Dois militares na Câmara de Vereadores

Candidato pelo PDT, Sargento Trindade foi o segundo vereador mais votado em Passo Fundo no pleito deste ano, com 2,1 mil votos

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O pleito municipal do último domingo (15) resultou na eleição de dois militares para a Câmara de Vereadores de Passo Fundo. Carregando especialmente a bandeira da Segurança Pública durante a campanha eleitoral, os candidatos Sargento Trindade (PDT) e Gio Krug (PSD) ficaram entre os 21 políticos escolhidos para ocupar uma cadeira no Legislativo entre os anos de 2021 e 2024.

Com 2.109 votos, Tadeu Moraes Trindade obteve o segundo maior número de votos na eleição proporcional do município, atrás apenas de Rodinei Candeia (PSL). Conhecido como Sargento Trindade, o candidato do PDT já havia concorrido nas eleições municipais de 2016, através do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no entanto, ficou apenas na suplência do cargo de vereador. Já na carreira militar, Trindade coleciona mais de três décadas de experiência. Atualmente, além de atuar como sargento na Força Tática do 3º Regimento de Polícia Montada (3º RPMon), é também professor no Colégio Tiradentes.

A decisão de entrar para a carreira política, segundo Trindade, surgiu no início de 2015, quando um grupo de colegas decidiu se reunir e lançar a candidatura de nomes de militares que pudessem representar a categoria na Câmara de Vereadores. “Fomos lançados para vereador muito por conta da falta de representatividade. [Neste ano] tinha vários colegas concorrendo, mas consegui ter a grande maioria de apoio. Foi muito gratificante. Estávamos apreensivos pelo resultado, até porque nossa campanha foi feita de forma muito limpa e transparente, fomos visitar pessoa por pessoa. Mas ficamos felizes que as pessoas entenderam nossas propostas e vieram a somar”, conta.

A principal adesão por parte do eleitorado veio do grupo que o incentivou desde o início. “Tive muito apoio do pessoal da Brigada Militar, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. Fora eles, tem um grupo que eu nomeei por conta própria, que é o das pessoas de bem da cidade de Passo Fundo”. Quanto ao posicionamento político da maioria dos eleitores, Trindade atribui àqueles que se identificam com a direita e, em grande parte, com o presidente Jair Bolsonaro. “Foi muito grande a adesão [dos apoiadores de Jair Bolsonaro], até por nós dois sermos militares”, analisa.


Foco na Segurança Pública

O movimento não é exclusividade do eleitorado passo-fundense. Desde que Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil, o índice de candidatos autodeclarados policias e militares saltou na disputa eleitoral de todo o país. Somente em relação aos que concorreram como prefeito e vice-prefeito, dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, em 2020, o número de candidaturas mais que dobrou em comparação com as eleições municipais de 2016.

Um ponto comum entre a categoria, dentro da vida política, é a defesa de bandeiras ligadas à Segurança Pública. A campanha de Sargento Trindade, por exemplo, teve como um dos principais pilares a proposta de ampliação do cercamento eletrônico no município, levando as câmeras de videomonitoramento até a área rural de Passo Fundo, a fim de coibir os roubos em propriedades rurais. Outra proposição diz respeito à educação cívico-militar em tempo integral. “Eu dou aula no Colégio Tiradentes há cinco anos e acredito que, da mesma forma que acontece lá, deveríamos ter no nosso município escolas de educação em tempo integral, voltadas para a parte cívico-militar. Seria um grande ganho para a comunidade, porque muitos pais e mães que trabalham não têm com quem deixar seus filhos no turno inverso”, explica.


“O militar é menos corrompido”

Policial militar há 11 anos, Giordani Krug Ramos foi o segundo militar a ser eleito em Passo Fundo no pleito municipal deste ano, com 1.024 votos. Aos de 34 anos de idade, ele concorreu a uma eleição pela primeira vez. Assim como no caso do Sargento Trindade, Gio Krug também levantou bandeiras relacionadas à profissão militar como carro-chefe da sua campanha eleitoral, declarando-se “o braço forte da sociedade na Câmara de Vereadores”. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, como parte da propaganda política, o candidato chegou a aparecer disparando uma arma de fogo enquanto pedia um voto de confiança em nome da Segurança Pública.

Declarando-se um admirador de políticos como Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, Gio Krug compartilha ter como motivação para adentrar a vida política pontos semelhantes ao do colega de profissão eleito na mesma disputa. “Eu decidi entrar porque percebi que a nossa classe não tem representação. Muitas pessoas de bem não têm interesse em participar da política, falta opção para votar. Então, ao invés de reclamar, eu resolvi colocar meu nome à disposição”, explica. Gio conta ter recebido amplo apoio dos colegas de farda, da “população de bem” e dos “cidadãos trabalhadores”, especialmente do eleitorado mais identificado com a direita. Para ele, o resultado positivo nas eleições é fruto de uma “conduta ética diferenciada”, própria dos militares. “O militar é menos corrompido, ele é mais patriota”.

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