Trajetória no mundo do tráfico começou em Passo Fundo

Ex-marceneiro, José Paulo Vieira de Mello, o Seco, fugiu em 2000 de Passo Fundo. No ano seguinte, assumiu lugar do conterrâneo Nei Machado

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Em junho de 2000, a Polícia Federal de Passo Fundo desencadeou uma das maiores operações de combate ao tráfico de drogas no Rio Grande do Sul. Ao final da ação, 13 pessoas estavam presas, No entanto, uma delas  conseguiu escapar. Minutos antes da chegada dos policiais, José Paulo Vieira de Mello, o Seco, já havia abandonado a residência, no bairro Petrópolis. No mesmo dia, teria cruzado a fronteira com o Paraguai, para se tornar um dos principais traficantes do Estado. Na semana seguinte, a  CPI do Crime Organizado da Assembleia Legislativa se instalou em Passo Fundo durante dois dias. A cidade era apontada pela comissão como um dos centros do narcotráfico, liderado pelo passo-fundense Nei Machado. Na quinta-feira passada, Seco, 48 anos, voltou  à cena  ao ser preso em Tramandaí, juntamente com outras oito pessoas. Na tentativa de se livrar da prisão, ele ofereceu suborno de R$ 1 milhão aos policiais militares.

No bairro Petrópolis, onde cresceu, Seco era visto como uma pessoa amiga que cativava a todos. Desde os 12 anos, defendia a equipe de futebol amador Grêmio Petrópolis. Frequentou a escola Arco Verde, até a 4ª série. Ao lado do irmão, trabalhava numa marcenaria produzindo aberturas e portas para residências. Foi justamente quando abandonou a marcenaria e começou a desfilar com carros novos pelas ruas do bairro, que surgiram as primeiras suspeitas  e boatos. A confirmação do envolvimento com o tráfico  veio com a operação em 2000.

A aproximação com Nei Machado, o Pitoco, aconteceu muito antes da fuga para o Paraguai. Os dois se conheceram através do futebol, nos campos de várzea de Passo Fundo. Nei, que também era patrão de um CTG na cidade,  comandava uma equipe da vila Cruzeiro, e Seco atuava no Grêmio Petrópolis. Seco ganhou espaço na hierarquia da quadrilha a partir da prisão de Machado, em 2001, durante a operação Gato Negro, realizada por militares na região colombiana de Barranco de Minas. À  época, o território era dominado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Machado era considerado braço direito do traficante carioca Fernandinho Beira-Mar. Chegou a ser apontado como o responsável por 70% da droga que entrava no Rio Grande do Sul. Em Passo Fundo, o ex-patrão mantinha casas noturnas e uma revenda de automóveis. A partir de sua prisão, Seco passou de transportador da droga para chefe do esquema.

Investigações feitas pela Polícia Federal entre o final de 2005 até início de 2007, revelaram que a quadrilha movimentava cerca de R$ 500 mil por semana com a atividade, alcançando até R$ 2 milhões por mês. A droga era levada da Colômbia para o Paraguai em forma de pasta-base. Além do transporte terrestre, uma das principais formas de entrada da cocaína no Rio Grande do Sul era através dos arremessos aéreos em propriedades da região.

Paulo Seco foi condenado três vezes. Em 2007 por tráfico de drogas; a pena ficou em  quatro anos de reclusão. No mesmo ano, outra condenação por associação ao tráfico, e uma pena de três anos de prisão. A última sentença é de 2014, também por tráfico, e mais seis anos de prisão. Seco  já havia sido preso em 2010 no Uruguai. O nome dele constava em um alerta de captura internacional enviado pela Interpol para cerca de 130 países, chamado Difusão Vermelha.  O passo-fundense vivia nos arredores de Montevidéu com uma identidade falsa havia pelo menos dois anos. Transferido para o Brasil cumpriu pena até abril de 2016. Atualmente estava em liberdade condicional. 

Prisão

Seco foi surpreendido por policiais militares na quinta-feira à noite, em Tramandaí.  Ele estava acompanhado de outras oito pessoas, duas delas colombianas.  No veículo conduzido por uma mulher, os  PMs encontraram documentos falsos. A suspeita  levou os policiais até a casa onde estavam  os comparsas. Seco e outro homem foram encontrados  escondidos embaixo de uma caminhonete. No para-lamas do veículo havia R$ 83 mil. No interior da casa, vários colchões novos e cerca de 40 celulares chamaram a atenção da policia. Seco tentou escapar da prisão, oferecendo R$ 1 milhão aos PMs. Ele, e outros três integrantes do grupo, tiveram a prisão preventiva decretada. Os demais foram liberados. 

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