O “até breve” de Renato Portaluppi

Em carta de despedida, ex-técnico exalta seu amor pelo clube

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Renato: “O Grêmio me convoca. Sempre foi assim e sempre vai ser”. Foto–Lucas Uebel-GFBPARenato: “O Grêmio me convoca. Sempre foi assim e sempre vai ser”. Foto–Lucas Uebel-GFBPA
Renato: “O Grêmio me convoca. Sempre foi assim e sempre vai ser”. Foto–Lucas Uebel-GFBPA
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 Nem todas as saídas de treinadores são iguais. No Grêmio, a despedida de Renato é ímpar. Tristeza da própria torcida e indisfarçável comemoração dos torcedores rivais. Renato Portaluppi fechou seu terceiro ciclo como técnico do Grêmio. Um período de cinco com muitas conquistas e até direito a ganhar uma estátua. A estátua permanece, o ídolo dá um até breve. Em carta de despedida, divulgada na manhã de segunda-feira, Portaluppi enalteceu sua paixão pelo Grêmio.

 Convocação

- Quando o meu telefone tocou, em setembro de 2016 e do outro lado da linha estava o Dr. Adalberto Preis, não precisei nem esperar ele terminar de falar. “Estou dentro, Dr. Pode contar comigo que estou voltando”. O Grêmio não me chama, o Grêmio me convoca. Sempre foi assim e sempre vai ser.

Conquistas

- Foram quase cinco anos de muita dedicação, de muito trabalho e, principalmente, de muitas alegrias. Batemos metas muito importantes, recolocamos o clube no caminho das grandes conquistas. Se hoje sou o treinador com mais jogos no comando do clube, e isso é uma alegria que não cabe dentro do peito, devo a muita gente. Ao presidente Romildo, que durante todo esse período esteve ao nosso lado e fez de tudo para que sempre tivéssemos as melhores condições de trabalho. Nos momentos bons e nos momentos de dificuldade, ele sempre estendeu a mão e isso não tem preço.

Meu grupo

- O Grêmio tem um grande grupo de homens. E por falar em grupo, uma das maiores alegrias que eu tive aconteceu no último sábado. Já estava fora da quarentena e à noite, por volta das 21h, tive uma surpresa linda. O grupo inteiro “invadiu” o meu quarto do hotel para me abraçar. Ainda bem que o coração está em dia. Tive de expulsar eles depois da uma da manhã. E ainda queriam fazer churrasco para mim na segunda-feira. Mas aí não vou aguentar. Esse é o meu grupo! Não é fácil ficar quase cinco anos sem ter nenhum problema com jogador.

 Funcionários

- E o que é que eu vou dizer de todos os funcionários do clube? Que saudade que eu vou sentir de cada um deles. As “gringas” do restaurante fazem uma comida maravilhosa e eu estava sempre ali fazendo uma boquinha. Os massagistas, os seguranças, na grande figura do Fernandão, chefe da segurança do Grêmio e da seleção brasileira, pessoal da rouparia, da fisioterapia, todos eles. Queria poder abraçar cada um e agradecer. Preciso fazer um agradecimento especial ao departamento médico.

 “O que eu digo”

- Claro, nem tudo são flores quando você tem um convívio de tanto tempo. Tive de puxar a orelha de alguns, trazer outros para a realidade da vida, mas “é o que eu digo pra vocês”, dentro do vestiário nunca teve crise. Todos os nossos problemas nós resolvemos internamente, com o grupo blindado e sólido o tempo todo.

Fica a estátua

- Quero terminar falando do coração desse clube. A torcida do Grêmio, em especial a Geral do Grêmio, é simplesmente apaixonante. Em momentos de pandemia, a maioria dos estádios está vazia. Mas não a Arena. Ali do lado de fora, mais precisamente na Esplanada, tem alguém que sempre vai encher esse estádio. Posso estar longe fisicamente, mas aquela estátua, que tanto me orgulha, sou eu e vai estar sempre pulsando pelo Grêmio. Obrigado a todos e até breve!

 

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