Teclando - 27/05/2020

O soldado do passo certo

Escrito por
,
em

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

O soldado do passo certo

Durante minha infância, didaticamente, minha mãe utilizava uma historinha para um paralelo com a minha conduta. Contava que duas amigas assistiam ao desfile militar quando uma perguntou qual era o filho da outra. A resposta da mãe foi enfática: “aquele do passo certo!” É uma narrativa verdadeira e sempre atual, pois o amor de uma mãe provoca uma cegueira, uma paixão que muitas vezes não permite o senso crítico ou outra leitura daquilo que está enxergando. Para ela, ao considerar errados todos os outros, o seu filho está sempre certo. A paixão política e o radicalismo também cegam. Não permitem senso crítico ou uma verdadeira interpretação, uma leitura do que estão vendo. Então, assim como para aquela mãe do soldado, todos os outros estão errados. O único certo é aquele a quem defendem com unhas e dentes.

Com essa interpretação, além de considerados como errados, todos os outros também passam a ser vistos e tratados como inimigos. Basta um lapso para que os amigos de ontem sejam as ameaças de hoje. Nessa interpretação pelo ângulo singular, a humanidade é associada aos eternos perigos calcificados em suas moldadas imaginações. E aí, diante de um obtuso olhar propiciado pela viseira semelhante à paixão daquela orgulhosa mãe, o balaio dos inimigos começa a transbordar. E o mundo, quando não está errado, também é uma ameaça. Um perigo pelo passado, um risco pelo presente e um temor pelo futuro. Todos os outros devem alinhar-se ao seu presumido prodígio. Ora, por que aquele que marcha como manda o pensamento unilateral materno iria trocar o passo? Então, que todos os outros mudem a passada. Todos estariam errados. E no mundo todo. Inclusive Sua Santidade, o Papa!

Boka

A volta dos restaurantes é um grande passo num adequado processo rumo à normalidade. Recebi do Edu as imagens do Boka na noite de segunda-feira. Diferente, é claro, mas seguindo as exigências decorrentes do momento. A responsabilidade é grande e os cuidados redobrados. Vivemos uma situação inusitada. Isso requer drásticas mudanças de comportamento que nos acompanharão por muito tempo. Aos poucos vamos aprender a conviver de uma maneira diferente. A pandemia, certamente, deixará muitas lições, mudará hábitos, conceitos e condutas. A primeira delas é lavar bem as mãos.

Lives

Lives e mais lives. Live e quarentena já são sinônimos. Não assisto nada, pois não sobra tempo. É o trabalho, acompanhar notícias e tarefas domésticas. E bota tarefas nisso. Mal terminou de limpar algo, já tem mais para lavar. Então, para mim live é uma abreviatura de limpa e lava. E a bagunça não acaba nunca.

Tolerância

Nem na velha (e respeitável) zona do meretrício ouvia palavreado tão vulgar. As prostitutas eram apenas profissionais. E bem educadas, mesmo de origem humilde, não representavam interesses obscuros e não faziam ameaças à coletividade. A zona do meretrício não existe mais. Agora até parece que o meretrício é palaciano. Chulo, obscuro, insano e ofensivo. Então, peço permissão para uma expressão sincera e adequada: as prostitutas não merecem essa comparação. No mínimo, merecem que lhes ofereçam uma bebida. Pode ser uma Cuba Libre! Bons tempos em que a zona era apenas uma tolerância e havia respeito recíproco. E os gestos eram perfeitamente condizentes com a função.

Sem extremos

Em plena pandemia, temos uma luta entre incrédulos e crentes. Os extremos resultam em entraves sanitários. Não quer ajudar, tudo bem. Mas, por favor, não atrapalhe. Lave as mãos, não repasse mentiras e não espirre ódio.


Trilha sonora

Para escutar aquilo que não ouço nas concessões por aqui concedidas, dou um pulo à Ucrânia através da Radio Relax. Lá encontrei a banda belga Vaya con Dios –I Don't Want To Know



Gostou? Compartilhe