Propriedades na região de Soledade contabilizam 60 animais mortos

Balanço foi apresentado pela Secretaria estadual de Agricultura. Aumento de casos em relação ao ano passado é considerado dentro esperado por especialistas

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· 2 min de leitura
Doença é causada por um vírus transmitido por morcegos hematófagos

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Dezesseis focos de raiva herbívora foram registrados do Estado este ano, sendo 12 no primeiro trimestre e outros quatro até o dia 8 de abril. Técnicos da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) estão acompanhando a situação na região de Soledade, que tem quatro focos registrados. A incidência da raiva herbívora este ano abrange nove municípios. Na região de Soledade, municípios como São Valentim, Muçum, Ibirapuitã, Tio Hugo e Mormaço já registraram mais de 60 animais mortos, em 12 propriedades. “Nossa orientação aos pecuaristas é que, se constatarem marcas de mordidas em animais, procurem o serviço de vigilância em saúde municipal e comunique a Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima”, afirma o secretário Covatti Filho.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, que teve sete casos, houve maior registro de casos, mas considerado dentro do esperado pelos técnicos, já que a circulação de animais portadores da doença é permanente. As causas do aumento podem ser várias, como alagamentos, desmatamentos e queimadas, entre outros fatores que causam desequilíbrios ambientais.

Controle
O controle da raiva herbívora está fundamentado em três medidas, que devem ser adotadas de forma sistemática: vacinação, controle populacional do morcego hematófago Desmodus rotundus (principal transmissor desta enfermidade) e atuação em focos.
A partir de uma comunicação ao serviço oficial, registrando a ocorrência de agressões por vampiros aos animais e presença de animais com sintomatologia nervosa, desencadeia-se uma série de ações, visando o diagnóstico situacional, baseando-se na leitura de mordeduras. Confirmado laboratorialmente o foco de raiva, trabalha-se no sentido de fora para dentro do foco (centrípeta), numa distância de 10 a 15 quilômetros seguindo-se cursos d’água, cadeias de montanhas, a fim de determinar a progressão do foco. Nesta área, através da leitura de mordeduras, determina-se a taxa de agressão, vacinação massiva dos animais, revisão de todos os refúgios cadastrados, localização de novos refúgios, captura e combate de morcegos hematófagos, colheita de materiais (cérebros) e espécimes de morcegos para diagnóstico laboratorial, educação sanitária através de reuniões, palestras, rádio, folders, cartazes, etc. Estas atividades visam conter o foco e interromper sua progressão.


Orientações
Caso sejam constatadas marcas de mordidas em animais, os produtores devem procurar a Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima. Os endereços podem ser consultados clicando aqui. (https://www.agricultura.rs.gov.br/enderecos-de-regionais-e-ida-s) O analista ambiental André Witt, da Seapdr, orienta os proprietários que tiveram contato com o animal doente, num perímetro de 10 quilômetros (delimitado como área do foco), a procurarem a vigilância em saúde do seu município para avaliação do quadro. A vacina contra a raiva em humanos é gratuita e está disponível nos postos de saúde.


Em 2018, o Rio Grande do Sul contabilizou 34 focos de raiva em 24 municípios. As ocorrências estão dentro da normalidade dos registros históricos observados no Estado nos últimos 10 anos. O último caso de raiva humana no Rio Grande do Sul ocorreu há 37 anos. A Seapdr é responsável pelo controle populacional de morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue), autorizada por instrução normativa do Ibama de 2006.

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