TRIPLO HOMICÍDIO: “Um crime complexo, que demanda um maior tempo de investigação”

Responsável pelas investigações, delegada Daniela de Oliveira Minetto diz que várias hipóteses estão sendo consideradas

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Gerson Lopes/ON Gerson Lopes/ON
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A equipe da  Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa de Passo Fundo buscas pistas para tentar esclarecer a autoria e motivos do assassinato de três pessoas da mesma família, praticado  terça-feira à noite, na residência de nº 95 da rua Ernesto Feron, no Bairro Edmundo Trein. Os corpos de Kétlyn Padia dos Santos, 15 anos, a tia dela, Jennifer Padia dos Santos, 26 anos, e o pai da adolescente, Alessandro dos Santos, de 34 anos, foram sepultados na manhã de ontem, no cemitério São João, em Passo Fundo. 

A Polícia Civil já ouviu alguns depoimentos, realizou  diligências e busca por imagens de câmeras de videomonitoramento para analisar a movimentação na região na noite do crime. Responsável pelas investigações, a delegada Daniela de Oliveira Minetto, definiu o caso como "complexo". Mesmo sem descartar totalmente a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), as constatações preliminares apontam para crime de homicídio. “Não é possível divulgar mais detalhes da investigação, mas é um crime bastante complexo, e que demanda um tempo maior de investigação”, destacou ela.  

Ketlin Padia dos Santos, 15 anos, a tia dela, Jennifer Padia dos Santos, 26 anos, e o pai da adolescente, Alessandro dos Santos, de 34 anos, foram mortos por asfixia. Em volta dos pescoços deles havia lacres plásticos amarrados.  Os corpos foram encontrados depois que um dos filhos de Jennifer, de apenas cinco anos, saiu da residência para pedir  ajuda aos vizinhos. Ele, e mais dois irmãos menores, estavam dentro da casa quando o crime aconteceu, porém, os autores teriam mandado que fossem para outro cômodo, desligassem  a luz e ficassem virados para a parede. 

As suspeitas são de que pelo menos dois homens teriam entrado na casa e praticado o crime,  sem chamar a atenção dos vizinhos. Não havia sinais de arrombamento na residência. A família morava no endereço há  aproximadamente quatro meses. No terreno  existem duas residências, onde as famílias se dividiam. 

“Ele não tinha inimizade com ninguém”

Os corpos das três vítimas foram velados na capela mortuária do bairro São José, na quinta-feira. Dezenas de amigos e familiares compareceram para prestar as últimas homenagens. 

Inconformada com a perda do filho, Nair Terezinha dos Santos, 66 anos, disse que Alessandro sempre foi tranquilo e  não tinha inimizades com ninguém.  “Queremos justiça pelo que fizeram com meu filho”, desabafou. 

 Ela contou que seu filho trabalhou nos últimos oito anos na empresa de transporte urbano, Transpasso, fechada recentemente, e que era uma pessoa muito querida por todos. “Ele não tinha inimizade com ninguém, não tinha antecedentes criminais, e se dava muito bem com os colegas”. A mãe ainda contou que recentemente havia conversado com sua neta, Kétlyn, sobre Alessandro ter reatado o relacionamento com a companheira, e estar morando novamente com a família. “Ela estava feliz pelos pais terem reatado o relacionamento. Ele tomou essa decisão, pois queria passar mais tempo com a família”, comentou.

Os amigos de Alessandro também estavam muito abalados. Após a saída da Transpasso, passou a trabalhar com o amigo Amauri Sechet, 35 anos, no ramo da construção civil. “Ele estava feliz que sua filha iria completar 15 anos, e estavam planejando uma festa”, disse ele. O amigo ainda comenta que Alessandro tinha uma vida social bastante ativa e que não tinha inimizades. “Ele jogava futebol, trabalhava e pescava com a gente, frequentava a minha casa. Quando eu precisava dele, ele vinha na hora. Eu não acredito que isso aconteceu com ele”, comentou.

A cunhada dele, Jennifer tinha formação na área de veterinária. Trabalhou durante um período em uma fazenda, porém nos últimos meses estava dedicada somente aos cuidados dos três filhos pequenos. 

Pastoral da Juventude divulga nota

A Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Passo Fundo manifestou indignação e pesar pelo assassinato da jovem Kétlyn Padia dos Santos, 15 anos, bem como de seu pai, Alessandro dos Santos e de sua tia, Jennifer Padia dos Santos. A jovem Kétlyn foi integrante do Projeto TransformAção, participou da Escola da Juventude na Arquidiocese. Ela fazia parte do  grupo de base - Jovens Unidos na Igreja (JUNI), da comunidade Nossa Senhora da Salete, Paróquia Santa Teresinha. A nota cita que: “Com o mesmo desejo de vida que motivou a Campanha Nacional Contra a Violência e o Extermínio de Jovens, e que motiva a Campanha Nacional Contra os Ciclos de Violência Contra a Mulher, é que fazemos tal denúncia no anseio de que a dignidade da vida e todas as vidas seja respeitada”. 

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