“Queremos governar com as pessoas e não para as pessoas”

Candidato a prefeito de Passo Fundo pelo PSOL, Celso Dalberto promete uma gestão em que as prioridades sejam definidas junto à população

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Gerson Lopes/ ON Gerson Lopes/ ON
Gerson Lopes/ ON

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O jornal O Nacional dá início, nesta sexta-feira (16), a uma série de entrevistas com os nomes que disputam a Prefeitura de Passo Fundo nas eleições de 2020. O primeiro entrevistado é o candidato pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Celso Dalberto, que concorre ao cargo de prefeito pela terceira vez. Ele compõe chapa ao lado da estudante e candidata à vice pelo partido Unidade Popular (UP), Milena Moretto, através da coligação “Passo Fundo Pra Gente”.

Celso Dalberto é professor da rede estadual de ensino e diretor estadual do PSOL. Aos 59 anos de idade, possui graduação em Economia e Pós-Graduação em Psicopedagogia. Em pleitos anteriores, concorreu ao cargo de prefeito de Passo Fundo nos anos de 2016 e 2008. Também disputou uma vaga como deputado federal nos anos de 2014 e 2018. No entanto, não foi eleito em nenhuma das oportunidades.


O senhor está colocando o seu nome pela terceira vez para concorrer a prefeito de Passo Fundo. Qual a motivação para participar novamente nesta eleição?

Eu entendo que Passo Fundo merece uma renovação e alguém com experiência. Eu já tenho uma experiência porque vim da agricultura, fui comerciário por 15 anos, atualmente sou professor, tenho formação acadêmica em Economia, pós-graduação em Psicopedagogia e um histórico dos movimentos sociais. Sou uma pessoa que não vive da política, ou seja, nunca ocupei cargos em prefeituras, mas disputo as eleições municipais dentro de uma lógica de governar com as pessoas e não governar para as pessoas. Nós trabalhamos com essa lógica, através de conselhos populares, deliberativos... E em um momento tão difícil como esse, de pandemia, precisamos sim de alguém que não tenha compromisso com corporações.


Com base na sua experiência em eleições anteriores, como está sendo a campanha deste ano, com as restrições impostas pela pandemia? Essa mudança tem exigido mais criatividade do candidato na hora de apresentar as propostas ao eleitor?

Na nossa coligação, sempre tivemos o costume de fazer visitas aos bairros e conversar individualmente com as pessoas. Nós não apostamos no bandeiraço, nas carreatas... Já não apostávamos antes, agora não tem como e não achamos necessário, devido à própria pandemia, mesmo que a Justiça Eleitoral não proíba isso.


Umas das propostas no seu plano de governo menciona a criação de um Conselho da Cidade, para o qual a administração teria que prestar contas permanentemente. Em Passo Fundo temos vários conselhos que atuam, como fiscalizadores, nos mais diversos setores da sociedade. Em que aspectos a sua proposta se diferencia dos conselhos existentes?

Nós queremos um conselho que represente, de fato, a cidade. Nós trabalhamos com uma representatividade direta. A maioria das administrações e gestões chama apenas as lideranças empresariais ou comunitárias [para participar dos conselhos]. Nós achamos que a forma de escolher os representantes deve acontecer em uma reunião ampla, em que se discutam os representantes que vão fazer parte desse conselho, para que não sejam apenas presidentes de associações ou entidades, mas sim que se dê a possibilidade de os habitantes participarem de forma direta.


O transporte público é uma das pautas mais defendidas e também alvo de constantes críticas do PSOL. Em Passo Fundo, há uma licitação em andamento para definir a nova empresa que assumirá a concessão pelos próximos anos. Sendo eleito prefeito, o senhor tem uma proposta diferente para o setor?

Sim. Em primeiro lugar, a licitação já era para ter saído há muito tempo. E a proposta da licitação que existe hoje não contempla a sociedade. Ela, inclusive, exclui o transporte público que nós defendemos e que hoje é ocupado pela Codepas, uma empresa municipal. Nós temos uma proposta diferenciada. A Codepas foi sucateada nos últimos oito anos e, com isso, se fortaleceu o monopólio da empresa privada. Nós queremos investir nela e queremos que a licitação pública realmente dê condições de baratear o preço da passagem. Também defendemos passe-livre para os estudantes e, nesse momento da pandemia, para os desempregados.


Sendo professor estadual, como o senhor vê a possibilidade de retorno das atividades presenciais nas escolas?

Achamos a questão da volta às aulas muito problemática nesse momento. As escolas não têm estrutura – precisa de álcool gel, manutenção, higienização. Eu conheço as salas de aula do município, elas são muito pequenas. Em uma turma de 20 alunos da educação infantil, com o distanciamento, você poderia atender quatro ou cinco alunos. E como é que você vai fazer essa seleção? Então nós entendemos que agora não é o momento para o retorno das aulas. A recuperação dos conteúdos pedagógicos pode ser revista a longo prazo.

Segundo, nós sabemos que a contaminação atinge, principalmente, as pessoas mais velhas. A maioria das crianças na educação infantil é cuidada cuidados pelos avós. Como elas são assintomáticas, se voltarem às aulas, poderá haver uma contaminação geral na cidade. E isso sim, de fato, vai atingir a economia, porque pode fazer com que seja novamente necessário o fechamento dos setores.


Sendo eleito prefeito, qual a principal mudança que o PSOL faria na cidade de Passo Fundo?

Em primeiro lugar, as mudanças não podem vir de cima para baixo. Nós vamos inverter as prioridades. Achamos que, nos últimos oito anos, houve investimento mais no centro da cidade (em praças, em rodovias e asfaltos...). Nós temos problemas sérios. Um deles é o acesso de todas as crianças à educação infantil. Temos que garantir isso. Na questão da saúde, devemos investir na saúde preventiva. Nós não podemos mais ter foco de dengue, de sarampo... Passo Fundo é um centro de saúde, mas é um centro de saúde hospitalar. Nós precisamos manter isso, mas focar na prevenção. A questão do saneamento básico, sabemos que é federal, mas temos uma preocupação enorme. Nossa primeira ação, caso sejamos eleitos, será a regularização das ocupações. São mais de 50 na cidade, sem água, sem luz, porque não são regularizadas. A gente sabe que a pandemia vai aumentar o desemprego e, com isso, muitas pessoas não vão conseguir pagar o aluguel, então essa questão é um desafio mesmo. Queremos garantir, pelo menos, o acesso à infraestrutura básica.


Qual mensagem o senhor deixa para os eleitores de Passo Fundo?

Quero pedir uma oportunidade à população de Passo Fundo. Quando nos colocamos em um desafio, é porque estamos preparados para isso. Nós governaremos, caso sejamos eleitos, com as pessoas e não para as pessoas. Porque, quando é “para”, a gente define o que quer e diz isso para as pessoas. Quando é “com”, nós discutimos as prioridades junto com a população. Estamos pedindo um voto de confiança no 50 para a eleição municipal.

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