ESTELIONATO: Polícia Civil alerta para o crescimento dos golpes

Entre os crimes mais comuns aplicados na cidade estão o golpe do “Nudes”, e a “Clonagem do Whats’App”

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Em meio a redução dos índices de criminalidade que devem se confirmar em 2020, o estelionato é o tipo de crime que teve uma curva ascendente. O delito cresceu em todo o país, segundo o Delegado Regional de Polícia, Adroaldo Schenkel. A explicação pode estar na pandemia, que fez com que as pessoas ficassem mais em casa e usassem mais as ferramentas virtuais para se relacionar, trabalhar e fazer operações financeiras.

Preocupada com o avanço do estelionato, a polícia civil alerta para que as pessoas redobrem os cuidados para não ser vítima.

Para ajudar a identificar esses golpes o Jornal O Nacional, com auxilio do delegado Schenkel, relaciona os mais comuns.


- Golpe do nudes

Com uma incidência de aproximadamente 20 ocorrências por mês, este golpe consiste em um contato pelas redes sociais, onde uma pessoa jovem e bonita instigada a vítima a trocar fotos intimas ou mensagem de natureza sexual. Na sequência uma terceira pessoa se apresenta como pai do/a jovem, e passa a exigir dinheiro para não denunciar o crime à Justiça. Muitas vezes o suposto pai faz mais extorsões, dizendo que vai precisar submeter a filha/o a um tratamento psicológico, e começa a exigir mais dinheiro. É bastante comum nestes caso uma quarta pessoa envolvida, que se apresenta como policial, muitas vezes com fotos reais retiradas das redes sociais, e diz que está sendo registrada a ocorrência policial, e que vai ser expedido o mandado de prisão. Isso deixa a vítima com medo e mais propensa a repassar dinheiro aos golpistas.

O delegado Schenkel esclarece que, apesar do registro de 20 ocorrências por mês, a Polícia Civil estima que o número de vítimas seja muito maior, por medo de fazer a ocorrência.


- Cartão clonado. 

O golpista consegue o número de telefone da vítima, e se apresenta como funcionário de um banco, e questiona se ela fez uma compra com valor alto em uma determinada loja. A vítima nega a compra, então o golpista afirma que o cartão foi clonado, e que vai providenciar a cancelamento. A vítima passa a senha do cartão via telefone, e na sequência outro golpista vai até sua casa para retirar o cartão. Com o objetivo de maior convencimento, algumas vezes é pedido para que a vítima corte o cartão ao meio, porém, o chip permanece intacto, e ainda pode ser utilizado.

No começo de dezembro, uma quadrilha que fez vítimas em Passo Fundo foi presa na região sudeste do Brasil. “Os criminosos tem uma base onde fazem as ligações e mandam apenas alguns integrantes do grupo para as cidades onde o golpe está sendo aplicado”, explicou o delegado.

- Compras Falsas

Schenkel destaca que houve uma elevação no crimes de estelionato relacionados a compras pela internet. São sites de compras falsos, ou ofertas falsas, onde a vítima paga por compras que nunca vai receber. A vítima deste golpe não checa a veracidade das informações, bem como a segurança do aplicativo de pagamento, e acaba pagando por compras que não vai receber. A orientação é para fazer compras somente em sites confiáveis, e efetuar pagamos somente em aplicativos confiáveis.

- Golpe do Falso Boleto

As empresas são as maiores vítimas deste estelionato. Os golpistas conseguem acesso ao dados bancários de empresas que emitem títulos. Eles fazem contato e dizem que houve um problema com um determinado título, e que será necessário emitir outro boleto. O título falso para pagamento é enviado para a empresa, que efetua o pagamento, mas o dinheiro vai para a conta do golpista, e não do credor. 

O delegado alerta para que no momento de efetivar um pagamento, seja verificado se o dinheiro efetivamente está indo para a conta do credor, ou se a conta é de uma pessoa desconhecida. “Essa informação pode ser observada no momento do pagamento do boleto, pois aparece no caixa eletrônico ou na tela do computador quem é o titular da conta em que o dinheiro está sendo transferido. Se for a conta de uma pessoa desconhecida, certamente é golpe”, disse ele.

- Clonagem do WhatsApp

Apesar do nome “clonagem”, este golpe é muito simples e não há uma invasão do aplicativo da vítima. O golpista consegue contatos de WhatsApp que estão disponíveis em algumas redes sociais, além disso copiam fotos, e conseguem contatos de pessoas próximas.

Em seguida, entram em contato com as vítimas, se passando por uma pessoa conhecida, e dizendo que o seu numero de telefone mudou. Eles mantém uma conversa que pode durar muito tempo, até que em determinado momento, o golpista cria uma situação, que pode ser um pequeno imprevisto, ou simular um acidente, com o objetivo de solicitar uma transferência de dinheiro. A vítima, acreditando ser uma pessoa da sua relação, faz a transferência. “Recentemente registramos o caso de um homem que acreditou que estava falando com seu filho e transferiu R$ 7 mil para a conta de um golpista”, explicou o delegado. Para não cair neste golpe, Schenkel enfatiza que é preciso averiguar se houve mesmo uma troca de números antes de fazer qualquer transação. Além disso, é preciso desconfiar sempre, pois um aviso de troca de número, seguido de um pedido de dinheiro, é algo suspeito.

Também sugere que usuário do serviço faça uma uma senha de segurança, dificultando o acesso de golpistas no sistema.


- Golpes com menor incidência


O Delegado Schenkel explica que o crime de estelionato tem uma variação muito grande, pois são inúmeros os golpes aplicados. Por isso muitas vezes os policiais tem um grande numero de registros, mas são crimes com características diferentes. Entre os golpes registrados em Passo Fundo, mas com pouco incidência, há o “Conto do Bilhete”, que apesar de antigo, ainda é registrado. Também há registro do golpe do “Soldado Americano”, onde o golpista se apresenta como militar estrangeiro e mantém uma conversa com a vítima por muitos dias pelas redes sociais. Depois de estabelecer uma relação de confiança, o golpista diz que está enviando um presente para vítima, e que para liberar na alfândega, é necessário pagar uma taxa. A vítima faz a transferência do valor para a conta do golpista acreditando ser uma taxa alfandegária, e nunca recebe o presente. No golpe do “Consórcio Contemplando”, a vítima adquire um consórcio com a esperança de que ele será contemplado na sequência, e isso não acontece. No golpe do “Falso Empréstimo”, a vítima recebe a oferta de um empréstimos com taxas subsidiadas, mas para liberar o valor é necessário pagar as taxas de forma antecipada. A vítima deposita um valor, e não recebe o empréstimo. No golpe do “Envelope Vazio” a vítima faz uma venda pelas redes sociais, e o comprador faz um depósito com um envelope vazio, ou com cheques furtados. Segundo o delegado Schenkel, este golpe acontece em diversos níveis, desde a venda de eletrodomésticos, até venda de máquinas agrícolas. Recentemente um agricultor foi vítima deste golpe na venda de um trator, onde o golpista enviou o comprovante do depósito e mandou um guincho até a propriedade rural para levar o equipamento. Dias depois, o agricultor percebeu que o depósito foi feito com um envelope vazio.


As investigações

O delegado esclarece que as investigações indicam que na grande maioria das ocorrências onde a vítima é de Passo Fundo, o criminoso é de outra região. “No caso do cartão clonado geralmente é uma quadrilha que aplica golpes em diversas regiões do Brasil. Já no caso do golpe do WhatsApp, ou do golpe do nudes, normalmente são presidiários das mais variadas regiões.

O estelionato tem a pena prevista é de 1 a 5 anos de reclusão. A associação com outros crimes

como organização criminosa e lavagem de dinheiro, podem deixar o estelionatário por mais tempo preso. A maior dificuldade, porém, é conseguir recupera o dinheiro roubado.



Dicas importante


As pessoas mais idosas estão mais suscetíveis a serem vítimas, pois agem de “boa fé”. Por isso, os familiares precisam esclarece-los sobre esses crimes. Outra orientação é ter pessoas conhecidas dentro das instituições bancárias, que em caso de dúvida ou desconfiança, possam esclarecer de forma rápida, informações sobre ligações indicando clonagem de cartão, oferecendo empréstimos, ou ainda para sanar dúvidas sobre transferências em dinheiro.


Outras são:

- Não passar senhas em hipótese alguma;

- Nuca passar dados pessoais;

- Evitar conversas e amizades de pessoas desconhecidas em redes sociais;

- Não fazer pagamentos antecipado sem checar a originalidade do site;

- Cuidar com depósitos em cheque ou com envelope;

- Orientar as pessoas mais idosas da casa para possíveis golpes.




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