OPINIÃO

Nossa casa já não é mais a mesma

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A casa sempre teve como funções básicas abrigar e proteger seus moradores dos riscos externos. Porém, com o passar do tempo, fomos agregando outros significados ao lugar onde moramos. Houve uma época, por exemplo, em que as casas precisavam ser espaçosas o suficiente para abrigar as numerosas famílias que se reuniam toda a semana em torno dos tradicionais almoços de domingo. Naquela época, além de abrigar e proteger, a casa parecia exercer a função de elo entre pessoas que tinham como rotina se reunir para compartilhar bons momentos em família. 

Mas, com o passar do tempo, as famílias foram diminuindo de tamanho, o tempo foi encolhendo na mesma proporção, o cotidiano ficando mais agitado, as prioridades foram mudando e as reuniões familiares que antes eram mais frequentes foram enquadradas ao calendário de datas comemorativas. Para caber no novo estilo de vida de seus moradores, as casas foram diminuindo de tamanho e passaram a atender um novo requisito fundamental: a praticidade. Quanto menor o imóvel, menor também as despesas e maior a disponibilidade para sair, viajar, conhecer gente nova, novos lugares. Uma liberdade que por muito tempo influenciou o mercado imobiliário, aquecendo principalmente a locação de imóveis e a aquisição de opções mais compactas. Afinal, por que “se prender” a um só lugar com um mundo de possibilidades logo ali, tão próximo de nós?

Este ano tem mostrado este porquê. Mais uma vez, a casa onde moramos mudou de função. Na verdade, os efeitos da pandemia do novo Coronavírus ajudaram a resgatar todo o sentido de proteção que uma casa pode proporcionar. Em determinado momento ela inclusive foi vista como o único lugar possível para estar em plena segurança, longe de qualquer contaminação. Tudo se voltou ao lugar onde moramos, inclusive o trabalho. No meio disso tudo fomos obrigados a olhar para ela com mais carinho, tivemos que reconhecer o seu real valor, suas qualidades e (por que não?) seus defeitos. Tivemos que readequar nossas rotinas, redesenhar nossos planos e colocamos a casa no centro das prioridades novamente. Algumas pessoas viram que o lugar onde moravam não comportava mais a nova realidade e, por isso, decidiram mudar. Mudaram para lugares mais espaçosos, mais arejados, com espaços ao ar livre, na busca por recuperar pelo menos parte da liberdade que foi limitada.

Outras pessoas perceberam que além da segurança física a casa também poderia proporcionar maior segurança patrimonial para encarar mais um grave efeito da pandemia que é a crise econômica. Neste contexto, o imóvel passou a ser visto pelos investidores como uma boa chance de dar um destino mais rentável e seguro ao patrimônio financeiro. Já para o consumidor final, a chance de adquirir algo para finalmente chamar de seu despontou como algo imperdível. Também pudera! As taxas de juros despencaram, o poder de compra das pessoas aumentou e a contratação de financiamentos imobiliários subiu muito se comparado aos últimos anos. Só no primeiro semestre os valores destinados ao financiamento de imóveis aumentaram 28,6%,em relação a 2019, época que sequer poderíamos imaginar o que estava por vir.

Tudo isso ajudou o mercado imobiliário a expandir e tem nos mostrado que a casa merece mais nossa atenção. Porque independente do momento ou da função que ela for exercer em nossas vidas é para lá que sempre iremos voltar.

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