“O maior programa social que existe é o emprego”

Candidato a prefeito de Passo Fundo pelo PSC, Claudio Doro defende a geração de trabalho e renda como o principal pilar do seu programa de governo

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(Foto: Gerson Lopes/ON)(Foto: Gerson Lopes/ON)
(Foto: Gerson Lopes/ON)
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O candidato a prefeito de Passo Fundo pelo Partido Social Cristão (PSC), Claudio Doro, é o segundo convidado na série de entrevistas feita pelo jornal O Nacional com os nomes que disputam o cargo de chefe do Executivo. O engenheiro agrônomo concorre ao lado do empresário e pastor evangélico João Campos, candidato à vice-prefeito pelo mesmo partido, formando a chamada “chapa pura” – quando não há coligação com outras siglas.

Aos 68 anos de idade, Claudio Doro concorre às eleições majoritárias pela primeira vez, declarando-se “o único candidato de direita” no pleito deste ano. Além de engenheiro agrônomo, com passagem profissional pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Doro é também produtor rural e empresário. Ingressou na vida pública em 1975, como servidor concursado da EMATER, onde trabalhou por mais de 40 anos.


Em 2010, o senhor concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado. Fez uma votação expressiva e ficou na suplência. Dez anos se passaram até o senhor voltar a concorrer a um cargo público. Por que essa espera de uma década e o que motivou o seu retorno?

Em 2010, eu concorri a deputado estadual pelo Progressistas, mas não consegui me eleger. Meu nome surgiu de última hora, eu não tive tempo, nem recursos e não tinha muita transparência política, então o resultado já era esperado. Fiquei na suplência. Eu continuei na política, mas não concorrendo a cargo eletivo. Continuei militando pelo Progressistas, fui secretário, tesoureiro e presidente do partido. A princípio, eu tinha até desistido de concorrer a cargo eletivo, pensava em só continuar contribuindo no partido. Por isso, acabei ficando em um espaço de praticamente 10 anos sem concorrer. Porém, recentemente, eu estava no partido Progressista, o PSC estava em fase de reestruturação em Passo Fundo e o pastor João Campos me convidou para migrar ao PSC. Eu, como sou cristão, achei uma oportunidade boa de contribuir – em um partido que estava bem reduzido em Passo Fundo – com a experiência que eu tinha na área administrativa dos Progressistas. À medida que fomos organizando esse partido, pensávamos em apresentar uma nominata somente de vereadores, mas depois sentimos que tínhamos um potencial bom para concorrer também na majoritária.


O PSC concorre com a chamada chapa pura, sem coligação. Quais fatores determinaram essa decisão?

Historicamente, os partidos de Passo Fundo se aglomeram. Tem partidos aqui que têm coligação com outros 12 partidos políticos. Como você vai administrar uma prefeitura tendo 12 coligações? Vai ter que fazer um loteamento de cargos, dar uma secretaria para um, um cargo de confiança para outro... Fica muito difícil administrar porque você precisa apagar incêndio de todos os lados e atender demandas que vêm dos partidos coligados também. Nós, como um partido novo, ainda se estruturando, pensamos na época que o bom seria não fazer coligação com ninguém e trabalhar em linha pura. Quando o PSC começou a crescer, começaram as tentações. Conversamos sobre a possibilidade de coligar com o PSL, PSDB, PDT, mas tinha uma certa dificuldade, porque todos já tinham escolhido na majoritária quem seria o prefeito, e nós também. Ninguém abria a mão. Então, nossa opção foi concorrer sozinho.


Outra peculiaridade da sua campanha é não fazer uso do chamado fundo eleitoral. Gostaria que o senhor comentasse sobre essa situação e de onde virão os recursos para custear sua campanha.

Quando nos lançamos no projeto e escolhemos concorrer a esse cargo eletivo, nosso primeiro fator foi a questão financeira. Primeiro, precisávamos estruturar o PSC, que estava com dívidas e bastante esfacelado. Nós conseguimos fazer isso com nossos próprios recursos e através de vaquinhas. Saldamos a questão financeira do partido. Daí, veio à tona: como vamos enfrentar uma campanha política? Vamos pedir fundo partidário? Foi unânime do pessoal da executiva decidir que, se fossemos concorrer e pedir fundo partidário, nosso discurso seria igual ao de todos os outros partidos. E nós julgamos que o fundo partidário é dinheiro do contribuinte. Não é do governo, é de todos nós. São quase R$ 3 bilhões de fundo partidário, que depois é distribuído aos partidos, mas é dinheiro da população. Eu disse “acho que não é justo”. Decidimos cada um dar um pouquinho de si, fazer vaquinha eletrônica e pedir colaboração de pessoas físicas que puderem ajudar. Vamos fazer a campanha com o dinheiro que tivermos. Nós temos que fazer a diferença.


Nessa primeira etapa de propaganda eleitoral, o PSC também tem enfatizado o fato de ser o “único partido de direita”. Demarcar essa posição ideológica faz parte da estratégia de conquistar os votos do eleitorado mais identificado com o presidente Jair Bolsonaro, mesmo o ex-partido dele fazendo parte da disputa municipal em outra coligação?

Nosso partido é, originariamente, de direita. Ele é conservador na família e nas tradições e liberal na economia. Não é porque queremos pegar carona com o Jair Bolsonaro. Casualmente, a linha dele é a mesma que a nossa. Até porque, quando o Bolsonaro saiu do PP, ele foi para o PSC. Ele alinhou com o PSC a linha “Deus, família e pátria”. Nós temos os mesmos princípios. O esquema fechou casualmente. Como temos um vínculo direto com a linha de pensamento filosófico do Jair Bolsonaro, estamos utilizando o nome dele junto conosco. Agora, a nossa campanha não é formatada em cima do nosso presidente Jair Bolsonaro. É em cima dos nossos valores. Ele só está nos ajudando pela compatibilidade.


Analisando o seu programa de governo, chama a atenção um item incluído no setor de segurança. Ele diz respeito à “apresentação à Câmara de Vereadores de um novo código de postura do município, visando a boa convivência e segurança em praças e logradouros públicos”. O senhor pode comentar o que seria esse código e para quem ele se destina?

Esse código é para proteção das pessoas. [As praças e logradouros públicos] é onde a população está exposta, absorta, descontraída e precisa de segurança. Principalmente hoje, com a questão das crianças também. Desaparecem crianças e adolescentes, que às vezes saem com a babá, a babá se descuida e tem gente cuidando para fazer tráfico de crianças. Então tem que ter segurança de olho. Outra questão é o roubo, furto de celulares... Por ser uma praça e ter banheiros públicos, atrai pessoas má intencionadas. Se tiver um policial ali, impõe respeito, protege os cidadãos e dá segurança para os estabelecimentos comerciais que estão ao redor. E a segurança não é só a questão física. É a emocional também. O uso de drogas é muito grande e, normalmente, o pessoal procura isso nas praças. Não só para fazer uso, mas para venda. Por isso vamos analisar muito o comportamento das pessoas. Na questão comportamental, você tem que olhar o abstrato da pessoa. Não somente o físico, como ele está agindo, mas também o que ele está pensando e idealizando. Para isso, precisamos do código de postura. O pessoal destinado para fazer a guarda precisará ser especializado, com um senso de observação bastante apurado, para saber detectar até pelo caminhar e olhar com quem está lidando.


O senhor também aborda em seu programa a necessidade de abrigar os vendedores ambulantes da cidade em um espaço adequado. Esse espaço seria diferente ou nos mesmos moldes do camelódromo já existente em Passo Fundo?

Se você for analisar, o camelódromo não é um espaço ideal. É apertado, tem problema de mobilidade ali dentro. Eu acho que Passo Fundo precisaria de um centro maior, mais aprazível, que abrigasse melhor os comerciantes que estão ali dentro e onde as pessoas pudessem circular melhor. E agora estamos vendo esse pessoal, os senegaleses, que estão se instalando no centro da cidade, principalmente na Avenida Brasil, e diminuindo o passeio público. Essas pessoas estão se expondo ali na informalidade. Acho que nós poderíamos trabalhar com a ideia de construir um espaço específico para eles. Colocar eles lá dentro, cada um com seu box. Poderia ser cobrado um valor simbólico de aluguel para eles darem uma contrapartida e ajudar na manutenção. Eles terão a oportunidade de se legalizar como microempreendedor individual, ter direito a acessar políticas públicas, direito ao crédito, à aposentadoria... Enfim, temos que organizar esse pessoal. Eles estão ali competindo no meio da rua, no sol e chuva, tomando o espaço dos transeuntes e fica até feio para a cidade. Não pega bem. O pessoal diz que Passo Fundo está virando o Paraguai. Nós precisamos ordenar o crescimento da cidade.


Sendo eleito prefeito, qual a principal mudança que o PSC fará na cidade de Passo Fundo?

Tem diversas mudanças. Nós elegemos no PSC quatro pilares básicos: saúde, educação, segurança e geração de renda. Esse abre e fecha dos setores [devido à pandemia] criou problemas graves em Passo Fundo, não só de saúde, mas também problemas econômicos. O maior programa social que existe é o emprego. Isso resolve os problemas sociais. Então o item mais forte que precisaremos trabalhar é a geração de emprego e renda. Mas claro que teremos que atacar também o sistema de saúde, o sistema educacional e a segurança. Chego até dizer que Passo Fundo é a Capital dos Pampas da roubalheira. Ela é uma cidade grande, que converge municípios pequenos e as pessoas meio desajustas vêm para Passo Fundo se esconder nos bairros, nas vilas. Acaba sendo quase uma vazão da criminalidade dessas outras cidades. Por ser uma metrópole, Passo Fundo paga o preço. Precisamos de medidas rápidas na segurança.


Qual a mensagem que o senhor deixa para os eleitores de Passo Fundo?

Passo Fundo não está na UTI. Passo Fundo tem muitas coisas boas. Nós falamos de coisas pontuais que precisam ser resolvidas, mas não há caso crítico aqui. É uma cidade progressista, bonita, boa de viver, com prosperidade... Eu vejo que se hoje nós, cidadãos de bem, estamos vivendo bem, é porque nossos pais nos proporcionaram isso. Agora, nós precisamos fazer o mesmo para os nossos filhos e netos desfrutarem. Uma geração cuida da outra. O que nós temos que fazer é escolher bons gestores. Isso começa por uma boa escolha de prefeito, vice e uma boa Câmara de Vereadores. Você está dando um cheque em branco por quatro anos para esse gestor administrar toda a nossa arrecadação. Então o povo de Passo Fundo precisa escolher bem a pessoa, ver o caráter, a ética, o histórico do candidato e ver qual é o partido que ele representa. Todos os partidos têm suas linhas filosóficas. Se você pegar a cartilha do partido, você vê como ele pensa na economia, na questão da ideologia de gênero, do aborto, do desarmamento. Nós temos que ver todo esse conjunto e, juntamente com o perfil do candidato, escolher bem para não errar mais. Chega de errar. O Brasil errou muito nos últimos 20 anos.

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