A primeira baixa da quadrilha dos Irmãos Campos

Memória Policia: Brigada Militar convoca homens para uma operação extraordinária: o cerco aos quadrilheiros

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Na noite de 15 de maio de 1994, um domingo, a quadrilha começou a ser desmantelada. Os irmãos planejaram um assalto a um restaurante na BR-285, em frente ao posto da Polícia Rodoviária Federal. Como de costume, o método empregado pela quadrilha reuniu a audácia e a violência habitual, inclusive com os bandidos efetuando disparos dentro do estabelecimento que, por ser um ponto de parada de muitos ônibus de excursões e mesmo de linhas intermunicipais, registrava movimento intenso no início da noite daquele domingo. 

Após o assalto, o funcionário da leitaria, que por coação participava dos assaltos como motorista, ainda levou os irmãos para a sua própria casa, onde ofereceu um jantar para eles antes de levá-los de volta ao esconderijo, com o intuito de ganhar tempo para que a Brigada Militar pudesse ocupar a propriedade e tentar capturar os bandidos.Segundo o tenente Daisson Andrade, comandante do Policiamento Comunitário do 3º RPMon, da Brigada Militar, que na época era sargento, no dia da operação o comando do 3° RPMon, através de uma convocação extraordinária reuniu o maior número possível de policiais para participarem do cerco aos irmãos. “Naquela época não existia telefone celular, e nem todo mundo tinha telefone em casa, então, as viaturas foram até as casas dos policiais para informar da convocação, outros foram avisados pelo telefone. Não sabíamos porque estávamos sendo chamados até a instrução no quartel, mas todos os policiais que foram localizados e informados atenderam à convocação”, contou.

Também conforme o tenente, até que todos os policiais estivessem reunidos no quartel do 3° RPMon, eles não tiveram informação nenhuma do motivo da convocação extraordinária. “Somente na instrução para a operação ficamos sabendo o motivo. Mas imediatamente, dado o perfil dos irmãos Campos, sabíamos que haveria o confronto”, afirmou.
Após renderem as pessoas que estavam no restaurante e roubarem o dinheiro, os Campos retornaram à leitaria, porém a Brigada Militar havia ocupado o local e aguardava pela volta dos criminosos. Assim que o carro dirigido pelo funcionário deixou a propriedade, o que se viu foi um festival de tiros disparados, que atingiram o galpão onde os irmãos estavam vivendo.

Na troca de tiros, Cartucho, que saiu do galpão, possivelmente para despistar os policiais, foi baleado diversas vezes e morreu no local. A suspeita é de que o mais velho dos irmãos tenha se sacrificado pra que os outros conseguissem fugir. Os policiais do então Pelotão de Choque, Pelotão Hipo com o auxílio ainda de cães farejadores fizeram buscas, mas não localizaram os fugitivos.

Os outros três, mesmo feridos, conseguiram escapar do cerco, fugindo pela BR-285. O corpo de Cartucho foi encaminhado ao Departamento Médico Legal (DML) para a necropsia, onde permaneceria até a morte de Zoiúdo e Rambo, dois dias depois. De acordo com o atestado de óbito, a causa da morte foram os tiros que atingiram-lhe a cabeça, causando um traumatismo crânio-encefálico. No dia seguinte, tentando encaminhar o corpo do irmão para ser sepultado em Rondônia, onde viviam os pais, o próprio Rambo entrou em contato por telefone com uma funcionária do DML para tratar dos detalhes e que enviaria um emissário para que ela fosse informada de como proceder.

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