Polícia Civil conclui primeira etapa das investigações

Mais de 160 passo-fundenses são investigadas por lavagem de dinheiro e organização criminosa

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Dinheiro dos investigados é obtido através do golpe do Conto do Bilhete

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Conhecida como berço dos estelionatários, a cidade de Passo Fundo foi palco de uma das maiores operações de combate à lavagem de dinheiro no Estado, no último final de semana. Denominada como “Pólis”, em referência as cidades-estados da Antiga Grécia, a ação realizada pela Polícia Civil teve como objetivo apanhar documentos para análise e reter veículos que estavam em posse dos suspeitos, para evitar novas transações ilegais.


Três dias depois da primeira ação (19), a Polícia Civil deu continuidade ao trabalho e cumpriu mandados de busca e apreensão em outros quatro municípios do Estado - Carazinho, Getúlio Vargas, Erechim e São Leopoldo –, além de quatro cidades de Santa Catarina – Camboriú, Itajaí, Itapema e Balneário Camboriú. Concluídas as apreensões, a Justiça determinou a quebra do sigilo e o bloqueio de 230 contas bancárias, físicas e jurídicas, que pertencem aos investigados.


De acordo com o delegado que coordenou a ação, Diogo Ferreira, mais de 160 passo-fundenses estão sob a mira policial. Todos são investigados por adquirirem dinheiro de forma ilícita, com golpes do Conto do Bilhete, e, em seguida, esconder a origem dos valores obtidos. “Como os golpes são aplicados em outras cidades do Sul do país, além de São Paulo e Minas Gerais, atacamos o crime que cometem aqui, que é a lavagem do dinheiro”, esclarece.


Conforme Ferreira, a operação, seguida das demais ações, foi a primeira fase de um trabalho vigoroso que deve durar até, pelo menos, o final deste ano. “Contamos com apoio da Chefia de Polícia, das delegacias especializadas neste delito e, também, vamos receber uma força-tarefa para nos ajudar a dar sequência às apurações”, relata.


Investigações
As investigações tiveram início ainda em 2015, quando a titularidade da Defrec era do delegado Adroaldo Schenkel, hoje, responsável pela 6ª Região. Em novembro de 2017, já com Ferreira à frente da Defrec, as investigações foram intensificadas, culminando na maior operação realizada no município.


Foi a partir da grande demanda de apoio solicitada às delegacias do município, por policiais de outras cidades do Estado, além de Santa Catarina e Paraná, que vinham até Passo Fundo para cumprir mandados de busca e apreensão ou prisão contra estelionatários, que as diligências começaram.


De acordo com Ferreira, antes de 2015, os golpistas utilizavam veículos emplacados em Passo Fundo, mas, a partir daquele ano, eles passaram a utilizar carros emplacados em outras cidades, o que chamou a atenção, à época, do delegado Schenkel. “Ele solicitou prontuários do Detran e, ao verificar, se deparou com endereços aleatórios, alguns que nem existiam, mas que estavam nas declarações, como sendo a residência dos proprietários”, explica.


Na ocasião, aproximadamente 30 veículos foram identificados com as irregularidades do endereço. Todos os carros eram utilizados pelos proprietários, que não escondiam a vida de luxo que levavam. “Nas diligências se percebeu que viviam a ostentação, tanto nas festas noturnas, como em lanchas, ou morando em mansões. A partir de então, passamos a pensar outra forma de atacar o crime, de forma mais eficiente”, comenta.


Além dos imóveis e bens dos próprios golpistas, as diligências abrangem revenda de veículos, meio pelo qual os golpistas lavavam o dinheiro, e escritórios de despachantes – os responsáveis por encaminhar a documentação fraudulenta ao Detran. No total foram cumpridos 145 mandados de busca e apreensão, que resultou em 85 veículos, entre carros e motos, retidos, além de um caminhão, três jet-ski, dois barcos e uma lancha de alto padrão, avaliada em aproximadamente R$ 280 mil.


Um total de R$ 4 milhões e 700 mil em bens foram apreendidos. Se devidamente comprovado os crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, os veículos poderão ser vendidos: parte do dinheiro pode ressarcir vítimas e outra fica para a instituição policial; alguns carros ainda podem se tornar viaturas.

Lucro ilícito
Entre os delitos registrados e os suspeitos da operação já identificados como autores de golpes, a polícia somou R$ 2 milhões e meio de lucro obtido pelos criminosos ilicitamente. Segundo o delegado, entretanto, muitos golpistas não são reconhecidos e muitos golpes – cada grupo chega aplicar cinco por semana – nem se quer são registrados, motivo pelo qual a polícia acredita que o rombo passe dos R$ 20 milhões.


Revendas de veículos
Inúmeras irregularidades fiscais foram constatadas nas revendas de veículos. Dezenas de carros não possuíam nota de entrada. “Vamos encaminhar essa listagem para Receita Federal, pois em épocas de crise, essa sonegação fiscal reflete diretamente na arrecadação”, conclui.

Ligação
Os mais de 160 investigados atuam em grupos separados de quatro a cindo indivíduos. Cada grupo tem sua ramificação, de modo que todos os investigados se conhecem e até já atuaram em algum momento juntos.

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