“Vamos modernizar a máquina pública”

Candidato a prefeito de Passo Fundo, Lucas Cidade (PSDB) propõe a modernização na estrutura e funcionamento da administração pública como medida para criar um ambiente atrativo a novos empreendedores

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(Foto: Gerson Lopes/ON)(Foto: Gerson Lopes/ON)
(Foto: Gerson Lopes/ON)
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O candidato a prefeito de Passo Fundo pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Lucas Cidade, é o sexto entrevistado pelo jornal O Nacional no pleito municipal de 2020. Ele disputa o cargo de chefe do Executivo tendo como vice-prefeito o empresário e ex-vereador Valdair Gomes (PSL), através da coligação “Passo Fundo de Todos”. A candidatura é também apoiada pelo Partido Liberal (PL).

Graduado em Direito e conhecido no município pela trajetória profissional como radialista, aos 31 anos de idade, Lucas Cidade participa pela primeira vez como candidato em uma disputa eleitoral. No meio político, tem experiência como chefe de gabinete do colega de partido e deputado estadual Mateus Wesp.


ON: O senhor entrou recentemente na política partidária, atuando como assessor do deputado estadual Mateus Wesp. Esta é sua primeira eleição na condição de candidato e já concorre à prefeitura. O que te motivou a entrar nessa disputa e como você se preparou para assumir a função de chefe do Executivo?

Lucas Cidade: O nosso projeto – eu digo que não é um projeto pessoal, é um projeto coletivo – é de que Passo Fundo precisa de novas lideranças. E nós pensamos que não se precisa de novas lideranças apenas na política, mas sim em diversos segmentos: entidades representativas, CTGs, igrejas, enfim. Precisa de renovação aqui em Passo Fundo. Desde 2012, eu e o hoje deputado Mateus Wesp temos esse pensamento de darmos a nossa contribuição. Eu tenho apenas 31 anos e acredito que estou preparado, no sentido de fazer parte de um grande time de pessoas qualificadas, mas por também conhecer a realidade da cidade. Isso me foi proporcionado através dos 11 anos como radialista em Passo Fundo. Eu conheço a realidade do nosso dia a dia, o que me dá coragem para enfrentar essa campanha eleitoral. E, desde 2012, eu participei da coordenação das campanhas eleitorais do Mateus. Eu não dava a cara, no sentido de ser o candidato, mas tenho a participação nos bastidores e, realmente, esse ano está sendo um ciclo totalmente diferente. Não só pela questão da pandemia, mas pelos candidatos que estão se apresentando. O próximo prefeito vai ser a primeira vez que ele será prefeito, independente de quem for eleito. Então é um desafio que, através de boas propostas, trabalho em equipe e muita força de vontade, é possível atingir o resultado.


ON: O PSDB fechou acordo com o PSL em várias cidades do Rio Grande do Sul. Aqui em Passo Fundo não foi diferente, mas houve tentativas de barrar a coligação por parte de integrantes do próprio PSL. Como está adesão do eleitorado do ex-partido do presidente Jair Bolsonaro à sua candidatura?

Cidade: Ela está muito receptiva, podemos dizer assim, porque a coligação está consolidada. Tem algumas situações internas dentro de apenas um partido, que é o PSL, mas a política não pode ser feita por projeto pessoal. É por projeto coletivo. Principalmente questões de relacionamento, você tem que ter jogo de cintura. Situações que aconteceram no partido PSL foram internas, que não nos prejudicaram na questão do eleitorado. Então tem uma receptividade normal no sentido de ser o partido pelo qual o Bolsonaro foi eleito. A adesão do eleitorado está sendo muito boa. Sabem que nós temos ligações, sempre fomos defensores do Bolsonaro, digamos assim, e não mudamos por circunstância alguma. O pessoal às vezes me diz “ah, mas o Lucas é comunista”. Tchê, fiz campanha para o Bolsonaro, o nosso projeto é realmente por uma gestão de qualidade, mais liberdade econômica, várias situações que esse rótulo eles não estão conseguindo colar. E, por eu ser filho de militar, também tem toda aquela trajetória de ligação que o pessoal sabe que tem um alinhamento com o Bolsonaro.


ON: Durante a propaganda política, o senhor vem fazendo questionamentos e ouvindo a opinião de algumas pessoas sobre a situação do trânsito em Passo Fundo. Objetivamente, que projetos pretende desenvolver neste setor e de onde pretende buscar os recursos?

Cidade: Uma das dificuldades da atual gestão – isso não é crítica, mas é uma constatação – é que não se tem o foco na elaboração de projetos aqui em Passo Fundo. Isso não só na questão do trânsito, da mobilidade urbana, mas em diversos segmentos. Nós já temos uma equipe formada para isso. Inclusive, nosso programa de governo é denominado “Cidade aberta”, porque ele não vem nada a impor e sim a construir. Diversos segmentos estão dando a sua contribuição. Muitas vezes, alguns políticos já se apresentam com “esse é o plano de governo” e deu pra bola. Nós não. Nós estamos construindo o plano e essa construção tem que ser permanente. No trânsito, está todo nesse sentido, porque faremos um planejamento estratégico do programa de governo e um planejamento estratégico de cada secretaria – lembrando que nós queremos enxugar a máquina pública também, ela está muito pesada. Para o trânsito, na questão das obras, vamos utilizar esse relacionamento de portas abertas que felizmente temos com o Governo do Estado, com a Assembleia Legislativa, com o governo federal e também através dos nossos deputados. [Vamos] forçar muito essa questão da política de fazer uma cidade de portas abertas, não para interesse próprio e sim coletivo.


ON: Outro ponto que vem sendo bastante debatido durante a campanha, por vários candidatos, é a questão da habitação. Passo Fundo tem mais de 50 ocupações espalhadas pelos bairros da cidade. De que maneira o senhor pretende encaminhar uma solução para resolver ou pelo menos reduzir esse déficit habitacional no município?

Cidade: Volta a se questionar a falta de elaboração de projetos. Enquanto estive como chefe de gabinete do deputado Mateus Wesp lá na Assembleia, tive a oportunidade de ir a Brasília várias vezes no sentido de saber qual era o raio-x do governo federal com a cidade de Passo Fundo. Uma coisa que nos entristece é o protagonismo, até regional, que Passo Fundo poderia ter, mas não se tem lá nenhum projeto de captação de recursos. Um exemplo é a questão habitacional. Um joão-de-barro fez mais casas do que a prefeitura na atual gestão. Em oito anos, não foi feita nenhuma casa popular aqui. Não tem um programa habitacional em Passo Fundo. Isso é uma questão que, se você elaborar bons projetos, ir atrás, se consegue. É isso que queremos fazer. Utilizar muito a nossa possibilidade de relacionamento com outras esferas para fazer a elaboração de projetos. Isso está dentro dessa questão da construção de casas e programas habitacionais, mas até para a questão de aquisição de áreas. Será um dos nossos focos. A atual gestão não tem o cuidado necessário com os bairros e o nosso projeto é de que nos bairros se tenha uma verdadeira integração. É onde a vida do passo-fundense de fato acontece. E solucionar a questão do saneamento básico também, porque se formos ver 54% das residências em Passo Fundo não têm esgoto. É uma série de situações que, se você elaborar projeto, tem como buscar recurso para viabilizar isso. Trabalhamos de uma maneira muito realista.


ON: O próximo prefeito de Passo Fundo terá, desde o início do mandato, o desafio de enfrentar os reflexos provocados pelo novo coronavírus nos mais diversos setores da economia do município. Assumindo em janeiro, quais as primeiras medidas que o senhor pretende adotar em relação a esse tema?

Cidade: Quem já afirma que estamos vivendo o pós-pandemia, eu acho que a pessoa está se antecipando. Nós ainda estamos passando por isso, é uma transformação da realidade que nem todo mundo se adaptou, ainda há muitas dúvidas, mas para o gestor público, ele tem que ter a consciência de que haverá uma queda na arrecadação, na parte orçamentária. Temos que trabalhar de maneira realista, saber como é que vamos pegar a prefeitura – e isso é uma falta de transparência que se tem hoje, nós não sabemos qual é a realidade da nossa máquina pública aqui em Passo Fundo – e criar um sentimento de pertencimento, tanto em empresários, quanto nas pessoas mais necessitadas. As pessoas não sabem, não se envolvem. Queremos devolver isso, sempre ouvindo lideranças de diversos segmentos. E aqui em Passo Fundo, na parte econômica, faltou a criação de uma Comissão Permanente de Empregos para achar alternativas e dar um novo fôlego para Passo Fundo. Também vamos manter, de maneira muito transparente, a Comissão Permanente para a questão de proteção à vida. Porque a pandemia vai ter circunstâncias aí na frente que não podemos ser pegos de surpresa. Tudo isso já estaria dentro de um planejamento estratégico da área da Saúde, da Educação, assim por diante.


ON: Sendo eleito prefeito, qual a principal mudança que o PSDB fará na cidade de Passo Fundo?

Cidade: Nós vamos focar na gestão de qualidade. Temos pessoas qualificadas, que estão dando a sua contribuição e querem, no Poder Público, fazer a diferença. Nós temos que modernizar a nossa máquina pública. A população não aguenta mais pagar uma máquina pública tão pesada e ter um retorno mínimo. Queremos, de certa forma, criar um novo organograma. Mas também, nessa questão de gestão de qualidade, implementar a questão de trabalhar em uma gestão com indicadores de desempenho. Tudo isso está ligado: transparência, indicadores de desempenho, a parte orçamentária, trabalhando por prioridades. Vamos apresentar a Passo Fundo uma verdadeira gestão, que é o que a população pede.


ON: O senhor tem falado em “pensar Passo Fundo daqui a 30 anos”. Isso inclui grandes obras?

Cidade: Inclui grandes obras, como se encaixa também a questão da mobilidade urbana. Só que tem outras situações em que há uma carência muito grande. Nós ficamos até meio assustados com os desabafos, principalmente de empresários, que têm projetos com investidores. As pessoas querem fazer, mas por questão de impedimento da máquina pública está engavetado. É nesse sentido, de nós criarmos um planejamento estratégico para os próximos 30 anos para que, se seguirmos no governo ou não, os próximos prefeitos tenham esse alinhamento. É o que já se tinha, antigamente, com o Conselho de Desenvolvimento, que acabou sendo engavetado também e não foi mais utilizado. Queremos resgatar isso, nesse sentido de pensar sempre a longo-prazo.


ON: Qual a mensagem que o senhor deixa para os eleitores de Passo Fundo?

Cidade: Que confiem no nosso projeto. Estamos convictos de estarmos apresentando o melhor projeto para Passo Fundo, para o desenvolvimento da cidade, porque todas as pessoas podem participar, fazendo um trabalho conjunto. Iremos focar em auxiliar e incentivar os empreendedores que aqui existem e que virão e também as pessoas mais necessitadas, que também precisam do incentivo do Poder Público, com assistência social e tudo mais. É um projeto que vai devolver o sentimento de pertencimento e fazer um governo do povo para o povo.

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