"Não sei se foi um ato de bravura ou de bobeira"

Prefeito do município de Ibirapuitã foi feito refém durante assalto ocorrido na manhã desta quinta-feira

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O prefeito do município de Ibirapuitã, Rosemar Hentges foi feito refém durante assalto a agência Sicredi, no final da manhã de quinta-feira. Cinco homens encapuzados invadiram o local, por volta das 11h30min. Armados com pistolas, renderam o vigia, funcionários e clientes. Enquanto as vítimas eram mantidas deitadas no chão, eles recolheram o dinheiro do caixa e do cofre. Toda a ação dentro do banco durou cerca de 18 minutos. O valor levado pela quadrilha não foi revelado pela gerência.
Hentges cumpria o expediente na prefeitura quando recebeu uma ligação do filho, que estava no restaurante da família, ao lado da agência. “ Ele disse, pai estão assaltando o banco. Mandei que protegesse a mãe dele e fechasse a porta”. Em seguida partiu para o local com o carro oficial. Na chegada, aparentemente não percebeu movimentação alguma. A porta do restaurante, inclusive, estava aberta. Assim que desembarcou, foi rendido por um dos assaltante e levado até a porta da agência com uma arma apontada na cabeça.
Percebendo o nervosismo dos bandidos, o prefeito passou a conversar com eles na tentativa de acalmá-los. “Falei para terem calma; que daria tudo certo; que não havia policiamento na cidade. Cheguei a pedir para um deles tirar a arma da cabeça de uma das funcionárias. Estavam mais nervosos que eu” relata.
A quadrilha, toda encapuzada e armada com pistolas, esperou por mais de 10 minutos a abertura programada do cofre. Funcionários e cerca de 20 clientes foram mantidos deitados no chão. Ao perceber que o bando pretendia levar vários reféns, o prefeito se ofereceu para ir no lugar das vítimas. “Não sei se foi um ato de bravura ou de bobeira, mas quando vi uma senhora de 50 anos, chorando, não tive dúvidas” conta.
Hentges foi colocado no banco traseiro do veículo, um Focus, cor prata. Na fuga, a quadrilha se deparou com um policial à paisana. Houve troca de tiros. Moradores também efetuaram disparos. Para se proteger, o bando quebrou o vidro do carro e obrigou o prefeito a ficar com metade do corpo para fora do veículo, formando uma espécie de escudo. “É uma sensação horrível. Senti que estava indo para a morte. Estava perdendo tudo” desabafou. A vítima foi libertada cerca de dois quilômetros da agência, na área rural do município. A Brigada Militar encaminhou reforço para realizar buscas na região, mas ninguém havia sido localizado.
Abalado com o drama vivenciado, o chefe do executivo criticou a falta de policiamento no município. Segundo ele, não havia nenhum policial militar no momento do assalto. Ibirapuitã está dentro da área de atuação do 4º Esquadrão de Polícia Montada da Brigada Militar de Soledade. Ele relata que uma guarnição costuma passar pela cidade uma vez na semana. “Fazem algumas abordagem de veículos e retornam. O que aconteceu aqui é uma representação, uma realidade dos pequenos municípios como o nosso. Olham para nós como um número de eleitor apenas” opina.

Explosão

A ação audaciosa praticada ontem pela quadrilha não foi a única registrada pelos moradores da pequena Ibirapuitã. Em janeiro do ano passado, criminosos explodiram caixas eletrônicos da agência do Banrisul. O ataque ocorreu durante a madrugada e destruiu completamente a agência bancária.

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