Família pede reabertura das investigações envolvendo a morte de ex-marido de Alexandra Dougokenski

José Dougokenski morreu em 2007, porém, a família contesta a versão de suicídio

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A advogada Maura Da Silva Leitzke entrou na última terça-feira (6), junto ao Ministério Público de Farroupilha, com um pedido de reabertura da investigação sobre a morte de José Dougokenski, 32 anos, ocorrida em 2007. Ele era marido de Alexandra Dougokenski, que em maio deste ano, confessou ter matado o próprio filho, Rafael Mateus Winques, 11 anos, na cidade de Planalto, região norte do Rio Grande do Sul.


A advogada explicou que a família de José a procurou pois na época, a investigação concluiu que ele teria cometido suicídio, entretanto, a família nunca aceitou essa versão. Ao tomar conhecimento do caso de Planalto os familiares perceberam semelhanças entre a morte de José e de Rafael, por isso contrataram uma investigação particular para esclarecer alguns pontos dos laudos produzidos na época, e que para a família, contradizem a versão de suicídio. “Eles nos contrataram para fazer uma análise do perfil criminal dos dois casos e o resultado apontou uma semelhança que chega próxima a 95%. Na análise são avaliados os laudos e as fotos. Neste material é analisado o tipo do crime, o meio de execução, motivo, modo, local, objeto, pessoas envolvidas, a e característica das vítimas”, explicou a advogada, destacando que a semelhança apontada é bastante relevante. 


Em seguida, a família contratou o trabalho de peritos particulares de São Paulo, que realizaram um trabalho complementar ao trabalho feito pelo Instituto Geral de Perícias em 2007. “Analisando os mesmos elementos que foram analisados pela perícia particular e pelo IGP (feito na época), não foi surpresa para a família que o resultado apontou que o caso se trata de um homicídio, e não de um suicídio”, disse ela.  


Com base nos resultados do laudo comparativo, e o laudo técnico pericial, a advogada que representa a família protocolou em Farroupilha, local da morte do ex-marido de Alexandra, a reabertura da investigação. “É uma tentativa da família, que desde 2007, não se conformou com a conclusão do inquérito, e deste aquela época já apontavam algumas contradições, querendo uma investigação mais aprofundadas”, explicou. 


As contradições apontadas pela família 


Maura diz que tanto a família, quanto os depoimentos não esclarecem como estava o relacionamento entre Alexandra e José. O que a viúva declara, é que no dia da morte, eles teriam brigado, e ele teria jogado um objeto nela. Em decorrência deste desentendimento, ela teria ido dormir no quarto com o filho, e José foi para o quarto do casal. Em seguida, ela ouviu barulhos, foi até o outro quarto e viu que ele havia se enforcado. Também declarou que tentou socorrê-lo 



A advogada esclarece que é neste ponto que aparecem as contradições. “Alexandra disse que quando ouviu os barulhos, ela tentou socorrer, cortando a corda que ele tinha se enforcado, mas isso não condiz com a forma com que o corpo estava colocado no chão. Ela disse que tentou reanimar o marido, mas quando a perícia chegou, algumas horas depois, ele ainda continuava com a corda no pescoço, muito apertada”, explicou. Para a advogada, se a viúva tivesse tentado reanimar o marido, é bem provável que a corda não estivesse mais no pescoço. 

Um dos laudos produzidos na época apontam para embriaguez de José. “Um laudo apontou que ele estava com uma embriaguez completa ou profunda, ou seja, ele não teria condições, por exemplo, de subir na cama, quebrar o forro e amarrar a corda de nylon” explicou. Além disso, ela também destacou que tanto a corda utilizada no enforcamento de José, quanto na do menino Rafael são muito semelhantes. Ambas são cordas de varal. 


Segundo a advogada, o material produzido nos últimos meses aponta para vestígios do corpo incompatíveis com alguém que tenha cometido suicídio, mas sim de alguém que tenha sido vítima de homicídio. A família também quer esclarecer se Alexandra tinha um relacionamento extraconjugal durante o período que ela estava casada com José. 


Os próximos passos 


O Ministério Público irá analisar a documentação, se se entender que há novos elementos no caso, que não foram considerados na época do crime, pode pedir a reabertura da investigação. Se o MP achar que há a necessidade de novas diligências, também poderá solicitá-las, ou ainda poderá apresentar denúncias contra pessoas que considerar necessário.

“Não estamos acusando ninguém, mas queremos esclarecer todas essas controvérsias, que ficaram desde o ano de 2007”, disse a advogada.

Advogado de Alexandra contesta família 


O advogado Jean Severo, que defende Alexandra Dougokenski, disse que a defesa vê com bastante tristeza a utilização do caso de Planalto para reavivar a morte de José, principalmente neste momento de instrução processual do caso Rafael . “Não tem cabimento, ela não tem participação, o suicídio foi comprovado e o processo foi arquivado”, disse ele. 

Severo destacou que Alexandra já havia sido questionada sobre isso e o suicídio foi comprovado na época. “A família dele não superou o suicídio, e agora trouxeram essa situação”, esclareceu.

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