Policiais convivem com falta de espaço e infiltrações em delegacia

Instalada há mais de 20 anos no mesmo local, prédio da Draco tem estrutura defasada

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Luciano Breitkreitz/ON Luciano Breitkreitz/ON
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Roubo a banco, lavagem de dinheiro, sequestro e formações de quadrilhas. Para combater estes tipos de crimes, que na última década tornaram-se mais frequentes, há no Rio Grande do Sul as Delegacias de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, conhecidas, como DRACO’s. Em Passo Fundo, a delegacia, que até 2018 era conhecida por Defrec, funciona há mais de 20 anos no mesmo endereço, na rua Minas Gerais, próximo ao parque da Gare.

Trata-se de uma casa alugada e adaptada para funcionar como delegacia de polícia. Uma estrutura que não comporta mais o grande volume de trabalho na região de Passo Fundo.

Relato de policiais lotados na Draco definem o prédio como ‘próximo do insalubre’, por não receber manutenção adequada há vários anos. Além disso, a avaliação deles é de que o espaço deveria ser pelo menos três vezes maior.

  

Problemas estruturais

Segundo os servidores, o local não tem adptação para acesso de pessoas com necessidades especiais. Toda vez que um portador procura por algum serviço, os policiais precisam auxiliar na entrada e saída do prédio. Sem manutenção no telhado, em dias de chuva há muitas goteiras, que são contidas de forma improvisada pelos policiais utilizando sacos plásticos e outros materiais, como isopor. Esta situação traz outros problemas, como mofo e a proliferação de insetos.

Segundo o delgado responsável pela Draco, Diogo Ferreira, o problema é grave e já houve casos de danos em materiais apreendios e também em documentos. Além das goteiras, vazamentos no encanamento interno aceleram o processo de degradação. A rede elétrica apresenta problemas, pois fica, em grande parte, exposta à umidade.


Falta de espaço físico

Atualmente a delegacia conta 20 servidores, distribuídos em nove salas de trabalho. Porém, os policiais relatam que a estrutura deveria ser, no mínimo, três vezes maior, para atender a demanda.

Conforme o delegado, são realizadas entre 15 e 20 operações todos os anos, que resultam em uma média de 150 pessoas presas. Algumas destas operações são de grande porte, e o planejamento das ações acontece em locais fora da delegacia, ou de forma improvisada, pois não há uma sala de reunião que comporte um número adequado de policiais. Também não há um refeitório adequado, nem um alojamento para acomodar os policiais que participam das operações.

Durante as operações, os policiais também relatam limitações de espaço para os presos. Em muitas situações, são presos grupos de oito a 10 pessoas simultaneamente, e não há local para todos enquanto os trabalhos estão em andamento. “Há apenas uma cela, então quando são presos homens e mulheres, não podemos deixá-los no mesmo espaço. Esta cela é projetada apenas para receber um preso, e desta forma, precisamos manter os presos nas salas de trabalho dos servidores da delegacia”, explica o delegado.

Os policiais mantém os presos algemados em barras dentro das salas dos servidores, enquanto eles fazem o trabalho burocrático, porém, muitas vezes, os servidores optam em interromper o seu trabalho pois não é possível fazê-lo com um preso na mesma sala.

Outra situação relatada pelos policiais é em relação a situação de constrangimento, que muitas vezes as vítimas enfrentam, visto que não há sala de espera para prestar depoimento. Desta forma, as vítimas e o investigado dividem o mesmo espaço, causando uma situação bastante inconveniente. Os policiais estimam que, pelo atual volume de trabalho, seria necessária uma delegacia que tivesse, pelo menos, 20 salas para que os servidores não tivessem a necessidade de interromper o trabalho toda vez que há prisões.

O levantamento dos policiais aponta para um atendimento de aproximadamente 20 a 30 pessoas todos os dias na delegacia.

A reportagem do O Nacional entrou em contato com a chefia da Polícia Civil por meio da sua assessoria de comunicação, mas não teve retorno dos contatos feitos.

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