Responsável por acidente é investigado há dois anos por golpes em cotas de consórcio na região

Guilherme Machado Genro tem 13 Boletins de Ocorrências registrados contra ele por estelionato; 9 já foram remetidos à Justiça

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· 3 min de leitura
Guilherme Machado Genro perdeu o controle enquanto dirigia um Jeep Cherokee, causando acidente na rua Independência

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Guilherme Machado Genro, de 25 anos, preso na segunda-feira (12) por tentativa de homicídio após causar um acidente na rua Independência que deixou quatro pessoas feridas é investigado há dois anos por crimes de estelionato, conforme o delegado da 2ª Delegacia de Polícia Civil, Cláudio Belcamino. Na sua ficha, aparecem golpes aplicados em pelo menos oito cidades do Rio Grande do Sul. De acordo com Belcamino, o jovem é acusado de utilizar a empresa da qual é dono para obter vantagens ilícitas em falsas cartas de crédito premiadas.


Os registros apresentam inquéritos com vítimas de Santo Antônio do Palma, Veranópolis, Panambi, Lagoa Vermelha, Fontoura Xavier, Esteio, Marau e Passo Fundo. São 13 Boletins de Ocorrências, apenas por estelionato, sendo que 9 já foram remetidos à Justiça.


O delegado não precisou quantas vítimas o jovem pode ter feito durante este tempo, já que em alguns registros há mais de um denunciante.


O golpe


De acordo com Belcamino, todos os casos estão relacionados à venda de cotas de consórcio e a falsa contemplação de cartas de crédito pela empresa Credibens.


A carta de crédito é um documento financeiro que o consorciado recebe no momento da contemplação e permite que ele adquira o bem ou contrate um serviço de acordo com o valor estipulado pelo consórcio.


No caso do golpe, as vítimas, primeiro, buscavam a aquisição de uma cota de consórcio de um valor determinado. Na forma legal, os consorciados pagam parcelas desta cota, de acordo com prazos estabelecidos, e podem ser sorteados em cartas de crédito, recebendo todo o valor antes de quitar a cota.


Um consorciado que adquire uma cota de R$ 100 mil, por exemplo, paga determinadas parcelas e, se sorteado com uma carta de crédito quando quitou apenas R$ 50 mil, recebe todo o valor do contrato antes de encerrar o débito.


Mas o que acontecia, conforme o delegado, é que Genro e funcionários, orientados por ele, vendiam as cotas de consórcios informando que o contrato já estava contemplado com uma carta de crédito. Para isso pediam que a vítima assinasse um contrato e depositasse uma porcentagem do valor para ter direito ao valor total da carta.


“Ele atua com vários funcionários que visitam pessoas interessadas em adquirir consórcios e vendem cotas normais de consórcios, que dependem de lance ou de sorteio para receber o prêmio, como se fossem consórcios contemplados. As pessoas adquirem consórcios de R$ 800 mil, R$ 1 milhão, R$ 1,2 milhão e pagam R$ 70, R$ 80 mi de entrada, com a garantia de que em 30 dias receberão o valor do consórcio. Então ele diz que é uma carta contemplada. Só que, na verdade, isso não ocorre. Aí a pessoa não recebe. [A vítima] entra em contato com a empresa do consórcio e vai se informando que comprou uma cota normal. Só que ele e os funcionários, quando vão vender, não dizem isso. E por mais que a pessoa depois desista, ele já ganhou a comissão dele e já praticou a fraude, obteve a vantagem indevida baseada na fraude, porque não explica que a cota é normal”, detalha Belcamino.
Em um dos casos, mostrado pelo delegado, a pessoa adquiriu três cotas de R$ 500 mil cada, supostamente premiadas, e pagou R$ 55 mil, mas não obteve a carta de crédito.


Devido aos valores serem distribuídos, Belcamino explica que não é possível saber quanto Genro ganhou com cada caso.
Caso a Justiça condene o jovem por estelionato, a pena pode ir de dois a cinco anos. O delegado também acredita que o histórico do jovem pesou no pedido de prisão preventiva, na segunda-feira, devido ao acidente que causou quatro vítimas na rua Independência.


O jovem também possui passagem por lesão corporal, embriaguez e associação criminosa.


O acidente


O acidente que envolveu Genro aconteceu por volta das 6h da segunda-feira na rua Independência. Ele conduzia um  Jeep Cherokee e perdeu o controle, atingindo uma moto e contra um Fiesta, que estavam estacionados.


Com a violência do impacto, o Fiesta foi arrastado para cima da calçada e jogado contra um grupo de pessoas que estava em frente a um bar. O carro parou ao se chocar contra um poste. Pelo menos quatro pessoas tiveram ferimentos e foram levadas para os hospitais de Clínicas e São Vicente de Paulo (HSVP). As vítimas têm 18, 19, 21 e 27 anos.


Genro se recusou a realizar o teste de etilômetro, mas, de acordo com o Boletim de Ocorrências, ele apresentava visíveis sinais de embriaguez. O jovem foi preso ainda na segunda-feira e encaminhado ao presídio Regional de Passo Fundo. Não foi arbitrado fiança.

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