Campanha incentiva mulheres a denunciarem violência doméstica em farmácias

Escrito por
,
em
Divulgação/ON

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

Mulheres vítimas de violência doméstica poderão pedir socorro junto a farmácias de forma silenciosa e sem chamar atenção de seus agressores. Ao mostrar para o atendente ou farmacêutico um X vermelho na palma da mão - escrito com batom, esmalte ou caneta, por exemplo -, ele irá entender se tratar de uma denúncia e acionará a Polícia Militar. Com a adesão de quase 10 mil farmácias, a campanha Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica é uma idealização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e foi lançada nos canais do YouTube das duas instituições, na manhã desta quarta-feira (10), com a participação do Ministro da Justiça e da Segurança Pública do Brasil, Dr. André Mendonça.

Segundo a Conselheira do CNJ, Dra. Maria Cristiana Ziouva, a campanha é uma resposta ao crescente número de casos envolvendo violência doméstica durante o período de isolamento social. "A perda do emprego, o aumento do consumo de bebidas alcoólicas e a diminuição das condições econômicas em associação à convivência forçada são fatores que contribuem para o aumento das tensões nas relações domésticas e familiares", analisa.

Para ela, o contexto dificulta o acesso da vítima a canais oficiais de denúncia ou a pessoas de sua confiança que poderiam ajudá-la. "Nesse sentido, essa é uma campanha de caráter humanitário e de solidariedade social, mas muito simples, pois basta um X vermelho na mão da vítima para que outra pessoa compreenda a situação", complementa.

Para a presidente da AMB, a Magistrada Renata Gil, mulheres estão morrendo porque não conseguem denunciar, não conseguem buscar pelas Deam - Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher. "Os números são tristes no país e no mundo e têm crescido a medida que o isolamento continua", afirma ela, citando estados como o Acre e o Maranhão, onde casos de feminicídio aumentaram em 300 e 150%, respectivamente. Ela lembra, no entanto, que outras medidas como a da campanha também tem mobilizado Executivo e Judiciário. "Está sendo editada uma lei para que a Polícia Militar priorize atendimentos de casos de feminicídios e estupros", revela.

A Vice-Presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia (CONCPC) na Região Sul e coordenadora do Fórum Permanente de Enfrentamento à Violência contra Mulher, delegada Nadine Tagliari Farias Anflor, também participou do lançamento da campanha. Chefe de Polícia do Estado do Rio Grande do Sul, Nadine celebra a iniciativa. "É preciso diminuir o número de casos subnotificados (aqueles que não chegam ao conhecimento da Polícia) e ampliar as formas de combate à violência doméstica, de maneira simples e desburocratizada, assim como nos mostra a campanha", elogia.

Para o Ministro Mendonça, que também elogiou a iniciativa, é preciso uma atuação mais efetiva no combate a esse tipo de violência que, normalmente, passa desapercebida pelas políticas públicas. "Nossa ideia é fazer projetos e planejamentos de segurança pública para proteção dessa população mais vulnerável, tanto na questão do abuso sexual, na pedofilia, na prostituição infantil", declarou. Também, sem dar maiores detalhes, adiantou que até semana que vem o Ministério deve lançar um projeto que envolve o combate ao feminicídio.

Gostou? Compartilhe