaba sofrendo as consequências são os empresários. Se houvesse uma fiscalização maior, algo que todos os empresários sempre pedem, não estaríamos nesse cenário”, opina.

 

“Nenhum empresário consegue viver só com tele-entrega”

Sócio-proprietário de uma rede de restaurantes com unidades espalhadas pela região, Tales Zanella Romani conta que parte dos estabelecimentos da rede precisou desligar trabalhadores nos últimos dias. Isto porque, segundo ele, o formato de tele-entrega e pague leve – a única forma de funcionamento permitida atualmente – não gera lucros expressivos para os estabelecimentos. “Nenhum empresário consegue viver só com tele-entrega, nem uma loja de roupas. A tele-entrega em si é um complemento, ela não gera um faturamento decisivo no negócio. Não é o suficiente para manter 20 funcionários em um restaurante vendendo só marmitex, por exemplo. E não queria enxergar assim, mas acho que essa situação [de restrição] ainda vai longe”, lamenta.

Na percepção de Romani, falta comunicação e planejamento do governo estadual em relação à rede de saúde. Ele ressalta, ainda, que o comércio não é o vilão para o aumento no número de casos do novo coronavírus e a precariedade no atendimento dos afetados pela doença. “Fechar tudo e esperar que não tenha mais a doença não existe. O que precisa é de leito. O governador teve quase um ano para formular uma estrutura nos hospitais. Jogar isso para o comércio é uma covardia com empresários de todos os ramos. Tem gente que não tem mais cabeça para trabalhar desse jeito, quando menos se espera vem uma paulada de novo”, desabafa.

A consideração é compartilhada por Leo Duro. Ele adianta que o sindicato que representa os empresários do ramo a nível estadual está agendando uma reunião com o governador Eduardo Leite para sugerir medidas que poderiam ser adotadas no enfrentamento da pandemia. “O aumento no número de leitos de UTI, para sairmos da bandeira preta, é o primeiro passo. As medidas que cobramos do governo se referem a uma gestão mais consciente em prol da saúde. Tivemos um ano todo para prepararmos nossa rede de saúde e estamos na mesma situação em que estávamos há um ano”.

 

Fecomércio envia sugestão de protocolo para bandeira preta

A Federação do Comércio de Bens e de Serviços (Fecomércio-RS) enviou ao Governo do Estado, nessa terça-feira (3), uma nova sugestão de protocolo para a bandeira preta, que inclui opções para a abertura do comércio e dos serviços em horário restrito e escalonado. A entidade alega que, desta forma, ao diferenciar atividades com o descasamento de horários de abertura e fechamento ou com rodízio de funcionamento, “seria possível evitar a paralisação indiscriminada das atividades, medida que tem pouca efetividade no controle da pandemia e ameaça a sobrevivência de milhares de empresas”, escreveu em nota.

No comunicado divulgado, a Fecomércio também alerta a urgência em considerar alternativas ao protocolo atual, afirmando que o custo das medidas tem sido desproporcionalmente alto para as micro e pequenas empresas, que são as mais prejudicadas pelas restrições em vigor. Outros dois pedidos, já parcialmente atendidos no ano passado, foram encaminhados ao governador Eduardo Leite: a permissão para que as empresas possam abrir para receber pagamentos de carnês, já que muitas compras foram parceladas nessa modalidade, e a postergação da cobrança de tributos estaduais.

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