Operação Ouro Verde identifica crimes ambientais

Jornal O Nacional acompanha com exclusividade a operação que iniciou na segunda e encerrou na sexta-feira

Por
· 4 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

O Ibama de Passo Fundo apertou  o cerco na fiscalização e no combate aos  crimes ambientais ocorridos na região norte do Estado.Durante operação, que iniciou na quarta-feira, com utilização de um helicóptero, modelo Bell Long Ranger, vindo de Brasília, e terminou ontem à tarde, os agentes vistoriaram duas madeireiras, no interior do município de São José do Ouro. Ambos os proprietários foram multados por crimes ambientais.

Batizada de Ouro Verde, a operação começou a ser planejada há pelo menos 45 dias, a partir de denúncias de que os dois estabelecimentos estariam extraindo madeira silvestre sem autorização. Outro dado que chamou a atenção dos servidores, foi o volume de araucária movimentado por eles. O sistema nacional do Ibama, responsável pelo controle de todo o ciclo da madeira, identificou um aporte muito superior da espécie em relação às demais madeireiras existentes na região. “A partir desses dados, o serviço de inteligência passou a identificar os alvos” revelou o agente Flabeano Lara de Castro.

     Na quarta-feira pela manhã, uma equipe com dois funcionários do Ibama e dois do Departamento de Floresta e Áreas Protegidas, (Defap),órgão ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente,  partiu de helicóptero do aeroporto de Passo Fundo, enquanto outro agente seguiu com uma viatura por terra.

     A primeira investida ocorreu em uma madeireira situada na localidade de Capela Aparecida, distante oito quilômetros de São José do Ouro. De acordo com o chefe da base avançada do Ibama em Passo Fundo, Ana Paula Inglez, os fiscais comprovaram a existência de madeira  processada no pátio sem o devido registro no sistema de controle do Ibama, conforme prevê o artigo 82 do decreto 6514 de 2008. Também ficou comprovado o vazamento de resíduos altamente tóxicos, usados no tratamento da madeira, para um córrego existente nas proximidades, e ainda, o descarte inadequado de resíduos sólidos, no caso a serragem. Pelas três irregularidades, o proprietário foi notificado e deverá pagar uma multa de aproximadamente R$ 5 mil. O caso será comunicado ao Ministério Público e também à Prefeitura Municipal de São José do Ouro, responsável pela emissão da licença.  

     Para comprovar a origem da araucária estocada no pátio, os técnicos passaram toda a quinta e sexta-feira, realizando a medição da madeira. O dado será confrontado com a área de corte indicada na licença. “Esse é um procedimento necessário para termos certeza de que a retirada realmente ocorreu  no local indicado pelo proprietário” explica Ana Paula. O trabalho deverá ser concluído nos próximos dias.  A denúncia  sobre a falta de autorização para extração da madeira não se confirmou. O proprietário apresentou o documento expedido pela prefeitura, porém, não havia informado no cadastro técnico federal.

     Na seqüência, as equipes visitaram uma segunda madeireira. Depois de checar a documentação, sobrevoaram a área de corte indicada no licenciamento e identificaram irregularidades. Pelo documento, o proprietário estava autorizado a derrubar 4.800 araucárias dentro de uma área de plantio, porém, houve retirada de outras espécies nativas, no chamado corte raso, em 12 hectares. Também ficou constatado o desmatamento de quase um hectare dentro da Área de Proteção Permanente. Pelo descumprimento da licença e invasão da APP, ele recebeu uma multa de R$ 13 mil.
Flona

     Os fiscais do Ibama também vasculharam do alto, os 1.300 hectares, distribuídos em áreas de plantio e mata nativa, da Floresta Nacional de Passo Fundo, a Flona, localizada no município de Mato Castelho, mas não encontraram irregularidades. Em abril deste ano, servidores haviam  coletado amostras (resíduos e sementes), em 40 lavouras de soja e milho localizadas na zona de exclusão de 500 metros no entorno da Flona. O objetivo foi identificar a presença de soja transgênica no local, considerado crime ambiental pela proximidade com a unidade de conservação.  
   
Defap e Batalhão ambiental identificam áreas degradadas

Durante os quatro dias em que permaneceu em Passo Fundo, a aeronave, com capacidade para sete pessoas, também foi utilizada pelo  Batalhão Ambiental da Brigada Militar e pelo Defap. Juntos, eles mapearam no GPS, mais de 50 pontos de desmatamentos, alguns deles dentro das APPs. Também identificaram  drenagem de  banhados, depósitos de lixo e extração mineral. A área vistoriada atingiu mais de 20  municípios.

A primeira parte da operação aconteceu segunda-feira à tarde, mas programação precisou ser alterada em razão das chuvas na região. Dois policiais do Batalhão Ambiental e dois do Defap sobrevoaram os municípios de Coxilha, Sertão, Água Santa, Mato Castelhano, passando por Gentil, Marau e Casca. Mesmo com a forte neblina em algumas áreas, mais de 20 coordenadas foram anotadas, a maioria de desmatamento. De acordo com o sargento do 1° Grupo do Batalhão Ambiental, Leonel Paulo Dumer, algumas  delas já haviam sido previamente mapeadas.

Outra equipe do Defap, que acompanhou parte do trajeto por terra, notificou o dono de uma propriedade rural, na localidade de Linha XV de Novembro Evangelista, interior de Casca. Ele havia  desmatado uma área de 1.100 m2 e transformado a madeira em lenha, além de ter cortado quatro araucárias. A multa prevista é de R$ 500 por árvore ou por metro cúbico retirado.
Agente regional do Defap, Maria Helena Bassan Benedetti explica que  o passo seguinte consiste em vistoriar, individualmente, todas as coordenadas geográficas e supostas irregularidades vistas do alto. “ Teremos trabalho por um longo período” afirma. A última parte da coleta de pontos de degradação, feita por policiais do Batalhão ocorreu na quinta-feira, na região de Carazinho.

Aeronave
Helicóptero modelo Bell Long Ranger, usado na operação, tem capacidade para sete pessoas. A aeronave vinda do Ibama, de Brasília, com três tripulantes, piloto, co-piloto e mecânico,  permaneceu de segunda até sexta-feira em Passo Fundo. O equipamento possibilitou o rastreamento aéreo em um raio de abrangência que incluiu mais de 20 municípios. Inúmeras clareiras abertas nas matas, estratégia usada para a retirada gradual da madeira, sem chamar a atenção da fiscalização, não seriam identificadas sem a ajuda do veículo.

Gostou? Compartilhe