Promotora destaca que testemunhas ouvidas confirmaram tese acusatória do MP

Caso Bernardo: Primeira audiência foi realizada em Três Passos

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Quatro testemunhas de acusação foram ouvidas na primeira audiência de instrução do processo criminal relativo à morte do menino Bernardo Uglione Boldrini. Realizada no Fórum da Comarca de Três Passos nesta terça-feira, 26, a audiência teve duração de quase 12 horas. A Promotora de Justiça titular do processo, Silvia Jappe, e o Promotor de Justiça designado para a audiência, Leandro Capaverde Pereira, representaram o Ministério Público. Os trabalhos, presididos pelo Juiz de Direito Marcos Luís Agostini, também contaram com a participação dos Advogados de Defesa dos réus Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. Os dois últimos denunciados estiveram presentes.

Ao final da audiência, em manifestação à Imprensa, a Promotora de Justiça Silvia Jappe destacou que as quatro testemunhas ouvidas confirmaram a tese acusatória do Ministério Público sobre a participação dos envolvidos. “Todos foram claros e podemos classificar como bastante produtivas as provas que estão sendo produzidas”, ressaltou. Questionada por um repórter sobre a participação de Leandro Boldrini, pai da vítima, a Promotora destacou que a tese do MP de que ele foi o mentor intelectual do crime está sendo reforçada na audiência.

Foram ouvidas nesta primeira audiência duas Delegadas de Polícia, um Médico Ginecologista colega do réu Leandro Boldrini e a Dentista que atendia Bernardo Boldrini.

Em suas falas, a Delegada que presidiu o inquérito policial e a Delegada Regional de Três Passos fizeram um detalhado relato da investigação realizada que resultou no indiciamento de Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Ambas confirmaram na audiência ter a convicção da participação de todos os indiciados e de que o pai da vítima foi o mentor do assassinato.

Outro a ser ouvido foi um Médico Ginecologista colega de Leandro Boldrini. Ele lembrou que logo que soube do desaparecimento de Bernardo Boldrini foi até a casa da família prestar solidariedade. Segundo ele, Leandro em nenhum momento demonstrou estar preocupado ou abalado com a situação. “Me impressionou a frieza com o desaparecimento do filho”, ressaltou. Na sequência, a Dentista que atendia o menino afirmou que não havia cooperação da família quanto aos cuidados com a higiene bucal da criança e que identificava em Bernardo uma enorme carência afetiva. Em sua fala, ela ressaltou ainda que ficou surpresa ao receber uma mensagem de Leandro Boldrini no domingo, dois dias após o sumiço de Bernardo, algo que não era comum na postura do pai.

Próximos Passos

As sete testemunhas de acusação que não foram ouvidas irão depor em 8 de setembro, a partir das 9h, no Foro de Três Passos. Ao todo, 77 pessoas foram arroladas pelo Ministério Público, autor da ação, e pelas defesas dos quatro acusados. Algumas delas serão ouvidas através de carta precatória (quando residem em outra Comarca).

Já há data definida para a inquirição de testemunhas em Coronel Bicaco (3/9), Tenente Portela (4/9), Rodeio Bonito (9/9) e Frederico Westphalen (11/9). Haverá cartas precatórias sendo cumpridas também em Campo Novo, Santo Augusto, Palmeira das Missões, Ijuí, Santo Angelo, Porto Alegre e Florianópolis (SC).

O réu Leandro Boldrini, a pedido da defesa, não estará presente em nenhuma das audiências em que serão ouvidas as testemunhas. Edelvânia acompanhará as oitivas em Três Passos, Frederico Westphalen e Rodeio Bonito. Já Evandro, estará presente nessas duas últimas. Graciele não deverá acompanhar a audiência do dia 8/9, em Três Passos.

Gravações

A Perícia conseguiu recuperar gravações que haviam sido apagadas do celular de  Leandro Boldrini. Conforme a Delegada Caroline Bamberg, as imagens foram feitas por Graciele, com o intuito de dizer que Bernardo era agressivo com a família. Em um dos áudios, é possível ouvir o menino pedindo socorro e alegando que foi agredido. Ele e a madrasta discutem. Em um trecho ela chega a ameaçar Bernardo: "Eu não tenho nada a perder, Bernardo. Tu não sabe do que eu sou capaz. Eu prefiro apodrecer na cadeia a viver nesta casa contigo incomodando. Tu não sabe do que eu sou capaz". O pai está presente no momento da discussão. 

Com informações do Ministério Público Estadual

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