O esporte que mais cresce em Passo Fundo

Modalidade teve um crescimento significativo nos últimos anos em Passo Fundo

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 Há dois anos, ela resolveu encarar um percurso de sete quilômetros, abaixo de chuva, na primeira corrida de sua vida. Mesmo sem conhecer o tamanho da dificuldade imposta pela distância e condições climáticas, conseguiu cruzar a linha de chegada. Naquele momento, o esporte que mais cresce em Passo Fundo, ganhava uma nova adepta. Desde lá, a professora Maria Medianeira Possebon, 55 anos, já completou circuitos em provas no Uruguai, Porto Alegre e Bento Gonçalves. Preocupada apenas com o rendimento individual, ela faz parte de um grupo de pessoas, das mais diferentes idades e profissões, que adotou a corrida de rua para manter a forma e fazer novas amizades.

Este é o perfil do público responsável pelo crescimento da modalidade. Uma mudança que começou a ser percebida nos últimos dois anos. Dados da Secretaria Municipal de Esportes confirmam a evolução. Em 2014, a Meia Maratona, considerada a principal prova do ano, em homenagem ao aniversário do município, teve 600 inscritos. Na edição de agosto passado, este número saltou para 1,2 mil. O mesmo vale para as quatro etapas do circuito municipal. Cada uma delas chega a ter uma média de 700 inscritos. Até bem pouco tempo atrás, a participação nestas mesmas competições não reunia 100 atletas.

Acompanhando de perto o crescimento do esporte, ex-atletas graduados em educação física e demais profissionais da área, viram nesta mudança um novo nicho de mercado. Alguns deles decidiram investir nas chamadas assessorias de corrida. Em Passo Fundo existem pelo menos 10 delas. Com o auxílio de um especialista, os alunos recebem dicas, orientação e acompanhamento, através de planilhas individuais de treinamentos. O suporte acontece até mesmo durante as provas, onde os professores costumam montar barracas para reunir seus alunos.

Além das assessorias, em Passo Fundo já existe até empresa especializada na organização de corridas de rua. Um dos sócio- proprietário, o professor de educação física, Eduardo Klipel, 34 anos, participou de uma das etapas do municipal e não parou mais. Além de tomar gosto pelo esporte, vislumbrou a possibilidade do negócio. Em 2015, a empresa dele organizou a 1ª Corrida da Mulher, reunindo cerca de 200 corredoras. “Comecei a participar das corridas e avaliar o que poderia ser modificado, melhorado. A partir destas constatações, decidi, com o meu sócio, montar o próprio negócio e oferecer nossos serviços na organização das provas” conta Klipel.

Proprietário de uma assessoria de corrida, com aproximadamente 70 alunos, o ex-atleta e professor José Florenal da Silva, 59 anos, retorna aos anos 80 para explicar o momento atual do esporte. Ele lembra que naquele período, as corridas de rua em Passo Fundo costumavam reunir um grande número de inscritos. Já na década seguinte, com o surgimento das academias e o modismo da ginástica aeróbica, houve um esvaziamento das provas. “O grande público migrou para as academias. Virou febre. Todo mundo só queria saber de ginástica aeróbica. Agora estamos vivendo um movimento contrário. As pessoas estão voltando a correr na rua” avalia.
Praticando o esporte desde 1988, Fernando Nicolau Camargo, 53 anos, divide a mesma opinião. Ainda jovem, começou a correr para emagrecer e melhorar a performance nas partidas de futebol, acabou virando atleta. “Vejo com otimismo toda esta movimentação. As pessoas estão percebendo os benefícios de um esporte fácil de se praticar. Basta ter vontade”, acrescenta.
Estrutura
A estrutura oferecida pela secretaria municipal de esporte também tem sido um aliado nesta retomada do esporte em Passo Fundo. Nos últimos dois anos, o investimento em tecnologia qualificou a organização das provas. Desde lá, o tempo dos participantes passou a ser cronometrado através de chips. Cada atleta recebe o seu equipamento, que vai preso ao cadarço do tênis. Em pontos diferentes do circuito são colocados tapetes especiais para registrar as marcas. Todo este material é fornecido por uma empresa do Paraná, contratada através de licitação. Chefe do núcleo da secretaria, Janaína Capelari que os chips são descartáveis após cada prova.

As inscrições são feitas gratuitamente pela internet. A cada etapa, a secretaria organiza uma ação social para arrecadar doações dos atletas. “Numa etapa é brinquedo, em outra alimentos, roupas, cobertores, cadernos. Depende a época do ano”, explica o secretário Gilberto Bellaver, o Giba. A quarta e última etapa do municipal será a prova noturna, programada para o dia 25 de novembro.

Mesmo sem um levantamento preciso, professores e corredores são unânimes em dizer que Passo Fundo é a cidade do interior do Rio Grande do Sul com maior número de corredores de rua. A afirmação é baseada pela movimentação nas assessorias, academias, e também de corredores avulsos. A estimativa é de pelo menos 500 pessoas treinando diariamente pelas ruas e pistas da cidade. Os campos do antigo quartel do exército, da Brigada Militar e da Universidade de Passo Fundo são os mais procurados durante toda a semana. “Aqui se proliferou muitos grupos e assessorias. Temos aqueles que correm apenas para manter a forma, mas também temos os atletas de competição, que brigam pelos primeiros lugares” diz Giba.

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