OPINIÃO

Conjuntura Internacional

Por
· 2 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

A falência do sistema multilateral e da governança da Organização Mundial da Saúde (OMS) em lidar com a crise do Covid-19 restou clara: sobrou às grandes potências buscarem freneticamente, cada uma por si, a vacina. A corrida pela mesma não apenas representa a possibilidade de cura, mas é o marcador principal de uma virada à normalidade econômica, no mundo. Basicamente, quatro projetos distintos buscam a proeminência na resposta ao vírus: o americano, o chinês, o britânico e o russo, todos já em estágio avançado.

Projeto americano 

Já dispôs de alguns bilhões de dólares com grandes farmacêuticas do país, visando garantir todos os lotes iniciais aos seus populares, mas apostando também no célere projeto inglês, do qual Trump mira a possibilidade de uma “autorização para uso emergencial” antes mesmo das eleições presidenciais de novembro.

Projeto chinês 

Visa dois objetivos. O primeiro é a tentativa de amenizar a sua responsabilidade em ter atrasado as informações sobre o Covid-19. O segundo é o financiamento bilionário aos países em desenvolvimento para a compra de suas vacinas.

Projeto britânico 

Guarda a possibilidade de compartilhamento de doses com outros países. A parceria com a Universidade de Oxford e o laboratório anglo-sueco AstraZeneca parece promissora, com a possibilidade de aprovação final ainda neste ano. A vacina já está sendo testada no Brasil, em parceria com o Governo Federal.

Projeto Russo 

O projeto russo ainda é o mais desconhecido de todos. O recente anúncio do Governo sobre a vacina Sputnik V, em que pese a assertividade de Putin, tem gerado muitos questionamentos da comunidade científica internacional. A Rússia quer ter um papel de liderança no tabuleiro geopolítico euroasiático e a vacina é ingrediente relevante.

Fracasso multilateral 

A aceleração das pesquisas, para atender o apetite geopolítico, ainda deverá lidar com a incerteza sobre os efeitos adversos da vacina e as consequências jurídicas decorrentes disso. Enquanto isso, os quatro projetos buscam, cada um ao seu modo, a liderança geopolítica no combate ao Covid-19. Os EUA querem esgotar internamente todas as doses, no modelo “America First”. A China quer ser uma “potência humanitária”, criando mais dependência comercial aos seus parceiros. O projeto britânico visa demonstrar a liderança do Reino Unido após o Brexit, reafirmando um novo papel na geopolítica. A Rússia, com sua Sputnik V, lembra propositalmente a sua corrida espacial, buscando certa liderança euroasiática.

Brasil 

O Brasil, por seu turno, restou escolher entre os projetos existentes. No âmbito nacional investiu na parceria Oxford/AstraZeneca, que prevê 100 milhões de doses. O primeiro lote, de 15 milhões de vacinas, tem previsão para chegar ainda neste ano, caso a vacina tenha aprovação final e possa ser produzida pela Fiocruz. No âmbito Estadual, o Governo de São Paulo investe no projeto da vacina chinesa, em conjunto com o Instituto Butantan, que irá testar e produzir.   

Gostou? Compartilhe