OPINIÃO

O legado da pandemia para a construção civil

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A pandemia ligou vários sinais de alerta sobre a forma com que levávamos as nossas vidas até então. A iminência constante de contaminação pelo novo Coronavírus nos deixou mais cautelosos, limitou nossa convivência social e consequentemente tem provocado profundas mudanças em nossos hábitos e preferências individuais. Mudanças essas que devem ser absorvidas rapidamente pelo mercado da construção civil, seja mudando o perfil dos produtos ou incluindo novas soluções. 

Uma pesquisa realizada pela Molegolar com apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e outras entidades do segmento, mostra que 28% dos entrevistados pretendem mudar de imóvel, a maioria para um imóvel maior. O home office foi apontado na pesquisa como um dos espaços que mais fizeram falta durante a pandemia e deve ser um dos itens decisivos para a escolha do próximo imóvel. Isso porque as medidas de restrição adotadas pela maior parte dos estados fez com que profissionais e empresas de várias áreas da economia pudessem experimentar a eficácia do trabalho remoto e até mesmo adotar o modelo de forma permanente. Dos entrevistados, 54% deverá seguir em home office, mesmo que de forma parcial, demandando de 1 a 2 postos de trabalho por imóvel.  

Espaço para a prática de exercícios físicos já é uma realidade na maioria dos novos empreendimentos, mas também é uma preferência que deve se fortalecer após a pandemia. A maioria dos entrevistados (58%) revelou ter preferência por espaços específicos nas áreas de uso comum do condomínio para a prática de atividades aeróbicas, de musculação ou funcionais. Interessante notar que se tivessem que reduzir alguns ambientes para que isso fosse possível, a maioria reduziria áreas sociais como salão de festas, por exemplo.

Além disso, a atual movimentação do mercado imobiliário, já sinaliza um novo perfil de imóveis preferido pelos consumidores. A busca por imóveis mais amplos, com sacada, bem arejados e com vista ampla deve moldar os próximos lançamentos justamente por contribuírem para uma melhor qualidade de vida dos moradores. Ao que parece, quanto melhor o empreendimento, maior será a exigência do público por essas características.

Outros diferenciais ainda pouco explorados pelo mercado imobiliário devem ser melhor observados pelas construtoras para sanar as novas necessidades do pós-pandemia. Soluções voltadas, por exemplo, a melhorar experiências popularizadas pela pandemia, como é o caso do delivery de refeições que aumentou a demanda em 250%. Para facilitar a entrega sem contato físico, os novos empreendimentos devem contar com espaços térmicos individuais, específicos para o armazenamento de alimentos quentes ou frios. Outra solução que deve ser incorporada em breve para facilitar a entrega de encomendas são os droneports, pistas exclusivas para o pouso de drones. Essa é uma tendência que está mais próxima do que parece. Há poucas semanas a Anac (Agência Nacional Aviação Civil) autorizou o iFood a realizar testes de entregas de comida por meio de drones. Um passo bem grande que deve transformar a nossa experiência de consumo. 

Olhar para essas mudanças como grandes oportunidades é a maior responsabilidade das empresas que atuam no ramo da construção civil. Ao incorporar soluções modernas e criativas aos projetos, não só estarão adequando os empreendimentos às novas demandas dos consumidores como também estarão contribuindo para uma nova realidade que tem tudo para ficar. 


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