CASO RAFAEL: Laudo comprova morte por asfixia

Autora confessa do crime, mãe do menino teve a prisão temporária decretada

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· 4 min de leitura
Diego Camargo/Portal Tchê

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Os poucos mais de 10 mil habitantes do pequeno município de Planalto, na região norte do estado, amanheceram incrédulos nesta terça-feira. A confissão de Alexandra Dougokeski de ter matado o próprio filho, o menino Rafael Mateus Winques, 11 anos, desaparecido há 10 dias, chocou a comunidade e repercutiu em todo o estado.

A confissão aconteceu no início da noite de segunda-feira, após a polícia ter identificado uma série de contradições no depoimento da mãe. Ao assumir a autoria do crime, ela contou que o menino estava muito agitado e, por isso, deu dois comprimidos de Diasepan para ele dormir.

Segundo contou, a criança teria morrido em decorrência do medicamento. Após a morte, tratou de esconder o corpo do filho na casa de vizinhos, que estão viajando. A residência fica numa distância de aproximadamente 20 metros. Ao indicar o local, os policiais encontraram o corpo de Rafael enrolado em um lençol dentro de uma caixa de papelão. Na manhã de ontem, um laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP), comprovou que Rafael foi morto por asfixia mecânica, contradizendo a versão de Alexandra.

Registro da ocorrência

Alexandra procurou o Conselho Tutelar no dia 15 de maio para comunicar o desaparecimento do filho. Após, foi encaminhada até a delegacia para registrar a ocorrência. Aos policiais, ela disse que havia deixado o filho dormindo no quarto durante a noite, e pela manhã, ele havia desaparecido. Não havia sinais de arrombamento na casa.

Na coletiva de ontem à tarde, o delegado responsável pelas investigações em Planalto, Ercílio Carletti falou sobre a dinâmica dos desde o desaparecimento do menino, há 10 dias, até a confissão da mãe. "A elucidação foi considerada rápida pela Polícia civil", disse.

Segundo ele, num primeiro momento, a polícia tratou o caso como desaparecimento, por não haver indícios de outro crime. Por se tratar de um pré-adolescente, foi considerada a possibilidade de ter saído de casa por algum conflito familiar.

Durante os dez dias de investigações, diversas diligências foram realizadas em cidades da região, até mesmo em Santa Catarina. A grande parte foi motivada por informações vindas de populares, mas que acabaram se mostrando infundadas.

Com a mudança de foco, as investigações se concentraram em sete familiares do menino, interrogados por diversas vezes. Após cada depoimento, as contradições foram ficando evidentes, e a suspeita recaiu sobre Alexandra. Ela forneceu detalhes incompatíveis com um simples desaparecimento como

as roupas que Rafael estaria usando quando sumiu de casa, camiseta do Grêmio, calça de moletom preta, óculos e chinelos. Tantos detalhes para que não viu o filho sair de casa, chamaram a atenção dos investigadores.

A Confissão

Após sustentar por 10 dias a versão de desaparecimento do filho, inclusive ter dado diversas entrevistas pedindo para quem tivesse alguma informação sobre o paradeiro do menino que repassasse à polícia, ela finalmente confessou o crime. Expostas às contradições, na segunda-feira à tarde, assumiu a autoria e indicou o local do corpo.

Prisão

Alexandra teve sua prisão temporária decretada. Ela é válida por 30 dias, mas pode ser prorrogada até o final da investigação, que deve ter um tempo total de 70 dias. Ainda na segunda-feira, Alexandra foi retirada de Planalto e está em um presídio, não divulgado por questões de segurança.

A Polícia Civil e a Brigada Militar demonstraram muita preocupação com a segurança. Logo após a confissão e localização do corpo do menino, populares se aglomeraram em frente ao prédio da delegacia e fizeram diversas ameaças de linchamento. Porém, ela não estava mais no prédio.

Mesmo sem ter concluído a investigação, o delegado adiantou que a autora deverá responder por homicídio qualificado. No entanto, não está descartada a possibilidade de descoberta de outros crimes na sequência dos trabalhos.

Promotoria de Justiça acompanhou o caso

A Promotora de Justiça, Michele Taís Dumke Kufner, destacou que, desde o começo das investigações, esteve junto com os policiais para prestar o auxílio necessário para a rápida elucidação do caso. “Desde o momento que tomamos conhecimento nos colocamos à disposição, pois era o interesse localizar o garoto, e que ele estivesse com vida. Porém, nenhum dos esforços que tomássemos daria um desfecho diferente”, disse. Ela enfatizou que no momento do registro da ocorrência, no dia 15 de maio, Rafael já estava sem vida. O MP seguirá acompanhando o caso.

Ela também destacou que será feito um acompanhamento especial ao irmão mais velho de Rafael, de 16 anos, inclusive psicológico. O menor foi deixado com parentes em outra cidade.

O Velório

O corpo de Rafael Mateus Winques foi velado e sepultado ainda na tarde de terça-feira em Planalto. Como o caso tomou uma grande repercussão e muitas pessoas de outros municípios estavam se deslocando até o município, a Brigada Militar montou um esquema de segurança específico. O velório teve um tempo de duração mais curto. Com o objetivo de evitar aglomerações, somente a entrada de 10 pessoas por vez era permitida na capela mortuária. O comando da Brigada Militar fez contato com o pai de Rafael, e ele pediu para que os familiares de Alexandra não participassem da cerimônia. Segundo os policiais, a decisão teve o objetivo de evitar confusões e conflitos.

Investigações seguem

Mesmo com o encontro do corpo e a confissão de Alexandra, as investigações seguem. Segundo o delegado Carletti, houve trocas de acusações durante o depoimento dos familiares. Os sete investigados serão ouvidos novamente. A motivação do crime e o possível envolvimento de outras pessoas, são os principais desafios dos investigadores. Ele ainda aguarda mais laudos periciais do IGP no corpo de Rafael. Além de diligências, também está prevista a reconstituição do crime.

Uma das respostas que o laudo do IPG poderá fornecer é quanto ao dia da morte de Rafael. Como o corpo estava bem conservado, uma das suspeitas é que talvez ele não tenha sido morto no dia do registro da ocorrência. Outra suspeita é a utilização de algum produto químico para a preservação do corpo e dissipação do odor. Entretanto, Carletti recebeu a resposta no dia em que o garoto foi encontrado, de que o local era propício para preservação, sendo seco, envolto em um material e com condições climáticas adequados.

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