OPINIÃO

Teclando - 06/01/2021

Sputnik

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· 2 min de leitura
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Sputnik

Lá pelo comecinho dos anos 1960, ainda estávamos imunes à televisão e os nossos olhares ficavam entre o céu e a terra. A Guerra Fria, que contaminava o planeta, chegava aos céus com a corrida espacial. A disputa de beleza entre URSS e EUA propiciou um espetáculo gratuito que os terráqueos observaram a olho nu. Mas, como os soviéticos saíram na frente, ninguém falava em satélite. Era Sputnik, nome dos primeiros satélites lançados pelo Leste Europeu. Quando olhávamos para o céu, já sabíamos onde estava o Cruzeiro do Sul, as Três Marias e outras constelações. O céu nunca foi um limite. O céu sempre foi uma janela para o Universo. Na rua, junto aos vizinhos, ficávamos de olho no céu esperando o Sputnik passar. O primeiro que localizava a nave espacial apontava para o local, atraindo todos os olhares para onde o seu dedo indicava. A imagem do satélite era semelhante à de uma estrela, porém tinha o movimento da sua órbita. E o espetáculo resumia-se à sua rápida passagem.

Emocionante! Poucos não ficavam com os olhos marejados. Aqui embaixo imaginávamos que lá em cima, desbravando o desconhecido, estava Yuri Gagarin. Aquele pontinho luminoso em movimento representava muito, provocava lágrimas e trazia esperança para a humanidade. Esperança? Sim. Esperança de que o desenvolvimento tecnológico, assim como os foguetes, também impulsionasse a evolução do ser humano. Apesar de alguns torcicolos, entrávamos em casa com a alma enxaguada. Hoje, quando a tecnologia coloca o mundo na palma de nossas mãos, constato que ainda persiste aquela mesma esperança. De fato, houve um inimaginável desenvolvimento tecnológico, mas a humanidade ainda não entendeu os mistérios que estão entre o céu e a terra. A exceção dos apaixonados na plenitude do seu amor, ninguém mais olha para as estrelas no céu. É o encontro gratuito que temos com o Universo para refletir, compreender e evoluir. Assim, ainda vigora a esperança despertada pelo Sputnik.

Genocídio seletivo?

Tem alguns por aí que, além de fazerem campanha contra a vacina, sequer utilizam máscaras e estimulam o desrespeito ao isolamento social. Ora, não querem a população protegida e ainda incentivam a contaminação. Isso seria um genocídio seletivo? Como a maioria dos mortos são os aposentados, até parece que desejam eliminar gastos com pagamentos de benefícios. Esquecem-se, no entanto, que a diminuição de recursos em circulação afetará diretamente seu próprio bolso. A maldade sempre tem retorno!

Curso sobre lixo

Contamos com coleta seletiva de lixo em Passo Fundo. Isso é ótimo. Resíduos orgânicos nos contêineres alaranjados, material reciclável nos azuis. Simples assim! Mas poucos (a minoria) separam o lixo e depositam no recipiente adequado. Será que não aprenderam distinguir os resíduos para separá-los? Ou não conseguem distinguir as chamativas cores dos contêineres? Aposto que é única e exclusivamente falta de educação. Então, diante desse quadro, poderiam ser implantados cursos sobre o manuseio adequado do lixo. Ou, como sempre o bolso fala mais alto, instituir multas para quem não separar e depositar adequadamente.

Inversão

A política virou seita.

As seitas se transformaram em palanques eleitorais.

Iracélio

Enquanto não recebe a vacina no braço, Iracélio não tira a vacina da cabeça. Discutindo com o Ricardo e o Camargo na mesa dois do Oásis, esbravejou em tom imunizante. “Vê se pode. O gado que vacina o seu rebanho não quer tomar vacina. Estão com medo que apareçam as guampas? Só pode, né? Bando de chifrudos”. Tem lógica, Iracélio. Parece mesmo o fim da picada.

Trilha sonora

Tema de “2001 - Uma Odisseia no Espaço”. De Richard Strauss com a Orquestra Filarmônica UniCesumar - Also Sprach Zarathustra


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