Amor e educação lado a lado

Diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Cohab Secchi há oito anos, Daniela Patussi sente que nasceu destinada a ser educadora

Escrito por
,
em

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

É comum ouvir de quem sente que nasceu para exercer determinada profissão a frase “eu não saberia ser outra coisa”. O amor inexplicável, que aparece como o único caminho possível para unir paixão e trabalho, é capaz de superar qualquer obstáculo da profissão escolhida. Sentimentos assim seguiram a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Cohab Secchi (CAIC), Daniela Patussi, desde a infância. “Sou professora há 20 anos e acho que nasci para isso, nunca consegui me enxergar em outra carreira”.

Vinda de uma família inteira de professoras - desde sua mãe e suas tias até suas irmãs -, Daniela sentia o dom pela educação puxá-la pela mão desde quando era criança e, junto com as irmãs Carolina e Camila, acompanhava a mãe Salete Patussi pelas escolas em que trabalhava. “Eu me criei dentro de colégios, estava pendurada na minha mãe para lá e para cá, e desde essa época eu já queria ser professora. Eu tinha um quadrinho em casa quando era criança e minha diversão era dar aula para as minhas irmãs e assistir elas dando aula para mim”, conta. A certeza de que aquilo não era apenas um passatempo, no entanto, veio somente anos mais tarde, ao concluir o ensino médio. Para realizar o desejo da mãe, que não queria que a filha passasse pela mesma falta de valorização que ela própria passava como professora, Daniela prestou vestibular para o curso de Direito. A aprovação, porém, não foi acompanhada de risos e comemorações. Daniela voltou para casa chorando. “Meu pai, que era militar, perguntou o que havia acontecido e por que eu estava chorando. Expliquei que não era Direito o que eu queria cursar, que eu queria fazer História e ser professora, mas minha mãe não deixava. Aí meu pai falou ‘não, nós vamos voltar na universidade e você vai reoptar por História’”, relembra.

Assim, finalmente tendo apoio da família, Daniela graduou-se em História e, posteriormente, se especializou em Gestão Escolar. Hoje, atua como gestora em escola há 12 anos. Somente no CAIC, já são oito anos de história como diretora e outros quatro como coordenadora pedagógica, além de outras escolas em que atuou dentro da sala de aula. “Ultimamente está desvalorizada, mas é uma profissão apaixonante. Você conhece a vida das pessoas e acaba se envolvendo com os alunos. Sou feliz com a profissão que escolhi e, embora eu goste muito da parte de gestão, eu também adoro a sala de aula. Me sinto bem com os alunos e acho que eles são um ânimo para a gente. Muitas vezes, percebemos que eles têm uma vida muito difícil e nós não valorizamos a vida que temos. Eles mostram que temos que lutar por eles, porque tenho certeza que alguns alunos só têm a nós. Eles têm no professor uma referência de ser humano, de civilização, de educação. Em casa, às vezes falta essa estrutura”.

Por cidadãos melhores

No dia-a-dia como educadora, Daniela diz que tenta ajudar a construir cidadãos melhores. “Não é nem um bom aluno em termos de notas, mas que ele saiba respeitar, que ele reveja valores. Eu acredito que está se perdendo muito disso na sociedade de hoje. Não é sobre escrever, ler ou fazer contas bem. Claro que é importante, mas não adianta ser muito bom nisso tudo e usar para o mau. O que a gente tenta é mostrar para eles a valorização do ser humano, mostrar que eles são seres humanos importantes e que devem fazer a própria parte no mundo para que as coisas melhorem, que eles exercitem a cidadania”, opina. Segundo a diretora, é fácil notar que muitos alunos vão para a escola sem esse tipo de referência, sem cultivar valores ligados ao respeito, e, por isso, os professores devem lutar diariamente contra essa inversão de valores, a fim de resgatar neles esses sentidos enquanto ainda são jovens.

Para isso, Daniela acredita que é fundamental reinventar-se e caminhar lado a lado com a tecnologia. “Até pouco tempo atrás, a tecnologia era vista como nossa concorrente. Claro que com um celular na mão, eles pesquisavam tudo lá. Então tivemos que achar estratégias para tornar ela a nossa aliada”. Mesmo a passos lentos, os professores da CAIC têm percebido que estão conseguindo alcançar este objetivo com a ajuda da direção. O que antes era proibido, agora é incentivado a favor da educação. “A gente fala ‘vamos pesquisar tal coisa juntos’. Assim, ele sabe que pode usar e para o bem. Quanto mais a gente proíbe, parece pior. Agora, nós usamos o laboratório de informática para pesquisa e propomos trabalhos sobre determinado assunto, por exemplo. Não é um processo fácil, a concorrente é forte, mas a gente continua tentando”.

Além disso, a CAIC luta para ampliar o poder da educação por meio de parcerias mais dinâmicas, como com alunos dos cursos de Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF), policiais federais e guardas municipais de trânsito, para tratar de assuntos como sexualidade, doenças, drogas e trânsito. “Penso que seja um diferencial na minha gestão. Eles têm perguntas que como professores temos dificuldade em responder. Então, com os profissionais, podemos sanar as dúvidas deles. Eles conseguem atingir coisas que os professores não conseguem. Como eles são especializados, eles separam os alunos por meninas e meninos e deixam que eles perguntem livremente tudo que querem. Isso é muito bom porque conseguimos evitar muitas coisas indesejadas, gravidez na adolescência, por exemplo, ou doenças, o que é muito pior”, explica a diretora.

 Família

Em meio à rotina corrida de quem administra uma escola com mais de 500 alunos, Daniela destaca que a família é fundamental. Um porto seguro. “Não poderia deixar de falar deles. Tanto do meu filho Antônio Augusto, de 14 anos, quanto do meu marido, Flávio Antônio, com quem sou casada há 23 anos. A família hoje é tudo para mim, meu apoio, o cerne para onde posso voltar. Me dá ânimo para recomeçar todos os dias. Levantamos fortes de novo, apesar da luta no dia anterior. Por eles, por nós, pela família”.

 

Gostou? Compartilhe