Mais atenção para Passo Fundo

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O prefeito Luciano Azevedo cobrou do governo do Estado mais atenção ao município de Passo Fundo e região e pediu que a secretaria estadual da Saúde informe com clareza sobre o número de testes aplicados em cidades do mesmo porte. No entendimento do prefeito, o município está testado muito mais do que outras cidades e por isso aparece em segundo lugar na lista com mais casos no Estado.  A região tem média 87 pessoas testadas para cada 100 mil habitantes, enquanto Passo Fundo, quase o dobro: 170 para 100 mil habitantes. Não é factível, segundo o prefeito, acreditar que Caxias do Sul, bem maior do que Passo Fundo, tenha um número menor de casos, já que as medidas restritivas foram adotadas por quase todas as cidades ao mesmo tempo. 

Recursos

De outra parte, o prefeito revelou que conversou com o governador Eduardo Leite em apenas um momento desde o início da crise causada pela pandemia no Estado e foi por videoconferência. Participaram da conversa a secretária municipal da Saúde, Carla Gonçalves e o diretor médico do HSVP, Adroaldo Malmann. Na ocasião, o prefeito pediu ao governo que tivesse um olhar diferenciado para Passo Fundo no que se refere a distribuição de recursos. O município é polo em saúde e atende a mais de 200 municípios e uma população de 2 milhões de pessoas. Não pode receber o mesmo que um hospital de cidade menor. 

Resposta

Diante das falas do prefeito Luciano, o governo tratou de dizer que foram instalados 10 leitos no município de maneira antecipada, com recursos oriundos do MS, no valor de R$ 1,4 milhão. Leitos que foram instalados no HC. Também informa que a cidade recebeu 47 mil máscaras, 39 mil luvas e mais R$ 1,5 milhão aportados pelo MS em abril.

Disponibilidade

O prefeito tem razão em exigir um olhar diferenciado para Passo Fundo, que é referência para tratamento da Covid-19. Os dois hospitais, HSVP e HC, deixaram de atender os casos eletivos, internações e cirurgias para disponibilizar leitos e toda a força técnica e de trabalho no atendimento de casos do coronavirus. Isso representa abrir mão de receita, gerando uma dificuldade ainda maior do que vinham enfrentando na gestão das instituições hospitalares. A conta será paga depois que a pandemia passar. E quem vai pagar essa conta?

Redução de receita 

Superintendente administrativo do HSVP, Ilário de David disse que o hospital mudou completamente sua rotina do dia para a noite. Num primeiro momento, segundo ele, as medidas de contingenciamento do Estado pediam 5 leitos de UTI e 10 ou 20 de internações. Na prática, hoje, o hospital inteiro está direcionado para atendimento de casos do coronavirus. Ocupação com outros casos é de 30% a 40% da capacidade instalada (maternidade, UTIs neonatal e algumas emergências). Isso representa uma queda de 60% no seu faturamento.  Ao mesmo tempo em que reduz receita, não pode reduzir recursos humanos, essenciais no enfrentamento da pandemia. 

Capacidade

Não é diferente no Hospital de Clínicas. O administrador Luciney Borher disse que a capacidade ocupada hoje é de 30% e que a receita já caiu 40%. Segundo ele, o hospital precisa de um faturamento diário de R$ 547 mil, mas vem faturando, nas últimas semanas, em torno de R$ 150 mil. As campanhas para os dois hospitais e doações de empresas são importantes, mas não  suficientes para sobrevivência futura, caso não haja um aporte público de recursos. 

Ajuda

A situação das instituições hospitalares de Passo Fundo não é diferente de outros hospitais do país. O Congresso Nacional deve aprovar projeto que vai garantir que os hospitais recebam os mesmos valores do SUS nos meses da pandemia, mesmo sem cumprir as metas dos contratos. “Ajuda, mas não será suficiente”, alerta Ilário.  A outra ajuda está na portaria do governo do governo do Estado, publicada ontem, que permitirá a retomada gradual dos atendimentos eletivos dos hospitais. O problema é o passivo que fica para trás. 

Pandemia política

O presidente Bolsonaro fritou o ex-ministro Mandetta, porque o Ministério da Saúde estava melhor avaliado que o próprio presidente. Agora chegou a hora do ministro Sérgio Moro. E as razões são bem simples: a Polícia Federal, cujo comando está para ser trocado pelo presidente, é o órgão que vai auxiliar a PGR investigar as criminosas manifestações pedindo a volta do regime militar e o AI-5. E também é de responsabilidade da Policia Federal investigar a criminosa enxurrada de fake news que, já se sabe, parte do gabinete de ódio articulado pelos filhos do presidente. Intervenção direta e inescrupulosa em órgão de Estado que deve servir ao Estado e não ser controlado pelo presidente. Tudo isso em plena pandemia do coronavírus. 

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