OPINIÃO

Jornais: fontes inestimáveis para a pesquisa histórica

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Para a última coluna de 2020 apresentamos aos leitores uma síntese histórica de dois jornais editados na cidade de Getúlio Vargas: “O Erechim” e “Chico Tasso”. O primeiro, lançado no ano de 1919 por Candido Cony, se intitulava como Órgão do Partido Republicano Riograndense, e deixou de ser editado no início da Guerra Civil de 1923. O segundo veio a lume em 16 de outubro de 1949, quando das comemorações do 15º aniversário do município, e teve apenas 17 edições.


Que 2021 seja de sonhos alcançados e projetos realizados.

 

O primeiro jornal impresso na região Norte do RS

A importância econômica de Erechim, então 2º Distrito do município de Boa Vista, pode ser mensurada por ser a única comuna entre Passo Fundo e os Rios Pelotas e Uruguai, a possuir um jornal. Semanário com circulação as quintas-feiras, O Erechim se intitulava como “Orgam Republicano”, portando alinhado com o Partido Republicano Riograndense comandado por Antônio Augusto Borges de Medeiros. Lançado no mês de junho de 1919, O Erechim tinha como diretor e gerente Candido Cony, que posteriormente recebeu a patente de Major, homenageado após a morte com nome de rua.

A leitura dos poucos exemplares ainda preservados revela o espírito noticioso do jornal. Na edição do dia 19 de agosto de 1920, a capa da edição de quatro páginas apresentava a Lei Orçamentária Municipal 1920 – 1921. Com a manchete “Pelos Municípios” uma sinopse de notícias de Rio Pardo, Cachoeira, Passo Fundo e Santo Angelo. E como não poderia deixar de ser, de Boa Vista, sede do município. Na página dois da mesma edição a informação que dentro de pouco tempo seria aberta no povoado uma bem montada casa de ferragens, a Antônio Scussel & Cia.

A contar da edição 130 o semanário deixou de ser impresso por um período para ressurgir no dia seis de agosto de 1922. Na nova fase O Erechim se apresentava aos assinantes e anunciantes como “Folha Independente – Comercial – Noticiosa”. Candido Cony permanecia como diretor e Cicero Faria gerente. A vida social, religiosa, política e econômica, bem como os editais de proclamas assinados por Arnaldo Hintz, do Registro Civil e de Casamentos do 2º Distrito do Município de Erechim eram registradas nas suas páginas. 

A circulação foi interrompida no ano de 1923, quando da Guerra Civil entre os seguidores de Borges de Medeiros e Assis Brasil. Os principais acontecimentos do período foram registrados pelos seus redatores. Mereceu destaque as comemorações do 1º Centenário da Independência do Brasil, a 1ª Exposição Municipal do Erechim, realizada em Paiol Grande e alusiva ao 1º Centenário.

Além da venda avulsa e de assinaturas, o periódico se manteve graças aos reclames, como eram chamados os anúncios publicitários. Eles revelam o dinamismo da economia local representada entre outros pelas casas comerciais, hotéis, profissionais liberais como contabilistas, advogados, dentistas e médicos. De igual modo das farmácias e os anúncios dos laboratórios farmacêuticos e seus remédios para tosse, doenças do útero, sífilis, entre outros.

 

Com apenas 17 edições, Chico Tasso marcou época

No dia 16 de outubro de 1949, domingo, um novo jornal entrava em circulação no município que em menos de dois meses completaria 15 anos. Para que não pairassem dúvidas sobre os responsáveis pelo periódico os nomes de Oscar Six e Hermes Medeiros Soares estava estampado na capa.

O estilo satírico não foi empecilho para o uso da linguagem culta dos redatores. De igual modo dos que utilizavam pseudônimos de Ralupo, Serrano, Chico Tasso. E ainda os correspondentes dos distritos de Erebango e Ipiranga do Sul. As notas sociais, com destaque para os aniversários, casamentos, bodas, nascimentos, batizados, bailes, homenagens, almoços e jantares eram assinadas por Conrado.

A notícia sobre inauguração da Nova Igreja Matriz dividiu a capa da edição número três, de 30 de outubro de 1948, com as de um suicídio, e de excesso de velocidade nas vias públicas. A inauguração “marcada para a data de 4 e 5 de fevereiro do próximo ano santo de 1950”. A nota sobre o suicídio de uma mulher de 24 anos, casada, e residente na Estação Getúlio Vargas, detalhava que a mesma “dera término de sua existência jogando-se aos trilhos da Viação Férrea no momento em que passava o Direto Paulista, das 06h30min horas do dia 25 do corrente”. E a última, alertava que o Delegado de Polícia Mauro Mota estivera na redação informando que “exercerá severa vigilância a fim de coibir de uma vez por todas com o abuso de certos motoristas”.

Na derradeira edição de número 17, que circulou no dia 29 de janeiro de 1950, Chico Tasso assinava uma nota justificando o encerramento da edição do periódico. Arguiu entre outros “a falta de compreensão de muitos e seu desinteresse por tudo que possa elevar a mentalidade getuliense”. E também agradecendo “aos nossos amigos que moral e materialmente nos auxiliaram”.

 

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