“O grande desenvolvimento da cidade tem que ser voltado ao cidadão”

Projetos direcionados à melhoria da qualidade de vida da população estão entre as prioridades no programa de governo de Pedro Almeida, candidato a prefeito de Passo Fundo pela coligação “Juntos Por Passo Fundo”

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(Foto: Gerson Lopes/ON)(Foto: Gerson Lopes/ON)
(Foto: Gerson Lopes/ON)
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O candidato pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), Pedro Almeida, é o sétimo e último entrevistado na série do jornal O Nacional com os nomes que disputam a prefeitura de Passo Fundo. Ele participa da eleição municipal através da coligação “Juntos Por Passo Fundo”, ao lado do candidato a vice-prefeito pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), João Pedro Nunes. A coligação é apoiada pelos partidos Democratas (DEM), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Social Democrático (PSD), Republicanos, Cidadania, Solidariedade, Podemos e Democracia Cristã (DC).

Formado em Administração de Empresas e Gestão Pública, Pedro Almeida é também músico e empresário. Aos 42 anos de idade, o candidato disputa uma eleição pela primeira vez, recebendo apoio do atual prefeito de Passo Fundo, Luciano Azevedo. Durante a gestão do colega de partido, atuou como secretário nas pastas de Cultura e Gestão.


O Nacional: Dos sete nomes que concorrem à prefeitura de Passo Fundo, o do senhor foi o último a surgir na disputa, sendo o candidato apoiado pelo atual prefeito Luciano Azevedo. Gostaria que o senhor comentasse um pouco sobre esse processo de escolha e por que decidiu assumir o desafio de concorrer, já em sua primeira eleição, ao cargo de chefe do Executivo.

Pedro Almeida: Essa é uma decisão que não é individual. Nós temos um grupo que vem administrando a cidade ao longo dos últimos oito anos, do qual eu faço parte na gestão do prefeito Luciano, juntamente com o João Pedro. Houve um grande debate interno, primeiro, com os partidos. É uma coligação de 10 partidos. Nós ouvimos muito as lideranças dos partidos para que a gente construísse uma candidatura que realmente representasse a gestão que está em andamento e o que a gente pensa dela. É uma gestão que tem como característica essa mistura do político e do técnico. Eu entrei para a prefeitura, fui convidado a trabalhar, justamente por essa minha formação. Eu sou formado em Administração de Empresas e Gestão Pública. Então, eu e o João Pedro, a gente representa muito bem esse modelo de gestão. Tem a questão política, o governo representado através do João Pedro, que tem uma trajetória política muito grande na cidade. Trinta anos de política. Mas também tem essa renovação com o cargo técnico que eu represento. É dentro desse ambiente que foi criada a candidatura e a escolha dos nomes. Os nomes estão abaixo do projeto, o projeto é maior. O que a gente pensa da liderança da cidade e da gestão da cidade, está acima do nome individual de cada um. É por isso que eu me sinto mais confortável em estar, porque não é uma candidatura individualizada. É um grupo de pessoas que representa um projeto.


ON: Do ponto de vista pessoal, como o senhor vê a definição do seu nome?

Pedro Almeida: Eu confesso que eu nunca pensei nisso, não era um plano meu, da minha vida. Eu tive a oportunidade de trabalhar na prefeitura justamente por esse modelo. Praticamente, nesses oito anos, eu trabalhei sem nenhuma filiação a partido nenhum. Isso é uma coisa inédita para a gestão pública e o modelo político que a gente vive no país. Acho que essa mistura é muito positiva e benéfica do ponto de vista da gestão. É um modelo de meta, de resultado, de estatística, um modelo quase empresarial, que olha muito a pesquisa. Nós temos, a cada três meses, uma grande pesquisa de opinião que baliza muito o governo. Tudo que está se fazendo, a gente busca na pesquisa o resultado para ver se realmente tem impacto e, aí, corrige as áreas que precisam ser corrigidas.


ON: A necessidade de adoção das aulas remotas, imposta pela pandemia do novo coronavírus, evidenciou a dificuldade de grande parte dos alunos da rede municipal de ensino em acompanhar os conteúdos por falta de acesso à tecnologia. Não há equipamentos ou, quando há, as famílias não disponibilizam de internet. O senhor sendo eleito, de que maneira pretende aproximar um pouco mais a tecnologia desses estudantes?

Pedro Almeida: Esse é um dos aspectos da pandemia, de todos os desafios que ela nos trouxe. O maior deles, claro, é na área da saúde, mas a educação também sentiu esse momento. Principalmente as escolas, os professores, os diretores, que se viram de uma hora para a outra tendo que se adaptar a esse modelo da aula remota. Aí, apareceu outro problema, que é o acesso à internet pelos alunos. Muitas famílias fragilizadas, não têm acesso à internet e não têm o aparelho. A gente pretende olhar isso com muito cuidado. É preciso ter pé no chão, não fazemos promessas como se isso fosse fácil de resolver. A retomada das aulas e o modelo que a gente vai implementar a partir do nosso governo, no ano que vem, vai ser com muito diálogo e debate com quem é da área. Temos que construir juntos essa retomada e, obviamente, assistir aqueles que têm mais precariedade para acompanhar. Se é que o ensino híbrido vai continuar. Eu acredito que a volta às aulas vai acontecer, no momento certo, com segurança, e ouvindo principalmente quem é da área.


ON: Sobre a questão da mobilidade urbana, durante a atual gestão, da qual o senhor faz parte, algumas ruas de Passo Fundo receberam pavimentação, outras tiveram o sentido de fluxo invertido e receberam melhorias na sinalização. No entanto, em algumas regiões da cidade, está cada vez mais difícil se deslocar de carro. Além dessas medidas citadas, o que mais pode e deve ser feito para melhorar o fluxo do trânsito na cidade?

Pedro Almeida: Mobilidade urbana é um tema complexo e do país. Temos que lembrar que o Brasil escolheu, lá atrás, um incentivo ao uso do automóvel em detrimento a outros modais, como outros países fizeram (o desenvolvimento do transporte público, dos próprios trens...). O Brasil escolheu um modelo e nós somos os resultados disso. Há muitos carros. Nós temos uma frota de mais de 135 mil carros em Passo Fundo, mais um fluxo itinerante de 20 ou 25 mil, que vem da região. E as ruas são as mesmas ao longo desse período todo. Então é um desafio muito grande para a gestão equilibrar isso.

Primeiro, a nossa preocupação fundamental com o trânsito é a redução da mortalidade causada por ele. Nós tivemos, principalmente nesses últimos cinco anos, uma redução de 70% nas mortes causadas pelo trânsito. É preferível não chegar mais rápido, mas chegar com segurança. Temos essa premissa. Construímos, junto com o Núcleo de Inteligência da Secretaria de Segurança, a transformação de ruas e a melhoria na sinalização, para que se tenha mais segurança, mais fluxo. Nós construímos quatro anéis viários – aquelas rotas para ligar um bairro ao outro sem precisar passar pelo centro da cidade ou pegar as principais avenidas. Isso ajuda no fluxo, mas agora temos que fazer uma segunda etapa: a educação para o trânsito. Fazer com que o motorista compreenda esses anéis viários e possa usá-los mais no dia a dia.

Acho que é um grande projeto de educação para o trânsito, voltado especialmente à segurança, e o incentivo a novos modais, como fizemos com a ciclovia, por exemplo. A ciclovia é um pensamento que nós devemos reforçar. O desafio agora é fazer com que elas tenham uma ligação direta dos bairros com o centro. O incentivo à bicicleta é uma coisa que nós pretendemos seguir fazendo, tanto as compartilhadas quanto o incentivo para o cidadão ter a sua bicicleta. Estamos pensando em alguns programas até de incentivo de empresas que possam nos ajudar nesse sentido... Recebemos também uma sugestão sobre ter um estacionamento para bicicleta no centro. São coisas que estamos abertos a construir juntos. Uma cidade moderna e inovadora também é isso: pensar outro modal.


ON: O tema da mobilidade urbana é recorrente a cada eleição. Já houve, em eleições anteriores, a discussão sobre grandes obras. O senhor sendo eleito, existe a possibilidade de implementar obras maiores para o trânsito?

Pedro Almeida: As grandes obras, em qualquer cidade, são complexas e difíceis de fazer. Temos que ter muita responsabilidade para prometer. Não é do nosso perfil. Às vezes, não é só a vontade do prefeito ou da gestão pública municipal. Depende de recurso externo, nós não conseguimos fazer sozinhos. Tem que ter um projeto realmente viável e muita técnica. Nós queremos ampliar esse grupo técnico da prefeitura que pensa o trânsito, para que ele seja realmente cada vez mais eficiente, mas com cuidado vamos analisar esse tipo de situação.


ON: Passo Fundo tem mais de 50 ocupações espalhadas pelos bairros da cidade. Essa pauta tem sido uma das questões mais debatidas desde o início da campanha. De que maneira o senhor pretende resolver ou pelo menos reduzir esse déficit habitacional em Passo Fundo?

Pedro Almeida: Outro tema bem importante e complexo. É importante dizer aqui: quando chegamos na prefeitura, em 2013, não tínhamos nem sequer um cadastro das pessoas nessa situação de dificuldade de habitação. Tinham lá mais de 10 mil pessoas, pelas nossas contas, e quando começamos a cadastrar e organizar – a Secretaria de Habitação fez um grande trabalho nesse sentido, um trabalho eu diria até humanitário – nós chegamos a um número de quase quatro mil pessoas cadastradas. Veja como era desorganizado. Depois disso, a gente tem que pensar que sem um grande programa federal, como tínhamos o “Minha casa, minha vida”, e a prefeitura sendo parceira do governo federal, sozinhos nós não vamos conseguir resolver. Temos que ser francos com a população. O que nós podemos e temos feito é avançar no sentido de negociação com as áreas onde já existe alguma ocupação. Nós entregamos, ao longo do nosso período, quase mil títulos de regularização. Então, a gente pensa que é nesse sentido: primeiro, olhar para essas famílias e continuar apoiando, muitas vezes nas necessidades básicas, mas a resolutividade vai melhorar com parceria com o governo federal e a busca de programas nacionais, que possam nos ajudar a construir uma política mais eficiente.


ON: O próximo prefeito de Passo Fundo terá, desde o início do mandato, o desafio de enfrentar os reflexos provocados pelo novo coronavírus, principalmente no setor da economia do município. Assumindo em janeiro, quais as primeiras medidas que o senhor pretende adotar em relação a esse tema?

Pedro Almeida: Primeiro, estamos muito preocupados com a questão da vacina. Temos que estar preparados e nós, como Poder Público, dispostos a buscar a vacinação para a nossa população. Depois, nós precisamos olhar um grande plano para a retomada do desenvolvimento econômico – já temos esse plano sendo construído. Vamos fazer isso incentivando o empresário daqui, para que ele possa gerar mais emprego e mais renda, facilitando linhas de crédito para o pequeno empresário. Acho que tem que estar muito atento a isso. Primeiro, à saúde. Olhar para a vacina, para as famílias que também se fragilizaram ao longo desse período, que perderam o emprego e têm necessidade do apoio do governo nesse sentido. Depois, a retomada econômica, com incentivo, com apoio às empresas. Estamos bem otimistas em relação à retomada. A gente tem andado muito pela cidade, conversado com muitos empresários e o clima é de otimismo, que a curva de retorno vai ser mais rápida do que a gente imagina, mas com cautela e ação. Precisamos de uma ação intensa no sentido de desburocratizar. A prefeitura não pode amarrar os novos negócios, ela tem que ajudar nesse fluxo. Ao longo do tempo, a gente sabe que a prefeitura ficou um pouco burocratizada, ela ficou na era do papel e tem que ser mais digital. Por isso, um dos pilares do nosso plano de governo é justamente esse: ciência, tecnologia e gestão eficiente. Nós temos que olhar um pouco para dentro da prefeitura para que os processos sejam mais rápidos, ajudando também com novos servidores. Vamos precisar fazer concurso público e estruturar a prefeitura de uma forma que ela facilite e acelere os negócios.


ON: Sendo eleito prefeito, qual a principal mudança que a sua coligação fará na cidade de Passo Fundo?

Pedro Almeida: A gente costuma dizer que a cidade já mudou muito nesses oito anos. Mudou com o maior programa de revitalização dos espaços públicos que a gente já conseguiu implantar aqui. Está aí para todo mundo ver: o Parque da Gare, o Banhado da Vergueiro, o Parque Linear do Sétimo Céu. Nós fizemos uma grande obra de infraestrutura na cidade, são mais de 1.600 quadras de asfalto, canalização... Isso melhorou muito a vida de quem mora nos bairros mais longes do Centro. Queremos levar esse programa de revitalização para outros lugares onde ainda não foi contemplado, principalmente nos bairros da cidade. Nós temos também programas de governo que marcaram esse período e mudaram muitas questões, como o uniforme escolar, que foi entregue a 16 mil crianças; o “Farmácia Mais Perto”, a van que vai até os bairros levar o medicamento; o “Meu Bebê, Meu Tesouro”, que reduziu a mortalidade infantil. São programas de governo que nós queremos continuar fazendo, melhorando e criando novas possibilidades, principalmente, com foco nas pessoas. O grande desenvolvimento da cidade tem que ser sempre voltado ao cidadão, à melhoria da qualidade de vida de quem mora aqui. A mudança é constante, por isso estamos usando o slogan: “Já mudou, vai mudar mais”. É uma grande transformação da cidade que não pode parar.


ON: Qual a mensagem que o senhor deixa para os eleitores de Passo Fundo?

Pedro Almeida: Primeiro, a gente precisa agradecer muito à população de Passo Fundo. Eu e o João Pedro estamos muito felizes pela receptividade das pessoas. Embora em meio a uma pandemia, existe um clima de esperança e de otimismo, que a cidade vai passar por isso, que nós vamos sair dessa crise o mais rápido possível e que a cidade vai voltar à normalidade ou a um novo normal. A mensagem é essa: esperança, otimismo e muita humildade. A gente tem que ter pé no chão, saber os compromissos que temos com a cidade e que não são de hoje. Como já estamos há oito anos trabalhando, a gente sabe das limitações e desafios da cidade. Queremos seguir sempre uma relação muito honesta com a nossa população. Esperamos que os próximos anos sejam de muito desenvolvimento, não só econômico, mas humano, social... Fazer com que a cidade cresça ainda mais e ocupe o lugar que ela merece: de destaque no Rio Grande do Sul e no Brasil.



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